12 de janeiro de 2023 Autor : José Roquette O canal arterial é uma estrutura que liga a artéria pulmonar à aorta. Tem funções importantes na circulação fetal, que cessam com o nascimento. Por isso, em condições normais, o canal arterial fecha depois do nascimento. Quando o canal arterial não fecha completamente, diz-se que há uma persistência, patência ou permeabilidade do canal arterial . O canal arterial na circulação fetal Durante a gravidez, a oxigenação do sangue do feto não se faz nos pulmões, como acontece depois do nascimento, mas sim na placenta da mãe. Uma vez que os pulmões do feto não são funcionantes, na circulação fetal intervêm estruturas que desviam o sangue dos pulmões e estes mantêm-se colapsados e preenchidos de líquido até ao nascimento; Uma destas estruturas é canal arterial ou ductus arteriosus que liga a artéria pulmonar à aorta; As outras duas estruturas com funções importantes na circulação fetal são o foramen ovale , que liga as duas aurículas, e o ductus venosus , que liga a veia umbilical à veia cava inferior. O canal arterial, ao desviar o sangue da artéria pulmonar para a artéria aorta, permite: Que o sangue oxigenado chegue rapidamente à grande circulação; Que não ocorra uma sobrecarga dos pulmões do feto durante a gravidez, chegando ali apenas o sangue suficiente para a manutenção dos órgãos. Quando o recém-nascido respira pela primeira vez e o cordão umbilical é cortado, a oxigenação do sangue passa a ser feita nos pulmões. Nesta altura, o canal arterial deixa de ser necessário e, em regra, fecha nos primeiros dias de vida . O que é a persistência do canal arterial? A persistência do canal arterial ou canal arterial patente, aberto ou permeável é uma cardiopatia (doença do coração) congénita (presente ao nascimento), na qual se mantém a comunicação entre a artéria pulmonar e a aorta depois do nascimento , pelo facto de o canal arterial não ter fechado completamente. Uma vez que com a respiração pulmonar a pressão na aorta é superior à pressão na artéria pulmonar, o fluxo de sangue no canal arterial passa a fazer-se em direção oposta à que acontecia no feto, ocorrendo o que se chama uma derivação esquerda-direita com: Sangue oxigenado da aorta a voltar para a artéria pulmonar; Maior quantidade de sangue a seguir para os pulmões; Sangue insuficiente a seguir para a grande circulação. O risco de persistência do canal arterial é maior nos recém-nascidos prematuros e aumenta com o grau de prematuridade . A síndrome de desconforto respiratório neonatal ou doença das membranas hialinas está entre outros fatores que aumentam o risco. A gravidade da persistência do canal arterial é variável: depende da dimensão da comunicação que se mantém e da resposta do coração, pulmões e outros órgãos; Pode não provocar quaisquer sintomas e ser detetada acidentalmente numa auscultação cardíaca, No entanto, pode também ser causa de dificuldade respiratória, hipertensão pulmonar e aumenta o risco de endocardite (infeção do endocárdio ou da camada interna da parede do coração). Quando se suspeita de uma persistência do canal arterial são pedidos outros exames para confirmação, entre o quais um ecocardiograma. Tratamento do canal arterial persistente O tratamento depende das particularidades de cada caso, incluindo a idade ao diagnóstico. Nos bebés muito pequenos, a opção pode ser aguardar alguns meses para confirmar se o canal acaba por fechar; Noutros casos, podem ser usados medicamentos que promovem o encerramento do canal arterial; O canal arterial pode ainda ser fechado através de cateterismo , procedimento em que é inserido um catéter num vaso da virilha, que depois é direcionado para o coração e para o canal arterial onde aplica um dispositivo que o fecha; A cirurgia cardíaca é uma opção possível quando nenhuma das soluções anteriores é realizavel e se mantém um fluxo de sangue importante através do canal arterial. Conheça a equipa clínica de cirurgia cardíaca da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.