15 de agosto de 2024 Autora : Catarina Matos Figueiredo Nas crianças e jovens, tal como nos adultos, o excesso de peso e a obesidade são consequência, principalmente, de excessos e desequilíbrios alimentares e de sedentarismo. No entanto, nas faixas etárias jovens, a alimentação incorreta e escassez de atividade física podem ter também efeitos específicos: Durante o crescimento, o ganho de peso normal é distribuído pelos diversos tecidos e regiões do corpo, de modo a suportar as alterações corporais que caracterizam o aumento de peso e o desenvolvimento corporal. Assim, os desequilíbrios alimentares além de alterarem essa distribuição fisiológica do ganho de peso, a favor da deposição de gordura , podem comprometer o desenvolvimento corporal normal . A prática de atividade física durante o crescimento tem uma contribuição importante para o desenvolvimento corporal e para a capacidade de coordenação dos movimentos, que podem assim ficar prejudicados . Como se quantifica a obesidade nas crianças e jovens Nas crianças e jovens, que ainda não atingiram o peso e o desenvolvimento corporal adulto e em que a variabilidade associada à corpulência e à velocidade de crescimento é elevada, a análise do índice de massa corporal (IMC) para efeitos de quantificação da obesidade não é feita como nos adultos. São considerados os percentis da distribuição do IMC – peso (kg) / altura 2 (m) – em função da idade e do sexo, usando, por exemplo, os gráficos do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil . Considera-se assim: Magreza : IMC para a idade e sexo inferior ao percentil 5 Peso normal : IMC para a idade e sexo situado entre o percentil 5 e o percentil 85 Excesso de peso : IMC para a idade e sexo situado entre o percentil 85 e o percentil 95 Obesidade : IMC para a idade e sexo superior ao percentil 95 Em idade pediátrica a classificação e critérios de diagnóstico baseiam-se em percentis, de acordo com a idade e o sexo. Os critérios são distintos para duas faixas etárias: Menos de 5 anos: excesso de peso ≥ P97 e obesidade ≥ P99; 5 anos ou mais: excesso de peso ≥ P85 e obesidade ≥ P97. Abordagem da obesidade nas crianças e jovens Prevenção Na abordagem do problema da obesidade nas crianças e jovens a prevenção, sendo o principal adotar hábitos alimentares saudáveis e praticar regularmente atividade física . Todas as ações implementadas precocemente e mantidas ao longo da vida para controlar o peso corporal têm uma contribuição mais favorável e permanente. Tratar o excesso de peso Quando há excesso de peso, as medidas a adotar dependem das especificidades de cada caso. Regra geral, nos mais jovens (com menos de 7 anos) não devem ser seguidos programas de perda de peso, mas sim programas com o objetivo de manter o peso . Com isto pretende-se atingir uma situação de equilíbrio à medida que a estatura aumenta. Em muitos casos, esta tentativa de manutenção do peso pode ser tão difícil como é para os adultos perder peso. Os programas de perda de peso, sempre sob aconselhamento médico, devem ser reservados para os maiores de 7 anos, ou para aqueles que apesar de não terem atingido essa idade se encontram numa situação de risco acrescido de outros problemas de saúde graves . As metodologias a adotar nestes programas de perda de peso passam também pela adoção de hábitos alimentares saudáveis e pela prática de atividade física e combate do sedentarismo. Os medicamentos e a cirurgia não devem ser opções terapêuticas comuns nas crianças e jovens para tratamento destes problemas. Os riscos a longo prazo da utilização de medicamentos para tratamento da obesidade não estão completamente identificados e o seu papel na manutenção do peso a longo prazo em indivíduos não adultos é ainda objeto de discussão. No que se refere à cirurgia, as características de irreversibilidade de alguns procedimentos e as potenciais deficiências nutricionais associadas, naturalmente com consequências importantes para o crescimento, levam a que na maioria dos casos não seja uma opção a considerar. Ainda: As crianças e jovens com valores de IMC superiores ao desejável devem sempre ser avaliadas e orientadas pela equipa de saúde que as acompanha. Sempre que ocorra um acréscimo de peso rápido e elevado numa criança ou num jovem, e que o problema não pareça solucionar-se facilmente, deve ser procurado um aconselhamento médico adequado. Só assim será possível realizar uma avaliação integrada do problema, tendo em conta a história individual, a história familiar, os antecedentes e hábitos de vida, a existência de doenças e os fatores de risco envolvidos, e determinar a necessidade de implementar um programa de controlo/perda de peso e de um acompanhamento especializado. Todas as ações necessárias em termos de hábitos alimentares, combate ao sedentarismo e prática de atividade física não podem ser apenas da responsabilidade das crianças ou jovens com problemas de excesso de peso. É necessário o apoio e o incentivo da família e dos amigos, que desempenham um papel fundamental na resolução deste tipo de problemas. Conheça a equipa clínica de pediatria da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.