01 de fevereiro de 2021 Autor : Bruno Graça O que é a litíase renal? A litíase renal (nos rins) e ureteral (nos ureteres) é a presença de cálculos, conhecidos vulgarmente por pedras , naquelas estruturas do aparelho urinário. Os cálculos podem ter dimensão variável, desde cálculos milimétricos – quando têm até 5 mm e são conhecidos como areias ou microlitíase – até cálculos de grandes dimensões, que podem ocupar grande parte do interior do rim (cálculos coraliformes). Os cálculos presentes nos ureteres formam-se quase sempre nos rins, deslocando-se depois para os ureteres. No entanto, quando se mantêm nos ureteres por um período prolongado, podem continuar a crescer. Como se formam os cálculos? Os cálculos formam-se por saturação e cristalização de sais de urina no rim , órgão onde é produzida a urina. Podem ter diferente composição: A maioria dos cálculos – 75%-80% – tem cálcio na sua composição e não são dissolvidos por medicação. Os cálculos de ácido úrico – 5%-10% dos casos – devem-se a cristalização de uratos na urina ácida. Por vezes, a medicação para alcalinizar a urina pode promover a sua dissolução. Os cálculos de estruvite – fosfato-amónia-magnésio – são mais raros e são produzidos por bactérias que causam infeção urinária crónica. Os cálculos de cistina são muito duros e devem-se a uma doença genética hereditária. Em casos raros são encontrados cálculos que são efeito secundário de medicação, por exemplo com indinavir, triantereno ou sulfasalazina. Cólica renal A deslocação dos cálculos nos rins e a sua migração para os ureteres pode ou não provocar uma obstrução à passagem da urina . Quando há obstrução origina-se a cólica renal . Esta é caracterizada por dor lombar aguda e muito intensa com irradiação abdomina l, náuseas, vómitos e sem posição de alívio. Pode também surgir sangue na urina e, se existir uma infeção concomitante, febre e mal-estar geral. A cólica renal é descrita como uma das dores mais difíceis de suportar, inclusivamente pior do que as dores de parto ou de queimaduras. A sua gravidade depende do grau e velocidade de instalação da obstrução ao fluxo de urina e da localização do cálculo e não das suas dimensões. Se o cálculo renal ou ureteral não provoca obstrução ao fluxo de urina, a litíase não dará sintomas ou estes serão apenas ligeiros. Diagnóstico A cólica renal é uma causa comum de procura de cuidados médicos, frequentemente em serviço de urgência. O diagnóstico da litíase renal é feito com base no exame clínico e confirmado através de alguns exames complementares de diagnóstico, como a análise da urina e a ecografia renal e vesical (da bexiga). Quando ainda permanece alguma dúvida ou se se pretende definir com mais precisão as dimensões dos cálculos e a sua localização exata, pode ser necessário fazer uma tomografia computorizada (TAC). Estudo metabólico Algumas alterações metabólicas urinárias podem contribuir para a formação de cálculos . Por isso, em situações específicas e não em contexto de urgência, o diagnóstico pode incluir um estudo metabólico, sempre com vista a otimizar a prevenção. As alterações metabólicas são habitualmente pesquisadas em doentes jovens, com menos de 25 anos, ou que apresentem cólicas renais de repetição. O estudo metabólico é feito numa amostra de urina de 24 horas em que são determinados vários compostos, por exemplo o cálcio, a hormona que regula o metabolismo do cálcio, o ácido úrico, os fosfatos e os citratos, entre outros. Quando são identificadas alterações metabólicas, pode estar recomendado o envolvimento de especialidades médicas como a nefrologia ou a endocrinologia. Alterações anatómicas Algumas alterações anatómicas podem também contribuir para a formação de cálculos , por exemplo a obstrução da junção ureteropiélica (ligação entre o rim e o ureter) ou os rins em ferradura. Por isso, o diagnóstico pode também envolver investigação neste sentido. Tratamento da litíase renal O tratamento da litíase renal pode ser urgente, quando há sintomas de alarme, por exemplo: Dor incontrolável, Síndrome febril sugestivo de infeção urinária concomitante, Desidratação por náuseas e vómitos incoercíveis, Insuficiência renal aguda progressiva. Noutros casos, a necessidade de tratar ativamente os cálculos depende de vários fatores como a sua localização, dimensões, sintomatologia e preferência do doente. Por exemplo, cerca de 80%-85% dos cálculos ureterais são expelidos sem tratamento específico . No entanto, quando são maiores que 5 mm a sua eliminação sem tratamento torna-se menos frequente e quando os cálculos atingem os 10 mm é praticamente nula. Saiba mais sobre o tratamento e prevenção da litíase renal . Conheça a equipa de urologia da rede Hospital da Luz. 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