6 de março de 2023 Autor : Miguel Tuna Oiça também o podcast Está a ser difícil engravidar? com Miguel Tuna Google | Apple | Spotify Até há poucos anos, as técnicas de preservação da fertilidade feminina eram usadas apenas para mulheres que realizavam tratamentos que podiam comprometer a sua fertilidade, por exemplo por provocarem uma franca diminuição da reserva ovárica ou até uma menopausa prematura, ou que sofriam alguma doença associada a infertilidade. Com a maternidade em idades tardias que tem caracterizado as últimas décadas e com a evolução e consequente maior utilização das técnicas de preservação da fertilidade, estas passaram a ser mais usadas também noutras circunstâncias: Para salvaguardar a existência de células reprodutivas próprias e mais jovens, na perspetiva de conseguir vir a ter uma gravidez biológica tardia . Como evolui a fertilidade feminina Ao longo da vida reprodutiva das mulheres, desde a puberdade até à menopausa, a sua fertilidade vai diminuindo, o que está relacionado com a quantidade e qualidade dos óvulos . Ao nascimento, o número de folículos ováricos de cada mulher está determinado: os folículos ováricos primordiais formam-se nos ovários dos fetos femininos durante a gestação e atingem o seu número máximo a meio da gestação; Apesar de os folículos se manterem num estado de repouso até ao início da puberdade, nesta altura o seu número já é de cerca de 30% dos que estavam presentes ao nascimento; Em cada ciclo menstrual, são perdidos vários folículos (cerca de 1000 !), porque apesar de na maioria dos casos apenas um ovular, outros iniciam o seu desenvolvimento perdendo-se depois; Em média, por volta dos 30 anos, cerca de 95% das mulheres tem 12% dos folículos ováricos com que nasceu; Aos 40 anos, estes são apenas 3%; Na menopausa, os folículos primários estão esgotados; Além da quantidade, também a qualidade dos folículos ovários diminui ao longo da idade reprodutiva. A maior dificuldade que a maioria das mulheres tem em engravidar a partir dos 35-40 anos está relacionada de uma forma importante com o número e qualidade dos seus ovócitos. Como é feita a preservação da fertilidade? Nas mulheres, preservar a fertilidade feminina traduz-se por colher e conservar por vitrificação células sexuais próprias (ovócitos ou tecido ovárico) viáveis , para serem usadas posteriormente com a finalidade de conseguir uma gravidez biológica. Os ovócitos ou folículos ovários são colhidos nos ovários por punção realizada por via vaginal, sob sedação; Estes ovócitos são colhidos no estado de desenvolvimento que atingem antes da ovulação ocorrer; Antes da recolha dos ovócitos é feito um tratamento de estimulação hormonal do desenvolvimento dos folículos, de modo a que seja possível colhê-los em maior número e, assim, aumentar a probabilidade de ter ovócitos viáveis na altura da sua utilização; Depois de colhidos, os ovócitos são tratados e conservados por vitrificação, que é uma forma de criopreservação, a uma temperatura próxima de -200 o C, em equipamentos e locais próprios para o efeito. Idealmente a recolha de ovócitos para preservação da fertilidade deve ser feita entre os 30-35 anos, mas pode ser feita em qualquer idade . Leia também : Criopreservação de ovócitos passo a passo Utilização de ovócitos criopreservados Os ovócitos criopreservados são utilizados recorrendo a técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) . É feita a fertilização in vitro dos ovócitos descongelados com esperma do parceiro, seguida de implantação no útero dos embriões resultantes dos óvulos fertilizados. A maioria - cerca de 90% - dos ovócitos vitrificados / criopreservados mantém-se viável depois da descongelação, passados períodos de 5 a 10 anos. Não existe atualmente outro limite legal máximo para a sua utilização de ovócitos criopreservados além dos 50 anos de idade da mulher. Saiba que: A preservação da fertilidade por vitrificação / criopreservação de ovócitos é uma possibilidade que existe atualmente, que deve ser conhecida pelas mulheres que pensam vir a ser mães, mas que não sabem quando terão esse desejo e oportunidade . Não é a solução para todas as situações de infertilidade, pode ser sim ser uma solução para ultrapassar problemas de fertilidade associados a diminuição da reserva ovárica. Uma gravidez conseguida a partir de ovócitos criopreservados da própria mulher permite: Evitar o uso de óvulos de dadora se não se conseguir engravidar naturalmente; Ter um filho biológico gerado a partir de células mais jovens (porque foram colhidas numa idade mais jovem) que não têm os problemas potenciais associados aos ovócitos mais velhos. Na equipa do Hospital da Luz, os especialistas em Medicina da Reprodução têm experiência nesta área e podem ajudar a esclarecer se a preservação da fertilidade por criopreservação de ovócitos é uma opção adequada para si. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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