18 de março de 2019 Autora : Rita Gama Todo o sistema visual , onde está incluído o globo ocular e estruturas cerebrais, está formado à nascença. No entanto, é durante os primeiros anos de vida que ocorrem desenvolvimentos e transformações profundas que originam a visão que o ser humano possui. Quais são os motivos para se começar cedo com o rastreio oftalmológico infantil? Apesar de existirem cada vez mais evidências de que este processo pode perdurar durante a adolescência e a juventude, reconhece-se que as principais transformações ocorrem até aos 10 anos de idade. Qualquer pequeno acidente que surja até esta idade como, por exemplo, as doenças oculares, mesmo que transitórias, podem comprometer o desenvolvimento adequado, deixando lesões irreversíveis se não forem tratadas a tempo. Depois dos 10 anos de idade, o sistema visual comporta-se como adulto e este risco de diminuição da visão por doença ocular é praticamente inexistente. Um exemplo típico é o da resposta à cirurgia de extração da catarata. Enquanto um adulto recupera integralmente a visão após a cirurgia, na criança, a perda de transparência originada pela catarata compromete de tal forma o desenvolvimento adequado do sistema visual, que origina uma baixa de visão por vezes impossível de recuperar . Esta diminuição da visão que permanece mesmo depois de tratada a doença ocular que a originou é designada de ambliopia ou “olho preguiçoso”. A ambliopia tem outras causas como o estrabismo (“olho torto”), porque o cérebro deixa de conseguir sobrepor as imagens de cada olho e apaga uma delas (supressão). Também os erros refrativos como a hipermetropia, a miopia e o astigmatismo (que não são considerados doenças oculares) podem originar ambliopia, caso não sejam corrigidos. Em resumo, a ambliopia é uma doença em que os olhos aparentemente estão normais, mas não conseguem ver . Por isso é tão difícil de detetar. Então, quando deve ser feito o rastreio oftalmológico infantil? É recomendada a realização de rastreios a todas as crianças em 3 períodos da infância : Antes dos 6 meses de idade; Aos 3 anos de idade; Aos 5 anos de idade. Estes testes devem ser realizados por um oftalmologista ou um técnico de ortóptica - profissional habilitado nesta área. Caso o desempenho nos testes seja perfeito, não existe necessidade de uma consulta no oftalmologista. No entanto, o rastreio não deve substituir a consulta de oftalmologia se existirem dúvidas ou desempenho nos testes for inferior ao esperado para a idade. Como se deteta uma doença ocular no rastreio oftalmológico infantil? Na infância existem 3 formas de manifestação de doença ocular: Leucocória: a pupila (“menina do olho”) em vez da cor negra habitual, aparece branca; Estrabismo: perda do alinhamento ocular ou desvio ocular; Ambliopia: a visão dos 2 olhos é menor ou igual a 6/10 ou a diferença entre os 2 olhos é maior ou igual 2/10. A leucocória ou os estrabismos com desvios marcados são manifestações habitualmente reconhecidas pelos pais. Por outro lado, os estrabismos com desvios pequenos ou a ambliopia são mais difíceis de identificar. Nesse contexto, os rastreios oftalmológicos são uma ajuda valiosa na deteção destas situações, que passam despercebidas aos pais e às crianças. Quais são os testes efetuados no rastreio oftalmológico? Assim, nos rastreios oftalmológicos deverão estar presentes, pelo menos, os seguintes testes : Avaliação do aspeto macroscópico dos olhos; Acuidade visual em escala adaptada à idade da criança (quantificação da visão, habitualmente, em escala decimal /10); Alinhamento ocular (teste onde é tapado cada olho isoladamente e medido o desvio); Função binocular: teste de estereopsia, de acordo com o qual se avalia a capacidade da visão discriminar objetos a 3 dimensões. Quais são os sinais de alerta? Em qualquer ocasião e independentemente dos rastreios, deverão ser orientadas para uma consulta de oftalmologia pediátrica , as crianças que apresentarem os seguintes sinais: Leucocória ou pupila branca; Estrabismo: antes dos 6 meses de idade - caso aconteça na maior parte do tempo em que a criança está acordada. Depois dos 6 meses de idade – caso se verifique qualquer desvio ocular constante ou intermitente ou a adoção de postura incorreta da cabeça quando a criança olha para longe; Qualquer diminuição da visão de 1 ou 2 olhos; História familiar de doença ocular. De referir que não se considera sinal de alarme a adoção de postura incorreta na visão para perto. O papel do rastreio oftalmológico infantil na deteção e recuperação da doença ocular O prazo de recuperação das doenças oculares na infância termina aos 10 anos de idade. Quanto mais cedo é detetada a doença ou o erro refrativo, mais fácil é o tratamento e melhor será o resultado final. Os rastreios são, de facto, uma arma poderosa na deteção destas alterações que são frequentemente silenciosas e que prejudicam o desenvolvimento visual de forma irreversível. Por isso, devem os mesmos ser estendidos a toda a população infantil. Uma consulta efetuada numa loja de óptica não é suficiente para excluir uma doença ocular ou um erro refrativo. Não se esqueça que da saúde dos olhos do seu filho quem realmente sabe, é o oftalmologista. Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos oftalmologistas especialistas no diagnóstico e tratamento das doenças dos olhos e realizar os exames necessários para a sua situação. Conheça a equipa de oftalmologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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