11 de março de 2022 Autora : Carolina Pinheiro Estima-se que 30%-40% dos doentes oncológicos tenham simultaneamente problemas de depressão, ansiedade ou outros que interferem de uma forma importante da sua qualidade de vida, por exemplo relacionados com a imagem corporal, disfunções sexuais, perturbações cognitivas ou mesmo ideação suicida. Está demonstrada uma relação direta entre a evolução da doença oncológica, o stress crónico, a depressão e o isolamento social. A intervenção da psicologia pode ser fundamental para os doentes oncológicos. No início da doença há a considerar: A fase do pré-diagnóstico , a intervenção psicoterapêutica passa pela integração das experiências passadas e partilha de sentimentos e emoções que estão presentes; Na segunda fase, designada de diagnóstico inicial , há o choque e a negação da doença e, aqui, o foco da intervenção da psicologia passa pela modelagem do impacto psicológico do diagnóstico através, incentivando o doente a que fale livremente da sua situação. Ao aliviar crenças disfuncionais e preocupações, há uma melhoria do bem-estar emocional e físico; A terceira fase refere-se ao impacto do diagnóstico pautado pelo stress e depressão. Aqui, concomitantemente à psicoterapia, podem ser usadas técnicas de redução do stress e ansiedade. A segunda fase refere-se à aceitação do diagnóstico e tratamento , e é importante explicar as características da doença, o processo do tratamento, a sua duração, os efeitos secundários, bem como a importância da adesão aos tratamentos. Aqui é importante promover comportamentos mais saudáveis, o ajustamento emocional, reformular e reestruturar pensamentos cognitivos irracionais. Na terceira fase, que respeita ao período do tratamento em diante , é importante reforçar a manutenção de uma vida com qualidade, incentivando hábitos saudáveis, a adesão às recomendações dos profissionais de saúde e a prevenção da recaída mantendo o acompanhamento médico e psicológico. A intervenção da psicologia na área da oncologia pode providenciar a avaliação, intervenção e apoio necessários para as pessoas com cancro e suas famílias , atuando no sentido de encontrar estratégias que atenuem o sofrimento do doente oncológico e que estimulem à adesão aos tratamentos necessários da sua doença oncológica. Em conjunto com a restante equipa de saúde, os psicólogos podem também apoiar a comunicação do diagnóstico. Resumidamente, a intervenção da psicologia nas doenças oncológicas contribui ajuda a: Diminuir o sofrimento emocional e a lidar com o papel que os seus sentimentos desempenham no processo de diagnóstico e tratamento da doença; Gerir eficazmente o tratamento e as decisões acerca dos procedimentos médicos que devem ser tomados; Lidar com o impacto da doença nas relações pessoais, familiares e sociais; Lidar com a dor, o desconforto e a fadiga dos tratamentos e diminuir os efeitos secundários desses tratamentos, que podem interferir com a qualidade de vida dos indivíduos mas também com o próprio processo de tratamento. Diminuir níveis de depressão, ansiedade e stress, desenvolvendo competências para lidar com os mesmos. Ajustar-se à perda e à mudança face aos papéis desempenhados. Gerir a incerteza sobre o futuro e a esperança de vida, melhorando a qualidade de vida. Conheça a equipa de psicologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.