17 de outubro de 2022 Conhecida mais frequentemente por otite seromucosa, esta inflamação do ouvido pode ter outras designações: Otite média com derrame; Otite média com efusão; Otite média secretora. Trata-se de uma inflamação do ouvido médio, com presença de exsudado retrotimpânico, sem ocorrerem sinais ou sintomas de doença aguda: Sem febre; Na grande maioria das vezes sem otalgia (dor de ouvido). As situações agudas surgem geralmente após uma infeção viral. A retenção de fluido pode resolver-se espontaneamente ou após a utilização de descongestionantes nasais, anti-histamínicos ou anti-inflamatórios não esteroides. Este processo pode demorar de alguns dias a várias semanas. Quando a retenção de fluido persiste por mais de três meses, a otite seromucosa considera-se crónica. Esta é uma situação muito frequente na idade pré-escolar (6 meses aos 4 anos), levando assim uma dificuldade diagnóstica acrescida. Diagnóstico e tratamento da otite seromucosa O diagnóstico é estabelecido pela observação da membrana timpânica e pode ser complementado através de uma otoscopia pneumática ou de um timpanograma. Estes exames não são invasivos, aspeto que é muito importante tendo em consideração a faixa etária que mais frequentemente é afetada. Inicialmente o tratamento da otite seromucosa é conservador, porque existe a possibilidade de uma resolução espontânea. A vigilância deve ser apertada porque se a efusão persistir por mais de 3 meses, associada a dificuldades da audição, alterações da linguagem ou alterações estruturais da membrana timpânica, o tratamento cirúrgico com a colocação de tubos de ventilação, deve ser considerado. Quando recorrer a um médico otorrinolaringologista? As seguintes circunstâncias são sinais de alarme que devem levantar a suspeita de uma otite seromucosa e justificam a procura dos cuidados de um médico otorrinolaringologista: Surge na faixa etária em que o problema é mais habitual; Há uma suspeita de hipoacusia (diminuição da audição); A criança queixa-se de otalgia pontual, principalmente quando se deita; A criança apresenta atraso / alteração da linguagem; A criança é muito distraída e alheada na sala de aula e/ou na relação com as outras crianças; A criança que ressona. A criança fez um rastreio e foi assinalada alteração auditiva, mesmo sem estarem presentes outros sintomas. Este artigo foi escrito pela equipa de otorrinolaringologia do Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.