11 de maio de 2022 Autora : Helena Sofia Bárrios A infeção por COVID-19 continua a poder assumir formas graves , que envolvem internamentos prolongados, tratamentos invasivos e outras complicações de saúde. Quando o pior parece ter passado, muitos doentes que enfrentaram uma infeção COVID-19 grave deparam-se com novas realidades: sentem-se mais frágeis, mais dependentes, com menor tolerância ao esforço, cansados e por vezes deprimidos. Depois de dois anos de pandemia, os estudos clínicos e científicos sobre a COVID-19 são mais sólidos e confiáveis e continuam a dar conta de novas características desta doença. Mas as principais preocupações continuam a estar centradas na resposta certa e adequada a quem sofreu doença grave, mantém efeitos prolongados, mas quer retomar uma vida normal . Oiça o Podcast Hospital da Luz sobre este tema. Google | iTunes | Spotify O testemunho de um doente: Carlos Galvão Lucas “Tive um episódio grave e longo de COVID-19. Mas a minha história começa mais ou menos há 18 anos, quando recebi o diagnóstico de uma leucemia linfocítica crónica, que implica uma imunodeficiência . Por isso, esta história é importante agora. Tenho feito tratamentos contínuos para essa doença e tenho tido uma qualidade de vida muito boa. Até que, em setembro do ano passado e estando vacinado com duas doses, contraí uma infeção por COVID-19, que foi muito grave . A verdade é que acabei ventilado, nos cuidados intensivos do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, e, no final de um período de 3,4 semanas de ventilação invasiva, quando acordei, verifiquei que não conseguia andar. Foi um choque tremendo. Não conseguia escrever. Tinha uma confusão muito grande na minha cabeça. Tinha dificuldade em falar e reconhecer as pessoas e os locais. Estive 86 dias internando só na Unidade de Cuidados Intensivos, de onde fui transferido para a enfermaria do hospital. Nessa fase, fazia alguma fisioterapia. Era uma coisa muito limitada, até porque estava ainda continuamente com oxigénio. A minha resistência ao esforço era muito baixa ainda e o que eu fazia eram exercícios deitado, com uma eficácia muito reduzida. Só tive alta hospitalar quando me tiraram a sonda nasogástrica – porque estive muito tempo ainda sem conseguir engolir e a ser alimentado por sonda. Como tinha tido a referência do Hospital do Mar (Luz Saúde) como o lugar certo para iniciar a minha recuperação , passei diretamente do Hospital Egas Moniz para lá. Tive a indicação de que teria de fazer fisioterapia e recuperação funcional , porque não conseguia mexer-me. Tinha as pernas completamente imobilizadas e, mesmo escrever ou mexer as mãos, fazia-o com grande dificuldade. Tudo consequência da COVID-19 e da ventilação invasiva. Este estado de debilidade fez com que não tivesse alta para casa, mas para o Hospital do Mar. Não estava em condições mínimas de sair de um ambiente deste tipo, era completamente dependente… Só desde há pouco tempo, e depois de algum tempo no Hospital do Mar, é que melhorei. Agora, sou quase, quase independente. Não ainda completamente, mas quase! O meu dia-a-dia é dividido entre as duas horas de fisioterapia com os terapeutas especializados nesta recuperação e o resto é treino funcional de atividades básicas, como a higiene. Posso dizer que estou praticamente recuperado. Só tenho ainda uma ligeira dificuldade em andar, mas também isso está quase ultrapassado. E em breve volto para casa .” Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.