7 de setembro de 2020 Autor : Luis Duarte Costa A mononucleose infeciosa é provocada pelo vírus Epstein-Barr, ou herpesvírus humano 4, que também pode também causar outras doenças. Este vírus não é muito contagioso, mas tem uma distribuição muito vasta e o Homem parece ser o seu principal reservatório, uma vez que não existe no ambiente. Nos países em desenvolvimento e nas situações de contacto próximo e condições de higiene deficientes, a presença de anticorpos contra o vírus na população é elevada devido à frequência da exposição. Esta exposição é particularmente comum nas crianças, pelas características das suas brincadeiras e hábitos e, nestas regiões, a infeção é mais rara nos adultos devido à exposição em idades jovens. Como se transmite a mononucleose Na mononucleose infecciosa, a transmissão do vírus Epstein-Barr é feita por contacto oral com saliva de pessoas infetadas, mais frequentemente de portadores assintomáticos. Os beijos e a partilha de objetos contaminados com saliva , como, por exemplo, copos ou talheres, são as formas mais prováveis de contrair a infeção. Depois do contágio, se a doença vier a ter sintomas, o período de incubação até estes ocorrerem é de 4 a 8 semanas. O vírus é eliminado na saliva em média durante 6 meses depois do início da doença. Há também portadores assintomáticos que eliminam o vírus na saliva de forma intermitente durante toda a vida. Além da saliva, as pessoas infetadas também podem ter o vírus presente no esperma e nas secreções vaginais, mas não está esclarecido se há contágio por relações sexuais. Sintomas e diagnóstico A mononucleose infecciosa pode não ter quaisquer sintomas. Isto é comum nas crianças, que apenas têm sintomas em 10% dos casos, mas também é frequente noutros escalões etários. A doença com manifestação de sintomas é mais habitual nos adolescentes e adultos jovens , entre os 15 e os 24 anos. Normalmente não é grave, mas pode implicar períodos prolongados de ausência às aulas ou ao trabalho. Quando a doença tem sintomas , estes são principalmente: Febre; Dor e inflamação da garganta; Aumento dos gânglios palpáveis no pescoço (linfadenopatia); Dores musculares (mialgia); Cansaço; Aumento do volume do baço (esplenomegalia). Para o médico diagnosticar a doença contribuem: O exame físico; Os sintomas e restante história do doente; Exames de diagnóstico, por exemplo análises de sangue para avaliar o número e tipo de linfócitos (um tipo de glóbulos brancos), determinar anticorpos, pesquisar o vírus, eliminar outras causas possíveis para os sintomas. Muitas vezes o diagnóstico de mononucleose infecciosa é tardio em relação ao início da doença porque os sintomas mais habituais não são específicos, são comuns a outras doenças mais frequentes e, por isso, fazem adiar a procura de cuidados médicos. Um cansaço excessivo e inexplicável é por vezes a principal razão que leva à procura de cuidados médicos e à suspeita da doença. Quando as queixas são apenas febre e dor de garganta, a mononucleose infecciosa pode ser confundida com uma amigdalite bacteriana. No entanto, os antibióticos que se usam para tratar a amigdalite bacteriana não têm qualquer efeito na mononucleose infecciosa, que é provocada por um vírus. O uso de antibióticos derivados da penicilina nesta doença pode até dar origem ao aparecimento de manchas vermelhas no corpo (eritema), reação para a qual não há uma explicação clara, mas que não é uma alergia. Na maioria dos casos, não basta uma única consulta médica para diagnosticar mononucleose infecciosa ou para eliminar esta possibilidade. Por exemplo, quando alguém recorre a uma consulta, seja programada seja num serviço de urgência, com queixas sugestivas de mononucleose é habitual que sejam indicadas consultas adicionais para terminar o diagnóstico diferencial e fazer o seguimento da doença. Manter o seguimento até à recuperação completa é muito importante . Tratamento e retorno às aulas ou à atividade profissional Não existe um tratamento específico contra o vírus da mononucleose. Por isso, o tratamento da mononucleose tem como objetivo combater os sintomas (tratamento sintomático), principalmente a febre e dores. O essencial para a recuperação é repousar em casa , fazer uma alimentação equilibrada e manter uma boa hidratação. O período de repouso é variável, desde 1 ou 2 semanas até 1 mês ou mais. O objetivo é recuperar o suficiente para voltar às aulas ou à atividade profissional. Quando há um aumento do volume do baço , que acontece em cerca de 50% dos casos, é aconselhado não praticar atividade física , especialmente desportos de contacto, nem fazer esforços, até este órgão voltar ao normal. A intenção é evitar eventuais traumatismos do baço que podem provocar a sua rotura, pois este problema é grave e requer cuidados médicos imediato. Nos doentes com esplenomegalia é prudente que uma vez recuperados o retorno à atividade física seja feito gradualmente. A maioria das pessoas que desenvolve mononucleose infecciosa ou doença do beijo com sintomas recupera completamente e fica imune à doença . Fontes: Manual MSD – Versão para profissionais de saúde e versão saúde para a família UpToDate Conheça a equipa de medicina interna da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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