15 de março de 2019 A osteoporose caracteriza-se por aumento da porosidade do esqueleto e diminuição da massa óssea. Cerca de 30% das mulheres pós-menopáusicas na Europa têm osteoporose e, destas, pelo menos 40% irão desenvolver fraturas osteoporóticas. O esqueleto é um tecido vivo, com células bastante ativas (osteoblastos, osteoclastos e osteócitos), constantemente renovado ao longo da vida – calcula-se que o esqueleto do adulto é inteiramente renovado a cada 10 anos. Os 206 ossos que compõem o esqueleto humano estão totalmente desenvolvidos aos 20 anos de idade e é entre os 16 e os 25 anos que se atinge o pico da massa óssea, sendo que: 60% a 80% deste pico é determinado por fatores genéticos; 20% e 40% é de origem ambiental. Quais são as principais causas da osteoporose e como prevenir? A perda de massa óssea é uma consequência do envelhecimento , começa por volta dos 40–45 anos, acelera na altura da menopausa e continua ao longo da vida do indivíduo. Os homens atingem picos de massa óssea superiores às mulheres e têm perdas menores ao longo da vida , pelo que só uma pequena percentagem de homens (muito) idosos terão osteoporose. Por outro lado, cerca de 30% da massa óssea da mulher pode ser perdida nos 10 anos a seguir à menopausa porque o défice de estrogénios que caracteriza esta fase da vida, leva a uma maior atividade dos osteoclastos (que reabsorvem osso), relativamente aos osteoblastos. Assim, a perda de massa óssea , consequência do envelhecimento, é explicada pelos seguintes fatores: Menor absorção de cálcio pelo intestino; Alterações do metabolismo da vitamina D; Algum grau de insuficiência renal; Vida mais sedentária. Como aumentar o pico da massa óssea? Vários estudos demonstram que maximizar o pico da massa óssea é uma estratégia importante na prevenção da osteoporose . Se se conseguir aumentar o pico da massa óssea em 10% poder-se-á obter os seguintes resultados: Atraso do aparecimento da osteoporose em 13 anos; Redução de 50% do risco de fraturas depois da menopausa. Para aumentar o pico da massa óssea , o feto ainda in útero deve receber uma adequada porção de cálcio. Assim, se as grávidas não consumirem leite ou derivados e alimentos ricos em cálcio, deve ser-lhes prescrito um suplemento de cálcio . Depois, as crianças e os adolescentes devem, além de consumirem diariamente alimentos ricos em cálcio e com um aporte proteico adequado, ter uma atividade física regular para estimular os osteoblastos (formadores de osso). A osteoporose tem sintomas? A osteoporose não dá sintomas , ou melhor, quando dá já é bastante tarde pois houve uma fratura, muitas vezes, sem qualquer traumatismo. Desta forma, é muito importante verificar se há risco de osteoporose e, para isso, é necessário realizar exames de diagnóstico. Como se realiza o diagnóstico da osteoporose? A partir dos 50 anos ou antes, se houver fatores de risco maior para osteoporose, o exame a solicitar é a densitometria óssea da coluna lombar e fémur que classifica o doente em: Normal – se a densidade mineral óssea (DMO) está idêntica ao valor médio para um adulto jovem; Osteopenia – se houver entre 1 e 2,5 desvios padrão relativamente ao valor médio para um adulto jovem; Osteoporose – se o desvio padrão for superior a 2,5. Existe tratamento para a osteoporose? O doente com osteopenia deve ser aconselhado a modificar o seu estilo de vida . Desta forma, deverá: Optar por uma alimentação rica em cálcio e vitamina D ou usar suplementos – cálcio 1200 mg/dia, vitamina D 800 UI/dia; Realizar atividade física regular – caminhadas e musculação; Deixar de fumar; Moderar o consumo de álcool, pois estas substâncias são tóxicas para os osteoblastos. A mulher pós-menopáusica deve efetuar tratamento hormonal para combater o défice de estrogénios (se não houver contraindicações). Além disso, como a osteoporose aumenta muito o risco de fraturas da anca, da coluna vertebral e do punho, é necessário efetuar terapêutica medicamentosa a individualizar em consulta adequada – que pode ser durante a de ginecologia. Em conclusão, as fraturas osteoporóticas têm uma incidência anual superior: Aos enfartes de miocárdio; Aos acidentes vasculares cerebrais; Ao cancro da mama. Por isso, além de reduzirem significativamente a qualidade de vida de quem as sofre, aumentam o risco de mortalidade – 20% das mulheres que fraturam a anca, morrem 1 ano após a fratura. Com o aumento da longevidade, estima-se que haverá um aumento significativo destas fraturas nos próximos anos. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. 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