17 de novembro de 2022 Autor : José Roquette O pectus excavatum , conhecido também como peito ou tórax escavado ou em funil , é a deformidade morfológica mais comum da parede torácica: representa cerca de 90% dos casos. A descrição do primeiro caso de pectus excavatum remonta ao século XV. Caracteriza-se por um afundamento ou depressão do esterno, que faz com se forme uma ‘cova’ no meio do peito ; O esterno é um osso achatado que se localiza na linha média anterior da caixa torácica, ao qual se fixam as primeiras 10 costelas, através das cartilagens costais. O pectus excavatum envolve o esterno e as cartilagens costais. O crescimento exagerado das cartilagens costais desloca o esterno, empurrando-o para dentro e dando origem à depressão; A deformidade pode ser simétrica, ou os lados direito e esquerdo podem apresentar um afundamento diferente. Qual é a causa e em quem acontece? A causa exata do pectus excavatum não é conhecida, mas este parece estar associado com alterações relacionadas com o desenvolvimento da cartilagem . Pode ocorrer de forma isolada ou estar associado a outras doenças, sendo algumas genéticas; Apesar de poder haver alguma relação hereditária, ter pectus excavatum não significa obrigatoriamente que os descendentes também terão; A deformidade é na maioria dos casos congénita , ou seja, está presente ao nascimento. A sua evolução é variável. Em alguns casos de pequena dimensão pode resolver-se com o crescimento. No entanto, raramente melhora depois dos 6 anos e, mesmo quando é ligeira, pode acentuar-se com o crescimento rápido da puberdade e adolescência; É três vezes mais frequente nos rapazes e acontece em cerca de 1 em cada 300-1000 recém-nascidos. Consequências do pectus excavatum O pectus excavatum pode afetar a qualidade de vida e ter efeitos na saúde física e mental. A deformidade física, especialmente quando é acentuada, pode implicar maior inibição e dificuldade nas relações sociais . A tentativa de a esconder, arqueando os ombros e curvando a cabeça para a frente, pode contribuir para problemas de postura a médio e longo prazo . Dependendo da sua gravidade , o pectus excavatum pode estar associado a intolerância ao exercício, dor no peito, dificuldade respiratória ou falta de resistência física. Em casos extremos, pode comprometer a função cardíaca. Tratamento do pectus excavatum Há várias abordagens de tratamento do pectus excavatum , não cirúrgicas e cirúrgicas. Se o pectus excavatum for de pequena dimensão, intervenções de fisioterapia com exercícios de fortalecimento dos músculos torácicos ou o uso de ortóteses estão entre as intervenções de tratamento não cirúrgico com as quais se obtêm bons resultados. A indicação para cirurgia está relacionada com o grau de deformidade e sua evolução, impacto psicológico e presença de sintomas. Nos casos ligeiros, quando em geral não há sintomas cardiorrespiratórios, o impacto psicológico e as preocupações estéticas são o principal motivo que pode justificar a indicação para cirurgia; Quando o pectus excavatum provoca sintomas cardiorrespiratórios, estes podem justificar a indicação cirúrgica, dependendo sempre da avaliação médica individual. Sempre que haja indicação cirúrgica, a fase ideal para fazer a cirurgia é entre aproximadamente os 8 anos e o final da adolescência . A cirurgia pode ser feita por diferentes técnicas, tanto por via aberta (com uma incisão grande) como minimamente invasiva (através de pequenos orifícios), é feita por médicos especialistas em cirurgia torácica e implica sempre a colocação de uma prótese metálica por trás do esterno para permitir a correção e que se deve manter cerca de 2 meses. A sua remoção é simples. Conheça a equipa clínica de cirurgia torácica da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.