13 de junho de 2022 Autor : Saraiva da Cunha As infeções sexualmente transmissíveis são conhecidas vulgarmente como doenças venéreas . São doenças infecciosas provocadas por bactérias, vírus, fungos e parasitas, cujo contágio é feito principalmente através de relações sexuais ; Todas são transmitidas por contacto sexual: vaginal, anal ou oral; Algumas podem também ser transmitidas por contacto com fluidos corporais, a partir de sangue e tecidos infetados se forem usados em transfusões e transplantes, e de mãe para filho durante a gravidez e o parto. As infeções sexualmente transmissíveis podem ter implicações graves na saúde e qualidade de vida a longo prazo , nomeadamente porque algumas aumentam o risco de: Cancro ginecológico; Infertilidade; Aborto, parto prematuro e problemas nos recém-nascidos; Cirrose e cancro do fígado; Infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH); Morte prematura. Entre os fatores que têm contribuído para um ressurgimento importante das infeções sexualmente transmissíveis nas últimas décadas contam-se principalmente questões comportamentais: O início mais precoce da vida sexual; O menor receio de uma gravidez indesejada; A troca frequente de parceiros sexuais. Infeções sexualmente transmissíveis mais importantes São conhecidas atualmente mais de 30 bactérias, fungos, vírus e parasitas que são transmitidos principalmente por relações sexuais. As principais infeções sexualmente transmissíveis são: Clamidiose genital , causada pela bactéria Chlamydia trachomatis ; Condilomas anogenitais, causados pelo vírus do papiloma humano (HPV) ; Gonorreia , causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae ; Hepatite B, causada pelo vírus da hepatite B; Herpes genital , causada pelo vírus Herpes simplex tipo 2; Micoplasmose genital , causada pela bactéria Mycoplasma genitalium ; Tricomoníase , causada pelo parasita Trichomonas vaginalis ; Sífilis , provocada pela bactéria Treponema pallidum ; Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), causada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) . Há outras infeções que também se podem transmitir por via sexual, mas em que esta via não é muito importante na disseminação da doença. Por isso, não são consideradas infeções sexualmente transmissíveis. É o caso, por exemplo, das hepatites A e C e do vírus Zika. A que sinais e sintomas é preciso estar atento Muitas infeções sexualmente transmissíveis não têm sintomas ou estes são apenas ligeiros . Algumas alterações genitais podem ser sinal de que pode haver uma infeção sexualmente transmissível. Assim: Comichão (prurido), presença de úlceras ou outras lesões genitais, sensação de queimadura genital, corrimento vaginal anormal ou corrimento pela uretra, são sempre indicativos de que devem ser procurados cuidados médicos; A observação médica e eventuais exames permitirão confirmar ou excluir uma IST e determinar o tratamento adequado. Como se tratam as ISTs O tratamento das infeções sexualmente transmissíveis depende da infeção em causa . Pode envolver medicamentos, mas também outros procedimentos, como acontece, por exemplo com os condilomas genitais. O objetivo do tratamento também depende da doença : pode ser curá-la ou impedir o seu agravamento ou consequências a longo prazo. A clamidiose, candidíase vaginal, gonorreia, micoplasmose, sífilis e tricomoníase, que são causadas por bactérias, fungos e parasitas, são curáveis ; As infeções pelos vírus da hepatite B, vírus Herpes simplex , vírus da imunodeficiência humana (VIH) e vírus do papiloma humano (HPV) não têm um tratamento curativo. O objetivo do tratamento é controlar a infeção e os seus efeitos a longo prazo. Previna as infeções sexualmente transmissíveis As medidas que ajudam a diminuir a probabilidade de ter uma infeção sexualmente transmissível são: Usar sempre preservativos (masculinos e também