18 de março de 2019 O reto é a região do tubo digestivo entre o cólon e o ânus. O prolapso pode ser externo ou interno , ou seja, pode ou não estar exteriorizado através do ânus. Quando esta exteriorização acontece, pode envolver ape nas uma parte da parede do reto ou toda a circunferência retal - neste caso, o prolapso retal é completo. Nas fases mais precoces, a exteriorização pode não ser permanente . No entanto, com o passar do tempo, tende a manter-se. O prolapso retal ocorre em ambos os sexos mas, nos adultos, afeta especialmente as mulheres com mais de 60 anos de idade . Não está relacionado com o número de partos anteriores. Nas crianças , é frequente um prolapso retal temporário , consequente ao esforço associado à defecação. Quais são as causas do prolapso retal? Diversos fatores podem estar na origem ou contribuir para o prolapso retal , sendo muitas vezes, difícil distinguir uma causa isolada. Entre estas, incluem-se: O esforço continuado durante a defecação; Algum grau de predisposição genética; Traumatismos pélvicos; Certos problemas neurológicos. O problema parece também estar relacionado com : O processo de envelhecimento normal; O enfraquecimento dos músculos e ligamentos que suportam o reto; A perda da capacidade de contração dos músculos esfíncteres anais; A incontinência fecal. Nas crianças , o prolapso retal está normalmente associado a: Infeções de origem parasitária; Carências alimentares; Défices da absorção de nutrientes; Obstipação; Traumatismos da região anal ou pélvica. Quais são os sintomas do prolapso retal? O sintoma mais evidente é a exteriorização da parede retal que é visível como uma extensão de tecido vermelho e húmido (mucosa retal). Em alguns casos pode ocorrer uma hemorragia retal . A incontinência fecal é frequente. Apesar de incomodativo, o prolapso retal normalmente não é doloroso. Como se realiza o diagnóstico do prolapso retal? O diagnóstico é feito com base: Na história clínica; Nos sintomas presentes; No exame do doente. O exame é realizado com o doente em várias posições e mediante contração dos músculos da parede abdominal ou dos esfíncteres anais, simulando o ato de defecar . Tal, permite determinar a extensão do prolapso. Um toque retal ou uma manometria poderão ajudar a determinar a funcionalidade muscular dos esfíncteres anais. Quando o prolapso retal não é visível exteriormente , pode estar indicada a realização de um exame por raio-X designado defecografia . A defecografia ajudará a: Confirmar a existência do prolapso; Determinar a necessidade de uma intervenção cirúrgica; Escolher a abordagem mais adequada a adotar nesse caso. Em algumas circunstâncias, especialmente, quando se pretende identificar uma doença subjacente, poderão estar indicados outros exames , como uma sigmoidoscopia flexível ou um enema de bário. Qual é o tratamento para o prolapso retal? Nas crianças e jovens , mediante a identificação e a eliminação das causas de esforço durante a defecação, opta-se, normalmente, por um tratamento conservador . A contenção das nádegas entre as dejeções, bem como, alguns exercícios de fisioterapia , podem ajudar a solucionar o problema. Em regra, nos adultos , a correção dos problemas de obstipação e esforço durante a defecação não permite, por si só, a resolução do prolapso. Assim, é muitas vezes, necessário recorrer a um tratamento cirúrgico. Tratamento cirúrgico Existem várias formas de corrigir o prolapso retal por via cirúrgica. Normalmente, a operação envolve o reposicionamento e fixação do reto no local correto e/ou a remoção de uma porção do órgão. A operação pode realizar-se por: Via perineal; Via abdominal. A intervenção por via abdominal , embora mais invasiva , é a mais eficaz , associando-se a um menor índice de recidiva. O problema da invasividade da via abdominal é solucionado pelo recurso à cirurgia laparoscópica , já que esta intervenção pode (e, sempre que possível, deve) ser realizada por via laparoscópica. A escolha da abordagem mais correta depende de diversos fatores, entre os quais: A idade; A extensão do prolapso; O estado geral da pessoa; Os resultados dos diversos exames pré-operatórios realizados. O êxito da intervenção depende também de vários fatores, nomeadamente: O estado geral da pessoa; A funcionalidade dos esfíncteres anais; A extensão do prolapso; A técnica cirúrgica adotada. No entanto, em regra, depois da resolução cirúrgica do prolapso retal regista-se, na maioria dos doentes, uma cura completa ou uma melhoria significativa. Existem medidas preventivas pós-cirurgia? Depois da operação, para ajudar a evitar a recorrência do problema, devem ser adotadas medidas que visem facilitar a defecação , como por exemplo: Aumentar a ingestão de alimentos fibrosos; Aumentar a ingestão de líquidos não alcoólicos, especialmente, água. A coloproctologia é uma área de intervenção dos gastrenterologistas e dos cirurgiões gerais. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.