22 de maio de 2020 Autor : Guilherme Castela As lágrimas são produzidas pelas glândulas lacrimais e daqui fluem para a superfície dos olhos. Depois são drenadas através do canal nasolacrimal para o nariz e garganta. Quando este canal está obstruído, as lágrimas acumulam-se nos olhos . A obstrução do canal nasolacrimal acontece tanto nos recém-nascidos, como nas crianças mais velhas e até nos adultos, embora seja menos frequente. Pode ser congénita (estar presente ao nascimento) ou adquirida . Obstrução congénita do canal nasolacrimal A obstrução congénita do canal nasolacrimal é uma doença comum os primeiros meses de vida e é a causa mais frequente de lacrimejar constante (epífora) na criança. Pode afetar cerca de 6%-20% de todos os recém-nascidos. Ao nascimento 50% das crianças têm o canal nasolacrimal não permeável. A perfuração espontânea ocorre durante as primeiras 3-4 semanas de vida associado às manobras de chuchar e mamar. Só uma pequena percentagem de crianças tem epífora persistente depois disso, sendo que em mais de 90% dos casos ocorre resolução durante o primeiro ano de vida. Quais são as causas? A principal causa da obstrução congénita do canal nasolacrimal é a ausência de permeabilidade de uma membrana - válvula de Hasner - localizada na ligação do canal nasolacrimal com o nariz. Menos frequentemente, pode ser causada também por um estreitamento ósseo distal no canal nasolacrimal ou uma hipertrofia do corneto nasal inferior. Os principais fatores de risco identificados para a obstrução congénita do canal nasolacrimal são: Infeção materna durante a gravidez; Radiação; Malformações craniofaciais; Síndrome de Down. Sinais e sintomas de obstrução congénita do canal nasolacrimal As manifestações clínicas iniciam-se durante as primeiras semanas de vida. As secreções mucosas constantes e recorrentes são o primeiro sinal identificado pelos pais. O aumento do menisco lacrimal e a epífora começam normalmente após o segundo mês de vida. Os sintomas são mais frequentemente bilaterais do que unilaterais e agravam-se quando há infeções das vias aéreas superiores. A obstrução congénita do canal nasolacrimal pode ser acompanhada por sinais inflamatórios da pele periocular, conjuntivite e dacriocistite . Raramente causa celulite. A presença de conjuntivite purulenta não é comum, por esse motivo o tratamento antibiótico normalmente não é necessário. Tratamento Uma vez que a resolução espontânea é comum durante o primeiro ano de vida, uma abordagem conservadora está indicada durante esse período. O tratamento conservador consiste na massagem do saco lacrimal e lavagem do nariz com soro fisiológico . A massagem é feita com o dedo indicador abaixo do canto interno do olho, processo que deve ser explicado aos pais. O objetivo da massagem do saco lacrimal é aumentar a pressão hidrostática levando a uma rotura da obstrução membranosa. Depois os 12 meses , a probabilidade de resolução espontânea diminui e a maioria das crianças é tratada com uma sondagem do canal nasolacrimal . Este procedimento é realizado sob anestesia geral (mascara laríngea), usando um estilete metálico - sonda de Bowman - que é introduzido pelos pontos lacrimais e vai perfurar a membrana (válvula de Hasner) na ligação do canal nasolacrimal com o nariz. Caso a sondagem não resulte, há outras opções cirúrgicas como a entubação com silicone e a dacrioplastia com balão. Finalmente, quando nenhum destes tratamentos resulta, terá de ser realizada uma nova via de drenagem através da criação de uma fístula permanente entre o saco lacrimal e a cavidade nasal (dacriocistorrinostomia). Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.