femininos) nas relações sexuais; Evitar relações sexuais , mesmo protegidas, quando há possibilidade ou suspeita ou já é conhecida uma infeção sexualmente transmissível; Vacinação . Algumas infeções sexualmente transmissíveis são prevenidas por vacinação, como as infeções pelos vírus do papiloma humano (HPV) e vírus da hepatite B. O programa nacional de vacinação português inclui atualmente a vacinação contra o HPV, tanto para as raparigas (desde 2008) como para os rapazes (desde 2020). As pessoas que não foram abrangidos pela vacinação ao abrigo do programa nacional de vacinação devem aconselhar-se com o seu médico assistente sobre a necessidade de fazerem esta vacina. Há medicamentos que reduzem a probabilidade de ser infetado pelo vírus da imunodeficiência humana (a denominada profilaxia pré-exposição ou PrEP). A sua recomendação médica está, em Portugal, regulada por uma norma específica da Direção Geral de Saúde (DGS) e depende de avaliação individual em consultas especializadas Rastreio de infeções sexualmente transmissíveis Manter o seguimento médico regular (habitualmente em medicina geral e familiar, ginecologia ou urologia, dependendo das pessoas) e fazer os rastreios aconselhados é fundamental para diagnosticar e tratar precocemente as ISTs e evitar o contágio . A maioria dos rastreios de ISTs é feito através de uma análise de sangue ou de urina. Alguns rastreios que podem ser pedidos pelos médicos são: Em todas as pessoas: Infeção pelo vírus da imunodeficiência humana, pelo menos uma vez na vida Mulheres com menos de 25 anos e sexualmente ativas: Gonorreia e clamidiose, anualmente Mulheres com mais de 25 anos com mais do que um parceiro sexual e com relações não protegidas por preservativo: Gonorreia, clamidiose, vírus da imunodeficiência humana e sífilis, anualmente Mulheres grávidas: Vírus da imunodeficiência humana, sífilis e hepatite B Clamidiose e gonorreia se tiverem menos de 25 anos ou se tiverem mantido relações com mais de um parceiro Homens que têm sexo com homens e com relações não protegidas por preservativo: Gonorreia, clamidiose, vírus da imunodeficiência humana e sífilis, anualmente. Hepatites A, B e C, pelo menos uma vez Pessoas infetadas pelo vírus da imunodeficiência humana: Hepatites A, B e C, pelo menos uma vez. Sífilis, clamidiose e gonorreia, anualmente. Homens que têm sexo com homens infetados pelo vírus da imunodeficiência humana: Hepatite C, anualmente Casos específicos: Rastreios dependentes dos hábitos sexuais Alguns números No mundo Todos os dias há mais de 1 milhão de contágios de infeções sexualmente transmissíveis; Em 2016 havia 490 milhões de pessoas infetadas pelo vírus Herpes simplex e 300 milhões de mulheres com HPV; Em 2020 ocorreram 374 milhões de novos casos de clamidiose, gonorreia, sífilis e tricomoníase; Estima-se que 296 milhões de pessoas tenham hepatite B crónica. Na Europa e em Portugal Em 2018, na Europa: Registaram-se cerca de meio milhão de ISTs , entre as quais: 100 526 casos de gonorreia 33 599 casos de sífilis 40 6406 casos de clamidiose Em 2018, em Portugal: 908 casos de sífilis , com maior incidência nos homens entre os 15-44 anos; 479 casos de clamidiose , principalmente nas mulheres e homens com idade compreendida entre 15-34 anos; 789 casos de gonorreia , com maior incidência nos homens entre os 15-34 anos; Em 2019 registaram-se 778 novos casos de VIH / SIDA em Portugal. Fontes European Centre for Disease Prevention and Control. Infographic: Sexually transmitted infections: a long-standing and ongoing threat for public health , 10 Mars 2021. Serviço Nacional de Saúde: Doenças de Declaração Obrigatória . Uptodate. Screening for sexually transmitted infections . World Health Organization. Sexually transmitted infections Conheça a equipa clínica de infecciologia da rede Hospital da Luz. 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