30 de novembro de 2020 Autora : Joana Couceiro A oculoplástica é uma das áreas da oftalmologia . Dedica-se ao diagnóstico e tratamento das estruturas da região à volta dos olhos , ou seja: Pálpebras; Órbita; Vias lacrimais. Nas consultas de oftalmologia vocacionadas para oculoplástica avaliam-se alterações destas estruturas, investigam-se as causas dessas alterações e orienta-se o seu tratamento. Em muitos casos o tratamento envolve cirurgia, noutros a abordagem correta passa por procedimentos não cirúrgicos. Oculoplástica e pálpebras As pálpebras são estruturas fundamentais para a proteção do globo ocular. A sua anatomia e função devem assegurar: A abertura correta da fenda palpebral, possibilitando um bom campo de visão; O encerramento adequado, garantindo a proteção da superfície ocular. As alterações das pálpebras podem afetar a sua anatomia, posição ou função. São exemplos de alterações da posição das pálpebras : Ptose ou pálpebra descaída; Entrópio, quando o bordo da pálpebra se vira para dentro e as pestanas contactam com a superfície ocular, provocando irritação e lesões; Ectrópio, quando o bordo da pálpebra se vira para fora, deixando de estar em contacto com o globo ocular, provocando uma inflamação crónica. Por vezes, as alterações de posição não são de toda a pálpebra, mas apenas das pestanas, que podem crescer em localização ou direção anómala, por exemplo: Triquíase : em que as pestanas mantêm a sua origem normal no bordo palpebral, mas têm uma alteração da sua orientação e contactam com a superfície ocular; Distiquíase : em que há implantação de pestanas no bordo palpebral, fora da sua localização normal, e o consequente contacto com a superfície ocular. O processo normal de envelhecimento também está associado a alterações das pálpebras. O rejuvenescimento periocular também é assunto da oculoplástica. Com o avançar da idade, podem surgir diversas alterações das pálpebras: Dermatocalásia ou o excesso de pele nas pálpebras; Proeminência das bolsas de gordura, chamadas vulgarmente “papos”; Rugas de expressão; Lesões cutâneas. Na maioria dos casos, as lesões perioculares são inflamatórias e benignas, por exemplo, o calázio (ou chalázio) ou terçolho. No entanto, podem surgir alterações malignas, como o carcinoma basocelular, que devem ser diagnosticadas e tratadas atempadamente. A reconstrução palpebral, após remoção de tumores ou traumatismos, também é abordada e orientada nesta subespecialidade da oftalmologia. Na oculoplástica são ainda tratadas ainda algumas perturbações do movimento facial , por exemplo: Paralisia facial; Blefarospasmo essencial ou pestanejo excessivo. Oculoplástica e vias lacrimais A via lacrimal é responsável por drenar a lágrima desde a superfície ocular até à cavidade nasal. As perturbações da via lacrimal , tanto de adultos como de crianças, são abordadas e tratadas nesta área da oftalmologia. São exemplos: Lacrimejo excessivo ou epífora; Infeções, mais frequentemente do saco lacrimal ou dacriocistite. Oculoplástica e órbita As órbitas são as cavidades ósseas onde se alojam os globos oculares e têm uma importante função de proteção. No seu interior estão o globo ocular, músculos, vasos, nervos e gordura. As estruturas presentes no interior da órbita podem ser afetadas por: Doenças inflamatórias, sendo a mais comum a orbitopatia tiroideia; Infeções, como a celulite; Traumatismos; Tumores benignos e malignos. A abordagem de doenças orbitárias é realizada pela oftalmologia, frequentemente em articulação com outras áreas da medicina. A oculoplástica trata também cavidades anoftálmicas, ou seja, órbitas em que o globo ocular foi removido cirurgicamente. A remoção cirúrgica do globo ocular pode estar indicada em casos de perda irreversível de visão por tumores, traumatismos, infeções ou inflamações. A cirurgia de remoção (enucleação ou evisceração), bem como a posterior reabilitação estética e funcional, para adaptação de prótese ocular, são abordadas em consulta dedicada à órbita. Conheça a equipa de oftalmologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.