31 de outubro de 2024 Parto vaginal Num parto vaginal, os objetivos do médico obstetra incluem: Reduzir o risco de trauma para o períneo materno ; Reduzir o risco de lesão fetal durante o parto . Para isso, em algumas situações, torna-se necessário ajudar o feto a descer no canal de parto. Nestes casos, o médico obstetra pode usar instrumentos específicos que se adaptam à cabeça do feto - a ventosa ou o fórceps. A segurança destes métodos está demonstrada e não contribuem de qualquer forma para alterações do desenvolvimento neurológico das crianças. São indicações comuns de parto vaginal assistido : Indicações maternas: doença cardíaca, situações em que fazer força deve ser evitado; Período expulsivo arrastado; Suspeita de sofrimento fetal; Exaustão materna. Cerca de 5% das grávidas que tiveram um parto vaginal assistido terão outro parto assistido. Complicações associadas aos partos vaginais Complicações maternas Quanto mais complexo for o procedimento, maior a morbilidade materna. Assim, o parto vaginal é o que se associa a menor morbilidade, seguindo-se os partos vaginais assistidos com ventosa ou fórceps e a cesariana. Lacerações : Entre 40%-85% das mulheres com parto vaginal vão ter algum tipo de laceração. No entanto, lacerações graves (com envolvimento do esfíncter anal) são muito raras, ocorrendo em 2% dos partos normais, 10% dos partos por ventosa e 17%-20% dos partos por fórceps. Episiotomia . Hematomas vulvares e vaginais . Hemorragia pós-parto , que ocorre em 5%-10% dos partos. Prolapso de órgãos pélvicos , por enfraquecimentos dos músculos pélvicos, que pode atingir até 20% das mulheres com parto vaginal. Incontinência urinária ou fecal , por lesão dos músculos, esfíncter e nervos durante o parto, que pode ser temporária (15%-30%) ou permanente (5%-10%). Infeção do útero, períneo ou bexiga , que atinge 1%-3% das puérperas. Complicações neonatais Trauma , como feridas no couro cabeludo, trauma ocular, cefalo-hematoma (1%-2%), hemorragia intracraniana, lesão dos nervos facial, fratura craniana e morte fetal. Distocia de ombros : em 1% dos partos os ombros do bebê podem ficar presos após a saída da cabeça, o que pode causar fraturas da clavícula (0,5%-1%) e lesões nos nervos do plexo braquial (0,1%-0,2%). Aspiração de mecónio (2%-5%), que pode causar problemas respiratórios. Cesariana Na cesariana o feto é extraído através de uma incisão abdominal . As indicações obstétricas mais frequentes de cesariana são : Não progressão da dilatação ou da descida do feto no canal de parto; Suspeita de sofrimento fetal; Apresentações anómalas como os fetos pélvicos (sentados) ou em posição transversa. Outras indicações clínica s incluem: Anomalias placentares, como placenta prévia, placenta acreta, vasa previa; Infeção materna com risco elevado de transmissão fetal durante um parto vaginal; Prolapso do cordão umbilical; Suspeita de macrossomia fetal; Obstrução mecânica, por exemplo, por um mioma ou por antecedentes de traumatismo da bacia; Antecedentes de rotura uterina ou de cirurgia uterina; Carcinoma do colo ou vagina; Doenças da região anal como fístula ou a incontinência fecal; Risco de descolamento de retina, por exemplo, nas grávidas com muitas dioptrias. Não existem contraindicações absolutas para uma cesariana. No entanto, devem ser considerados os riscos e benefícios para a mãe e para o feto e o momento para a realização de uma cesariana eletivas (sem trabalho de parto). As cesarianas realizadas antes das 39 semanas completas, estão associadas a maiores taxas de síndrome de dificuldade respiratória e a maior taxa de eventos adversos no recém-nascido. Complicações associadas à cesariana As principais complicações maternas não anestésicas de uma cesariana são: Infeção do local cirúrgico ; Hemorragia ; Lesão de órgão pélvico ; Tromboembolismo . As cesarianas em trabalho de parto associam-se a taxas de complicações superiores às das cesarianas eletivas. Assim: Complicações da ferida operatória (infeção, hematoma, seroma, deiscência): complicam 1%-2% das cesarianas. As infeções da cicatriz aparecem 4-7 dias depois da cirurgia. Hemorragia : Em média, a grávida perde cerca de 1 litro de sangue numa cesariana. O uso por rotina de ocitocina reduz as perda pós-parto e o risco de hemorragia, mas 2%-4% das grávidas vão necessitar de uma transfusão de sangue. Lesão de órgão pélvico (bexiga, intestino, ureter ou ligamento largo): o risco é de quase 0,5% numa primeira cesariana. Tromboembolismo venoso : a probabilidade, em qualquer altura nos 6 meses após uma cesarina é 2 a 3 vezes superior à de um parto vaginal e ronda os 240 casos por 100 mil partos. Mortalidade materna : rara em países desenvolvidos (13 em 100 mil partos nos EUA, 22 em 100 mil partos na Holanda), está associada em um terço dos casos a hemorragia pós-parto. Outras complicações incluem a paragem do transito intestinal (íleo), tromboflebites dos vasos pélvicos, maior risco de depressão pós-parto, mas também complicações neonatais, como os traumatismos associados a extrações difíceis ou a cesarianas emergentes (1%-3%). Ter uma cesariana nos antecedentes aumenta o risco, em nova gravidez, de: Alterações da placentação (placenta acreta, placenta previa), Descolamento prematuro de placenta; Rutura uterina. Aumenta ainda o risco de istmocelo (defeito na parede uterina e que pode dar perdas de sangue), falta de sensibilidade em redor da cicatriz de cesariana, endometriose da cicatriz, hérnia incisional, aderências pélvicas e obstrução intestinal. Este conteúdo foi preparado pela equipa de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.