15 de março de 2019 Autor : Álvaro Lima Em muitos casos, não se consegue definir uma causa direta para a lombalgia crónica, como um traumatismo ou um esforço exagerado. No entanto, a coluna alerta para a existência de algo que deve ser corrigido. Quais são os fatores de risco da lombalgia crónica? Habitualmente, nas lombalgias crónicas ocorre um efeito cumulativo de vários fatores de risco: Individuais — idade, passado profissional, obesidade, tabagismo; Genéticos — podem estar na origem de maior fragilidade dos tecidos; Físicos — atividade profissional, postura, mecânica corporal, exercício físico; Psicossociais — stress, depressão, somatização, satisfação laboral. Como é feito o diagnóstico da lombalgia crónica? O estudo destes casos deverá começar pela realização de exames de diagnóstico para tentar perceber qual a causa e qual a estrutura responsável pela persistência das queixas. Excluídas as patologias infecciosas, tumorais ou traumáticas, habitualmente os exames complementares vão diagnosticar processos degenerativos a nível dos discos intervertebrais e das articulações entre as vértebras. Perante estas alterações é necessário tentar perceber qual a estrutura dolorosa . Nesse sentido, devem ser feitos testes de injeção e infiltração percutânea a nível do disco, discografia, ou a nível das articulações. A discografia é essencialmente diagnóstica, permitindo perceber se determinado disco intervertebral é doloroso e qual o seu grau de degenerescência. As injeções intra-articulares, os bloqueios da enervação facetária ou as lesões por radiofrequência da enervação facetária, podem: Diagnosticar o local predominantemente doloroso; Aliviar por um período mais ou menos prolongado as queixas álgicas. Há tratamento para a lombalgia crónica? O tratamento das lombalgias crónicas é mais complicado e pode necessitar de cuidados prolongados que incluem: Medidas preventivas; Reabilitação muscular; Terapêutica médicas; Terapêutica cirúrgicas. Alguns casos de lombalgias crónicas podem tornar-se muito incapacitantes e persistir , apesar de todo o tratamento médico e de reabilitação. A fisioterapia está indicada nos casos de lombalgia crónica? No caso de lombalgias agudas persistentes ou em situações de agudização de lombalgias crónicas, poderá estar indicada a realização de fisioterapia. Nestas situações poderão estar indicados tratamentos de: Tração pélvica; Massagem; Gelo ou calor; Ultrassons; Estimulação muscular elétrica; Exercícios de estiramento muscular. A solução cirúrgica Em último caso, se através das formas menos invasivas não for possível melhorar a qualidade de vida dos doentes, poder-se-á optar por uma solução cirúrgica . As soluções cirúrgicas para estas situações passam, essencialmente, por 2 alternativas: A colocação de uma prótese discal; A fusão intervertebral. Existe forma de prevenir a lombalgia crónica? Na maioria dos casos, as lombalgias crónicas podem ser evitadas com: Medidas preventivas; Hábitos de vida saudáveis. O desejo de manter uma coluna saudável e a iniciativa de uma mudança de hábitos são uma responsabilidade individual . Embora esse desejo não evite algumas queixas ocasionais, tornará, seguramente, as crises de lombalgia mais ligeiras e menos frequentes , permitindo uma melhoria significativa da qualidade de vida. Medidas preventivas Para a prevenção de lombalgias crónicas , é fundamental que sejam tomadas as seguintes medidas preventivas principais: Cuidados com a postura Sente-se e esteja de pé de forma adequada, mantendo a coluna vertebral com alinhamento fisiológico; Evite estar sentado por períodos prolongados; Evite manter posturas incorretas da coluna vertebral por períodos prolongados. Cuidados com a mecânica corporal Estas medidas devem ser tidas em conta, sobretudo, na manipulação de cargas: Flita os membros inferiores, quando é necessário levantar um objeto pesado e evite fletir a coluna lombar; Evite os movimentos de rotação do tronco. Hábitos de vida saudável Mantenha uma alimentação saudável; Controle o peso corporal; Evite fumar – o tabaco aumenta os processos degenerativos e interfere com o aporte sanguíneo muscular; Realize exercício físico regular (por exemplo, caminhada, bicicleta, cardiofitness , natação, hidroginástica ou pilates, em função da modalidad mais adequada a cada caso). O exercício aeróbico permite manter uma boa condição física; Os exercícios específicos para fortalecimento da musculatura paravertebral e flexibilização das articulações permitem melhorar a resistência ao esforço do dia-a-dia e reduzir a probabilidade de lesões vertebrais. Evite situações de stress que aumentam a tensão muscular, compense-as com períodos de relaxamento e massagens corporais. Conheça a equipa de neurocirurgia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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