24 de maio de 2024 A litíase biliar é a presença de cálculos, chamados correntemente pedras, na vesícula biliar e/ou nas vias biliares. É um problema comum, afeta anualmente cerca de 25 mil portugueses. A vesícula biliar é um órgão que faz parte do aparelho digestivo. É uma espécie de saco com o formato de uma pera, localizada sob o fígado. A sua função é armazenar a bílis produzida no fígado e lançá-la no canal biliar principal, que une o fígado à região inicial do intestino (duodeno), sempre que é necessária para a digestão. A bílis intervém, principalmente, na digestão das gorduras. Num adulto, em circunstâncias normais, o comprimento da vesícula é de 7-12,5 cm e armazena 25-30 mL de bílis. Causas das pedras na vesícula Para o desenvolvimento das ‘pedras’ na vesícula biliar contribuem vários fatores, mais frequentemente: Hábitos alimentares ocidentais; Excesso e peso e obesidade; Colesterol elevado; Vesícula “preguiçosa” Alguma tendência familiar. A formação dos cálculos resulta da precipitação de sais na vesícula. Com o tempo estes sais juntam-se formando os cálculos ou pedras, o que é acompanhado, invariavelmente, de uma inflamação crónica das paredes da vesícula. Sintomas e complicações da pedra na vesícula Os sintomas mais frequentes de presença de pedras na vesícula são: Dor epigástrica, ou seja, na zona do estômago ou por baixo das costelas do lado direito, que pode estender-me até às costas ou ao ombro direito. Náuseas, vómitos e crises de diarreia também são frequentes. As complicações da litíase vesicular são extremamente frequentes, imprevisíveis e de gravidade variável. As “crises de vesícula” devem-se habitualmente ao encravamento das pedras à saída da vesícula, obstruindo total ou parcialmente o fluxo de bílis. Isto provoca uma distensão da vesícula e dor intensa, dando origem a uma colecistite (inflamação da vesícula) aguda. Pode haver também passagem de pedras para o canal biliar principal dando origem a infeção das vias biliares (colangite) e pancreatite aguda (inflamação no pâncreas). Estas complicações são graves, obrigam a internamento e podem por a vida em risco. Dependendo das complicações e sua gravidade, os sintomas presentes podem incluir: Dor, náusea e vómitos; Febre; Icterícia (olhos e pele amarelos); Urina escura; Comichão no corpo. Tratamento Uma colecistite aguda, com ou sem complicações, é a causa mais comum de recurso ao serviço de urgência. O tratamento da pedra na vesícula faz-se com a remoção cirúrgica da vesícula, que se chama colecistectomia. É sempre preferível optar por uma colecistectomia programada, que é feita por cirurgia minimamente invasiva (laparoscopia) do que ter de fazê-la na sequência de uma crise ou complicação porque: A taxa de sucesso é maior; A taxa de complicações é menor, inferior a 1%; A recuperação é mais rápida, com alta habitualmente ao fim de um dia. Quando há complicações, particularmente nos casos de pedras no canal biliar principal, pode ser necessário fazer um tratamento em dois tempos: Primeiro trata-se a situação aguda de colangite ou pancreatite com medicamentos e outras medidas de suporte; Só depois, quando o doente está recuperado é feita a colecistectomia e removidas as pedras do canal principal. Nos centros mais experientes e diferenciados, é possível fazer este tratamento global da vesícula e canais num só tempo cirúrgico, por via laparoscópica. Questões frequentes Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.