26 de fevereiro de 2021 Autora : Ana Rita Rodrigues As miocardiopatias são um grupo heterogéneo de doenças que afetam o músculo cardíaco (miocárdio) . Impedem o coração de funcionar corretamente por perda da força necessária para bombear o sangue e assim suprir as necessidades do organismo. Há diferentes tipos de miocardiopatias? De acordo com o tipo de alteração que causam no músculo cardíaco, são considerados três tipos principais de miocardiopatias : Miocardiopatia dilatada : é a mais frequente e consiste num aumento de tamanho / dilatação do ventrículo esquerdo, que habitualmente perde a sua força de contração para bombear o sangue; Miocardiopatia hipertrófica : tem causa genética, o músculo cardíaco aumenta a sua espessura o que dificulta o funcionamento correto do coração; Miocardiopatia restritiva : o músculo cardíaco torna-se mais rígido e menos elástico, perdendo a capacidade de se expandir e de receber o sangue para bombear, é o menos comum destes três tipos principais. Outros tipos de miocardiopatias, menos frequentes, são por exemplo: Displasia arritmogénica do ventrículo direito; Miocardiopatia induzida por stresse ou síndrome de Takotsubo ou do “coração partido”; Miocardiopatia não compactada. Quais as causas das miocardiopatias? Frequentemente a causa de uma miocardiopatia é desconhecida ( idiopática ). Quando são identificadas causas, trata-se de fatores genéticos , que podem ou não ser hereditários, ou a miocardiopatia é secundária a outra doença que provoca alterações do miocárdio, por exemplo: Doença das artérias coronárias (artérias que irrigam o coração), por exemplo o enfarte do miocárdio ou ataque cardíaco; Hipertensão arterial não controlada de longa duração; Doenças das válvulas do coração; Consumo excessivo de bebidas alcoólicas; Consumo de algumas drogas e de esteroides anabolizantes; Infeção ou inflamação que envolve o músculo cardíaco; Quimioterapia e/ou radioterapia utilizada em alguns cancros; Arritmias com frequência cardíaca rápida e de longa duração; Acumulação de determinadas proteínas anormais no músculo cardíaco; Algumas doenças do metabolismo, neurológicas ou das glândulas endócrinas; Complicação de gravidez; Algumas deficiências nutricionais. Sintomas e diagnóstico A apresentação de uma miocardiopatia pode ser muito heterogénea. Muitos casos de miocardiopatia podem temporariamente não provocar sintomas. Entre os vários sintomas possíveis de miocardiopatia , destacam-se: Insuficiência cardíaca, que conjuga sintomas como cansaço, falta de ar, pernas inchadas, farfalheira, náuseas, perda de apetite, entre outros; Dor no peito; Tonturas; Desmaios; Palpitações; Morte súbita. Quando há suspeita da existência de uma miocardiopatia, são muito importantes para o diagnóstico : Conhecer em detalhe a história clínica do doente e da sua família; Os dados obtidos na realização do exame médico em consulta. Habitualmente são também realizados outros exames auxiliares de diagnóstico que podem incluir: Eletrocardiograma; Análises; Radiografia de tórax; Ecocardiograma; Ressonância magnética cardíaca; Testes genéticos. Tratamento da miocardiopatia O tratamento de uma miocardiopatia depende do tipo específico de miocardiopatia , da sua causa e da gravidade dos sintomas. Pode incluir desde modificações no estilo de vida, medicação, implantação de dispositivos eletrónicos (como pacemakers , ressincronizadores ou desfibrilhadores) ou mesmo uma cirurgia . Entre os medicamentos mais utilizados estão, por exemplo, os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), os antagonistas do recetor da angiotensina (ARA), o inibidor do recetor da angiotensina e neprilisina (ARNI), os beta-bloqueadores, os diuréticos, os antagonistas dos mineralocorticoides, os inibidores de SGLT2, a ivabradina, entre vários outros que podem ser usados para tratar a causa da doença. Conheça a equipa de cardiologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.