6 de maio de 2019 Autor : César Resende Para quem vai ser submetido a uma intervenção cirúrgica, os preparativos e a proximidade da concretização representam um marco no seu quotidiano e no dos que lhe são próximos Independentemente do grau de complexidade, cabe ao cirurgião dar conhecimento ao doente de todos os pormenores , objetivos terapêuticos e possíveis efeitos secundários inerentes à intervenção cirúrgica. Esta informação pretende esclarecer dúvidas e contribuir para a tomada de decisão e autorização da operação proposta. No entanto, à medida que a data da cirurgia se aproxima, é provável que surjam outras questões , como as apresentadas abaixo. O que faço até à cirurgia? As formalidades burocráticas são tratadas pelos serviços hospitalares adequados, que também contactarão o doente em data mais próxima do compromisso. Se foram pedidos exames, não se esqueça de os realizar. Agende também a consulta de anestesiologia se tiver sido pedida. Tenha os resultados dos exames consigo, bem como qualquer outra informação útil (medicação habitual, informações clínicas prévias que possua). Posso continuar a tomar a minha medicação habitual? Anote cuidadosamente as indicações do cirurgião relativamente ao período pré-operatório, que podem incluir: Recomendações alimentares; A necessidade de alteração ou suspensão de medicação. É muito importante que o cirurgião conheça a sua medicação habitual . Por exemplo com anti-agregantes plaquetários, anticoagulação oral, entre outras. Só assim poderá tomar as decisões mais acertadas para cada caso. Quando terei de ir para o hospital? O cirurgião dir-lhe-á se a sua admissão é realizada na véspera ou no dia da operação e a que horas. Procure ser pontual. O cirurgião é a face visível de uma vasta equipa que trabalha diariamente para assegurar a prestação de cuidados cirúrgicos. Sem prejuízo de situações imponderáveis (por exemplo, cirurgias de urgência), a agenda do bloco operatório está organizada de modo a que sejam prestados os melhores cuidados aos doentes. É necessário um período de jejum antes da operação? Porquê? Sim. As cirurgias a realizar sob anestesia geral ou local implicam o cumprimento de um período de jejum de alimentos sólidos e líquidos. Pretende-se com isso reduzir a possibilidade de ocorrência de complicações quando é induzida a anestesia. O não cumprimento do período de jejum indicado pelo cirurgião ou pelo anestesista pode impossibilitar a cirurgia na data marcada. Vou ter dores na cirurgia? Dependendo do procedimento cirúrgico e da técnica anestésica previstas, poderão ser necessários gestos mais ou menos incomodativos, tais como: A canalização de uma veia para administração de fármacos; A infiltração de um anestésico local. Os protocolos de atuação estão estudados para minimizar a dor. Por outro lado, o ato cirúrgico só se inicia quando o doente está anestesiado , facto que é confirmado com o anestesista no caso de uma anestesia geral, ou com o próprio doente no caso de uma anestesia local. O que acontece na anestesia? A anestesia é um ato médico seguro . Os fármacos anestésicos acompanham a enorme evolução da medicina e são mais eficazes, menos tóxicos e com mecanismos e tempos de ação perfeitamente determinados. Além disso, estão também disponíveis tecnologias de monitorização , que incluem muitos outros parâmetros além dos sinais vitais e são vigiados desde a entrada do doente na sala até à alta do recobro operatório. Onde vou acordar? Salvo previsão em contrário, os doentes são acordados imediatamente após a conclusão da cirurgia, ainda na sala operatória. No entanto, devido aos fármacos utilizados, poderá ocorrer um período mais ou menos prolongado de amnésia (esquecimento) referente ao peri-operatório. Não é raro que o doente lembrar-se de ter acordado apenas no recobro ou já no quarto e perguntar quanto tempo falta para ser operado!... Em alguns casos, o pós-operatório imediato será passado na Unidade de Cuidados Intensivos ou de Cuidados Intermédios . Num conjunto muito particular de circunstâncias, o acordar do doente será espoletado apenas após um período de suporte ventilatório. Ou seja, o doente é ligado a um ventilador que assume o seu esforço respiratório e facilita a recuperação posterior. Depois de operado como poderei cuidar de mim? No contexto do conhecimento atual, está demonstrado, na maioria dos casos, um benefício evidente associado à autonomia , incluindo o retorno rápido às atividades quotidianas do doente. Assim, no hospital, o doente é estimulado a levantar-se e a caminhar o mais cedo possível. Nos casos em que a cirurgia não o permita ou exista contraindicação, a equipa de enfermagem cuidará: Da higiene; Da alimentação; Dos cuidados de conforto do doente. Posso comer depois da cirurgia? Dependendo do contexto cirúrgico, a alimentação pós-operatória pode variar desde uma refeição quase ‘normal’ até à manutenção do jejum. Acima de tudo, não deve comer ou beber nada além do que é fornecido pela equipa do hospital. Em caso de dúvida, pergunte a um dos enfermeiros do piso de internamento. E depois da alta? Antes da operação o cirurgião deverá dar informação sobre o período de internamento provável e a data previsível da alta. Nessa altura transmitir-lhe-á as recomendações adequadas ao período de convalescença, que podem incluir: Indicações da dieta; Medicação; Pensos; Medidas gerais; Eventual necessidade de agendamento de uma consulta de seguimento. Estes aspetos são concretizados na nota de alta. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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