25 de setembro de 2025 Autora : Cátia Ribeiro (cirurgia geral) A patologia mamária (ou doenças da mama) engloba uma ampla variedade de condições que podem afetar o tecido mamário, variando de lesões benignas a neoplasias malignas (cancro). A sua compreensão é fundamental para um diagnóstico precoce, um acompanhamento adequado e um tratamento (nos casos em que este é necessário) que permita chegar ao melhor desfecho clínico. A patologia mamária pode ser divida em dois grandes grupos clínicos: Benigna Maligna Patologias benignas da mama As patologias benignas da mama são extremamente comuns. Representam cerca de 80% das lesões mamárias identificadas em exames clínicos ou de imagem . Isso significa que, para cada 10 alterações detetadas, 8 têm uma origem benigna, o que é um dado relevante para tranquilizar as doentes e direcionar o acompanhamento médico. Entre estas doenças benignas, destacam-se: Fibroadenomas Estes tumores benignos representam cerca de 25% das lesões benignas; Ocorrem especialmente em mulheres entre 20 e 30 anos; São caracterizados por massas bem delimitadas e indolores; Em casos raros, alguns fibroadenomas podem apresentar características atípicas ou crescimento acelerado. É o caso dos tumores filoides e fibroadenomas gigantes que exigem investigação diferenciada e, por vezes, cirurgia. Quistos mamários As alterações quísticas podem variar de pequenas formações indolores a lesões dolorosas, frequentemente associadas a flutuações hormonais. São formados por cavidades preenchidas por líquido, podem ser divididas em quistos simples e complexos. Quistos simples Os quistos mamários simples possuem paredes finas, conteúdo homogéneo, e são indolores. Geralmente, não apresentam características suspeitas em exames de imagem. Os quistos simples geralmente requerem apenas observação e acompanhamento, uma vez que possuem baixa probabilidade de malignidade. Caso sejam sintomáticos ou de grande volume, a aspiração do conteúdo líquido costuma ser suficiente para alívio dos sintomas. Quistos complexos Os quistos mamários complexos apresentam paredes mais espessas, septos, calcificações ou conteúdo heterogêneo. Esses fatores podem levantar suspeitas de alteração mais séria. Nestes casos, podem ser necessário realizar biópsia para se categorizar a lesão. Quistos complexos ou suspeitos podem requerer biópsia para investigação adicional, e, em raros casos, intervenção cirúrgica se houver suspeita de neoplasia (maligna) ou se a doente apresentar sintomas persistentes. Hiperplasia ductal e lobular A hiperplasia ductal e lobular são proliferações benignas de células que, apesar de não serem cancro, requerem acompanhamento devido ao aumento do risco de evolução para malignidade. Mastite e abcessos Mastite e abcessos são processos inflamatórios, muitas vezes relacionados com o aleitamento, que podem causar dor, vermelhidão e aumento de volume mamário. Patologias malignas da mama O cancro da mama é uma realidade conhecida da população portuguesa. Trata-se de um cancro que afetou em 2020 cerca de 7000 mulheres causando pelo menos 1800 mortes. O sucesso do tratamento desta patologia tem uma relação importante com o seu diagnóstico precoce. O tratamento do cancro em fase inicial tem taxas de cura elevadas, diminuindo significativamente a mortalidade. Para este diagnóstico inicial ser possível são importantes o exame físico e a mamografia de rastreio. O rastreio está indicado em doentes assintomáticas e o exame mais importante é a mamografia. É um exame indolor e simples que fornece informações importantes para o diagnóstico. Em Portugal está implementado o Programa de Rastreio do Cancro da Mama que proporciona um acesso fácil e atempado à mamografia para diagnóstico precoce. A Direção Geral de Saúde, atualizou em dezembro de 2024, as recomendações para rastreio de cancro de mama. São elegíveis mulheres entre os 45 e 74 anos. Se o resultado do rastreio for negativo o mesmo deve ser repetido a cada 2 anos. O cancro de mama representa uma patologia que engloba diferentes tipos. Os tipos mais frequentes incluem: Carcinoma ductal invasivo: representa cerca de 80% dos casos, tem origem nos ductos lactíferos da mama e pode infiltrar os tecidos adjacentes. Carcinoma lobular invasivo: desenvolvido nos lobos mamários, muitas vezes tem um crescimento difuso e é difícil de detetar em fases iniciais. Carcinomas não invasivos (dutos ou lobular in situ ): lesões precursoras com potencial de evolução para cancro invasor. Outros tipos: por exemplo carcinomas tubulares, mucinosos, medulares e inflamatórios, que apresentam características e prognósticos variados. Fatores de risco O cancro da mama tem reconhecidos fatores de risco, estando associado ao estilo de vida ocidental. No entanto, os principais fatores de risco são considerados não modificáveis, tais como género e a idade. São fatores de risco conhecidos são: Sexo feminino (fator de risco mais importante); Idade; História pessoal e familiar de cancro da mama; Alterações genéticas; Menarca precoce e menopausa tardia, Nuliparidade; Idade da primeira gravidez depois dos 31 anos; Uso de terapêutica hormonal de substituição; Obesidade; Sedentarismo; Ingestão de bebidas alcoólicas; Tabagismo. Apenas 5% a 10% dos cancros da mama diagnosticados aparentam características genéticas e hereditárias. Prevenção A prevenção primária envolve a adoção de hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de exercício físico, controle de peso e redução do consumo de álcool. Realizar o rastreio nas idades preconizadas, bem como o autoexame mamário periódico, associado a exames clínicos e imagiológicos sempre que indicado, ajudam na deteção precoce de alterações suspeitas. A avaliação de fatores de risco genéticos também é crucial para a implementação de estratégias de vigilância mais intensiva. Diagnóstico O diagnóstico adequado é baseado na combinação de história clínica, exame físico, exames de imagem (mamografia, ecografia mamária e ressonância magnética) e, quando indicado, biópsias histopatológicas. A biópsia é imprescindível para confirmação diagnóstica e classifica as lesões de acordo com seu potencial de malignidade. Tratamento As patologias benignas frequentemente requerem observação clínica ou intervenção cirúrgica ressaltando a importância do acompanhamento periódico. Para as neoplasias malignas , o tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e terapias alvo. O avanço científico documentado nesta área tem permitido alcançar melhores resultados, tanto em termos de eficácia como na qualidade de vida dos doentes. Conheça a equipa clínica de cirurgia geral da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.