20 de setembro de 2021 Autor : Pedro Beleza A paralisia cerebral é um grupo heterogéneo de entidades clínicas caraterizadas por disfunção motora central , não progressiva, que afeta: O tónus muscular; A postura; O movimento. Frequentemente estão presentes também outros sintoma s, por exemplo: Défice cognitivo, com dificuldades de raciocínio e aprendizagem; Défice sensorial, por exemplo da visão e audição; Epilepsia; Alterações da sensibilidade. Quase sempre a paralisia cerebral é um problema congénito, ou seja, que está presente ao nascimento. No entanto, também pode ocorrer precocemente no período pós-natal. Apesar de ser uma condição estática, que não se agrava com a idade, as manifestações (expressão clínica) da paralisia cerebral podem variar ao longo do tempo , em relação com a maturação cerebral. A gravidade dos sintomas também é variável. Muitas crianças que nascem com paralisia cerebral podem não ter sinais percetíveis de imediato e a doença só ser diagnosticada mais tarde , por exemplo na sequência de suspeitas relacionadas com atrasos do seu desenvolvimento motor, como gatinhar, sentar-se ou caminhar. A paralisia classifica-se, habitualmente, em três subtipos : Espástica , que pode envolver os quatro membros (tetraparésia), as pernas mais do que os braços (diparésia) ou um dos lados do corpo (hemiparésia); Discinética ; Atáxica . Esta classificação permite equacionar quais as causas mais provavelmente envolvidas. Qual é a causa da paralisia cerebral? A paralisia cerebral ocorre quando há um desenvolvimento inadequado das áreas do cérebro que afetam o controlo dos movimentos. A causa desse desenvolvimento inadequado pode ocorrer antes ou depois do nascimento . Na maioria dos casos, a paralisia cerebral tem causas pré-natais; A etiologia ou causa da paralisia cerebral é multifatorial, ou seja, não há uma causa única. Os fatores de risco mais frequentes são a prematuridade e/ou o baixo peso à nascença, que estão associados a leucomalácia, hemorragia intraventricular e displasia broncopulmonar e estes podem ser a causa da paralisia cerebral. A paralisia cerebral ocorre em cerca de 5%-15 % de crianças com muito baixo peso. Outros fatores frequentemente associados a paralisia cerebral são: Anomalias congénitas; Gravidez múltipla; Patologia da placenta; Infeções intrauterinas. A hipoxia (défice de oxigénio) perinatal é, provavelmente, a causa de uma minoria de casos de paralisia cerebral. O enfarte cerebral no período perinatal manifesta-se tipicamente como hemiparesia espástica. A paralisia cerebral não se agrava com a idade, mas os sintomas relacionados mantêm-se ao longo da vida . Prevenção da paralisia cerebral A vigilância e cuidados pré-natais de rotina são uma medida importante para reduzir o risco de paralisia cerebral. Entre estas medidas estão, particularmente, as que são implementadas para reduzir o risco de prematuridade , por exemplo: A administração de sulfato de magnésio em grávidas com risco de parto pré-termo; Medidas neuroprotetoras de suporte em recém-nascidos com risco de lesão neurológica, como os prematuros de muito baixo peso e crianças com asfixia perinatal. Abordagem da paralisia cerebral A paralisia cerebral não tem cura. No entanto, existem alguns tratamentos que têm como objetivo controlar as alterações neurológicas, ortopédicas ou outras que estejam presentes e, assim, melhorar a qualidade de vida dos doentes em aspetos relacionados principalmente com a alimentação, fala, movimentos e aprendizagem. Por isso, a abordagem e o tratamento de uma criança com paralisia cerebral é multidisciplinar . Envolve, mais frequentemente, as especialidades médicas de ortopedia, medicina física e de reabilitação e neurologia, e também outros profissionais de saúde como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. O envolvimento da família é fundamental no tratamento dos doentes com paralisia cerebral. A colaboração entre profissionais de saúde e a família permite maximizar o desenvolvimento social e emocional da criança, a comunicação, a educação, a alimentação, a mobilidade e a sua independência nas atividades de vida diárias. Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.