17 de novembro de 2025 Autora: Marta Rodrigues O plasma rico em plaquetas ou PRP é usado em várias áreas da medicina. Em ginecologia estética, regenerativa e funcional é uma abordagem de tratamento inovadora, personalizada e de baixo risco. Tem demonstrado resultados terapêuticos promissores em várias patologias ginecológicas e também ao nível do bem-estar e autoestima das mulheres. O que é e como se obtém o plasma rico em plaquetas? O PRP é preparado a partir do sangue da própria doente sendo, por isso, referido como um produto autólogo. A colheita de sangue é feita com todas as condições de segurança e esterilidade. O sangue é depois centrifugado para separar os diferentes componentes. A fração do plasma onde estão concentradas as plaquetas é o PRP e é a injetada na área a tratar. O PRP é um produto natural e com origem na própria pessoa , não tendo na sua composição quaisquer substâncias externas ou sintéticas. Concentra proteínas do plasma e fatores de crescimento que estimulam a regeneração dos tecidos. Promove também a vascularização local, multiplicação celular e produção de colagénio, acelerando assim a cicatrização, reduzindo a inflamação local e melhorando a hidratação e elasticidade dos tecidos ao promover a sua regeneração. Quais são as utilizações do PRP em ginecologia? O plasma rico em plaquetas tem aplicações em várias patologias ginecológicas. Fissuras vulvares recorrentes , com frequência associadas a atrofia vaginal, irritações crónicas ou alterações hormonais. O PRP tem demonstrado eficácia na reparação da mucosa, proporcionando alívio dos sintomas e uma melhoria significativa da qualidade de vida. Atrofia vaginal . Um problema frequente pode surgir associado à utilização de contraceção hormonal, no pós-parto e também depois da menopausa. As principais queixas associadas são a secura, formação de fissuras, prurido (comichão) e dor / incómodo nas relações sexuais. O PRP não repõe estrogénios, portanto não substitui a terapêutica hormonal local em todos os casos, mas é uma alternativa ou complemento útil, especialmente em mulheres que não podem ou não querem usar estrogénios (por exemplo, por antecedentes de cancro hormonossensível). Outras condições génito-urinárias em que o uso de PRP tem sido estudado são: Incontinência urinária de esforço ligeira. Síndrome génito-urinária da menopausa. Vaginismo: ao regenerar os tecidos e reduzir a dor, potencia a resposta ao tratamento multidisciplinar. Líquen escleroso vulvar: PRP isolado ou em combinação com uma tecnologia, como por exemplo o laser íntimo. Disfunção sexual feminina, nomeadamente na diminuição da sensibilidade e da capacidade de lubrificação. Recuperação pós-parto e pós cirurgia ginecológica, ao ajudar o processo de cicatrização e melhorar a elasticidade dos tecidos. Vantagens e limitações do plasma rico em plaquetas Uma das principais vantagens do PRP é ser um produto com origem na própria pessoa a ser tratada, o que reduz o risco de reações adversas e de infeções. O tratamento é realizado em regime de ambulatório, em ambiente de consulta, geralmente com aplicação de anestesia local e com um período de recuperação muito curto. Pode ser usado isoladamente ou em combinação com outras modalidades de tratamentos, o que deve ser determinado pelo médico com base na avaliação de cada caso em particular. De uma forma geral, os resultados não são imediatamente visíveis após um tratamento, podendo ser necessárias várias sessões. Os resultados podem variar de pessoa para pessoa e não são permanentes, podendo ser necessário voltar a repetir a médio prazo para manter os benefícios conseguidos. Em conclusão O plasma rico em plaquetas (PRP) representa uma das mais interessantes inovações da ginecologia moderna. Utilizando os próprios recursos do organismo - as plaquetas e os seus fatores de crescimento -, é possível estimular a regeneração natural dos tecidos, melhorar a lubrificação, a tonicidade e a sensibilidade , atuando em problemas que vão desde as fissuras vulvovaginais, atrofia vaginal, incontinência urinária ligeira e líquen escleroso, até à recuperação pós-parto e à saúde sexual feminina. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, seguro e autólogo , ou seja, feito com o sangue da própria paciente, sem risco de rejeição. Os resultados não surgem de um dia para o outro - são progressivos , acompanhando o tempo de regeneração do corpo -, mas tendem a ser naturais e duradouros. A utilização de plasma rico em plaquetas em ginecologia estética, regenerativa e funcional é uma área relativamente nova. Por isso, não existem ainda dados robustos sobre a eficácia dos tratamentos a longo prazo, porque há diferenças nos protocolos de preparação do produto, sua administração, número e intervalo entre administrações, o que pode fazer variar os resultados obtidos e a sua duração. É importante sublinhar que o PRP não substitui outros tratamentos médicos ou hormonais quando estes são necessários . O seu papel é complementar, regenerativo e funcional, ajudando a restaurar o equilíbrio e o conforto íntimo de forma biológica e personalizada. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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