16 de novembro de 2023 Autora : Cristina Frutuoso A mastectomia, ou remoção cirúrgica da mama, é uma das opções de tratamento que pode estar indicada no cancro da mama. A reconstrução mamária após uma mastectomia é uma cirurgia plástica reconstrutiva que permite obter novamente o volume da mama e mamilo, mas não consegue devolver a tonalidade natural diferente que tem a pele da aréola e mamilo . Uma das possibilidades atualmente disponíveis que pode resolver esta questão é a micropigmentação areolar . Esta marcação da pele da mama com pigmentos recupera o efeito visual da cor da pele da aréola e mamilo e complementa a reconstrução cirúrgica. Tem principalmente objetivos estéticos, mas a aparência praticamente natural que é devolvida à mama melhora a autoestima e a qualidade de vida. A micropigmentação areolar não se destina apenas a mulheres submetidas a uma mastectomia por cancro da mama. Pode também ser usada em casos de queimaduras ou outras lesões que tenham desfigurado a aréola e mamilo ou nos casos da sua ausência congénita (ao nascimento). Os pigmentos usados na micropigmentação areolar não são os mesmos das tatuagens comuns, nem tão pouco são usados os mesmos instrumentos e equipamentos. Como é feita a micropigmentação areolar Entre a cirurgia de reconstrução mamária e a micropigmentação areolar devem passar três a seis meses, para que a recuperação da cirurgia esteja completa e a mama e mamilo na sua posição final. Este período varia também com a realização ou não de radioterapia, porque esta tem efeitos na pele. É fundamental uma avaliação médica para assegurar as condições ideais e decidir a data de realização da micropigmentação . Antes do procedimento é escolhida a cor ou cores a usar. Há várias cores disponíveis para que seja possível escolher, para cada mulher, a que mais se aproxima da tonalidade da segunda aréola/mamilo. É comum ser usada mais do que uma cor para conseguir a maior semelhança possível à mama contralateral. Também é possível optar pela micropigmentação bilateral, mas há sempre diferenças entre a pele areolar da mama operada e da não operada e, portanto, o comportamento resultante da aplicação do pimento poderá ser diferente. É desenhada a zona de aplicação do pigmento para verificar o equilíbrio e simetria da areola e mamilo nas duas mamas. Na maioria dos casos a micropigmentação é feita com aplicação prévia de um anestésico local, mas este também pode não ser usado pois em geral o procedimento é bem tolerado. Assim, o uso ou não do anestésico está muito relacionado com sensibilidade e opções individuais . No procedimento é usado um dispositivo descartável que tem várias agulhas finas que se movem para cima e para baixo rapidamente, penetrando na pele e depositando o pigmento. Uma sessão de tratamento demora cerca de uma hora. A cor final pretendida não é imediata. Após o tratamento é mais escura e depois vai aclarando ao longo de uma a duas semanas . Habitualmente é necessária mais do que uma sessão para se conseguir obter o efeito pretendido . Passados cerca de 3 meses da última sessão prevista considera-se que está presente o efeito final pretendido. A micropigmentação areolar é realizada em ambulatório (sem necessidade de internamento) e não implica ausência ao trabalho ou alteração da maioria das atividades diárias. Recomenda-se que nos primeiros dias depois das sessões de micropigmentação: Não seja usado vestuário justo; Não se façam atividades que impliquem força ou tração da mama; Não se tome banho de imersão, na praia ou em piscinas; Se sigam todas as indicações que forem dadas, incluindo as que se referem a aplicação local de cremes ou outros produtos. Também é importante saber Como qualquer procedimento invasivo, a micropigmentação areolar pode ter riscos e efeitos indesejáveis . Depois do tratamento pode haver alguma vermelhidão e inchaço, que desaparecem no prazo de uma semana. Pequenas hemorragias, irritação da pele, reação alérgica ao pigmento e risco de infeção também possíveis. Podem formar-se cicatrizes, especialmente nas pessoas com tendência para queloide. Podem ocorrer alterações do formato do mamilo conseguido na cirurgia de reconstrução mamária. Pode haver migração do pigmento para fora da área que se deseja colorir. Não é possível garantir que a cor final conseguida seja exatamente a que se tinha antes da cirurgia, uma vez que a pele de cada mulher pode reagir de forma diferente ao pigmento e à cor escolhidos. A tonalidade final obtida não é vitalícia. É natural que vá aclarando com o passar do tempo, especialmente passados 3-5 anos. Isto acontece na micropigmentação e não numa tatuagem normal porque nesta última os pigmentos são diferentes e são colocados numa camada mais profunda da pele. No entanto, é possível voltar a retocar e avivar a cor da aréola e mamilo . Os resultados da micropigmentação dependem do tipo e características da pele e também de fatores como: A toma de alguns medicamentos; Exposição solar; Hábitos de vida, particularmente consumo de tabaco e bebidas alcoólicas; Prática de natação em piscinas tratadas com compostos clorados. Aconselhe-se com o médico que a operou, é a pessoa indicada para a aconselhar sobre a melhor opção para o seu caso. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.