26 de março de 2026 Autora : Filipa Vilabril (medicina física e de reabilitação) A terapia por ondas de choque é uma modalidade de tratamento da área da Medicina Física e de Reabilitação. Em muitas situações de dor e lesões músculo-esqueléticas é uma alternativa eficaz a abordagens de tratamento mais prolongadas, repetidas ou invasivas. O tratamento é não invasivo e de curta duração. Não precisa de preparação prévia, nem implica restrições relevantes após a sua realização. É compatível com a maioria das rotinas diárias e laborais. O que é a terapia por ondas de choque? A terapia por ondas de choque consiste na aplicação localizada de ondas acústicas de alta energia na superfície da zona do corpo a tratar , recorrendo a um equipamento médico específico. Estas ondas podem ser de dois tipos, sendo a sua escolha determinada pela patologia e pela estrutura a tratar: Ondas de choque focais , que atuam de forma mais profundas e precisas; Ondas de choque radiais , com ação mais superficial e dispersas. A terapia por ondas de choque é um ato médico personalizado e não pode ser aplicada de forma automática ou padronizada. É sempre realizada por um médico fisiatra , pois implica em cada caso: Avaliação clínica detalhada; Diagnóstico e indicação corretos; Definição do tipo de onda, intensidade e número de sessões; Articulação com outras terapêuticas de reabilitação sempre que necessário. Habitualmente são necessárias várias sessões de tratamento, entre três e cinco, com uma duração média de 15 a 20 minutos cada uma. Não é necessária anestesia, preparação prévia ou período de recuperação, sendo um tratamento que permite o regresso imediato às atividades habituais, incluindo as rotinas diárias e laborais. Quais são os principais efeitos fisiológicos e benefícios das ondas de choque? A ação das ondas de choque baseia-se na estimulação de mecanismos biológicos naturais de regeneração tecidual e modulação da dor . Entre os principais efeitos destacam-se: Aumento da vascularização local; Estimulação da angiogénese, ou seja, da formação de novos vasos sanguíneos; Fragmentação de calcificações; Redução de tensão muscular e pontos gatilho. Modulação da dor a nível neurológico; Ativação de processos de regeneração celular; Remodelação tecidular. Os benefícios clínicos mais frequentemente observados incluem: Redução significativa e sustentada da dor; Melhoria da função e da mobilidade; Menor necessidade de medicação analgésica; Recuperação mais rápida; Em muitos casos, evita a necessidade de procedimentos mais invasivos. Quais são as principais indicações clínicas das ondas de choque? A eficácia da terapia por ondas de choque está bem documentada na literatura científica, sobretudo no tratamento de patologias crónicas dos tendões e síndromes dolorosos persistentes, nomeadamente quando não houve resposta satisfatória a tratamentos conservadores convencionais. Entre as principais indicações inbcluem-se: Tendinopatias e entesopatias Fascite plantar / esporão do calcâneo; Tendinopatia do tendão de Aquiles; Epicondilite lateral (“cotovelo de tenista”); Tendinopatia rotuliana; Tendinopatias do ombro (coifa dos rotadores). Calcificações dolorosas : Tendinite calcificante do ombro. Síndrome miofascial : Pontos gatilho musculares persistentes; Dor muscular localizada ou referida. Bursites crónicas Atrasos de consolidação óssea específicos Algumas situações de dor crónica músculo-esquelética resistente Em que situações pode ser considerada a referenciação para realizar ondas de choque? Existem várias situações associadas a dor e lesões músculo-esqueléticas que podem motivar a referenciação para avaliação por um médico fisiatra, com vista à eventual realização de terapia por ondas de choque, por exemplo: Dor persistente há mais de três meses; Ausência de resposta satisfatória à fisioterapia convencional isolada; Limitação funcional significativa; Necessidade frequente de analgésicos e/ou anti-inflamatórios; Presença de calcificações ou tendinopatia crónica documentada. Conheça a equipa clínica de medicina física e de reabilitação da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.