11 de junho de 2026 Autor : Luís Vieira (Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética) O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum nas mulheres. Nas últimas décadas a maior sensibilização para o rastreio e o diagnóstico mais precoce, bem como a evolução nas técnicas e modalidades de diagnóstico e tratamento diminuíram significativamente a mortalidade associada a esta doença. Contudo, pela sua prevalência elevada, o cancro da mama e o seu tratamento são responsáveis por diversas sequelas . Quando o cancro da mama tem indicação cirúrgica, na maioria dos casos é possível uma abordagem conservadora, ou seja, operar mantendo a mama. Porém, em algumas situações, é necessário fazer uma mastectomia, o que significa retirar toda a mama. Nestes casos, é possível, desde logo, fazer uma reconstrução mamária. Atualmente, a reconstrução mamária pode ser feita de duas formas principais : Com próteses mamárias ; Recorrendo a transplante de tecidos da própria pessoa, isto é, a transplante autólogo . A reconstrução mamária tem um papel importante na recuperação física e emocional da mulher, contribuindo para a melhoria da sua imagem corporal e qualidade de vida. O que é uma reconstrução mamária autóloga? A reconstrução mamária autóloga é uma técnica cirúrgica na qual a substituição da mama doente excisada é feita com tecidos semelhantes da mesma pessoa , principalmente gordura e pele. Mais frequentemente, este tecido é transferido através do abdómen por técnica microcirúrgica (retalho DIEP), mas também pode ser transferido de outros locais do corpo, como a coxa, a região lombar, ou a região glútea, dependendo da anatomia da doente. Em casos não candidatos a microcirurgia, podem ser utilizados transplantes pediculados, como o retalho TRAM (acrónimo de transverse rectus abdominis muscle ) ou o retalho grande dorsal, associado a prótese mamária. O que é um retalho DIEP e quais são as suas vantagens? DIEP é o acrónimo de deep inferior epigastric perforator e no contexto de reconstrução mamária significa que no retalho que vai ser usado para reconstruir a mama será usada pele e gordura abdominal e preservados os músculos abdominais . Os tecidos do retalho são transferidos para a região mamária e ligados a novos vasos por técnicas de microcirurgia (anastomoses microcirúrgicas). Na mesma cirurgia é realizada uma abdominoplastia com transposição do umbigo e plicatura dos músculos retos abdominais, para melhoria do contorno abdominal A cirurgia com retalho DIEP, que é uma das mais avançadas na reconstrução mamária autóloga, tem como principais vantagens : Permitir recriar a mama com uma consistência e aspeto naturais e com uma forma e volume semelhantes à mama contralateral; Não interferir com a força abdominal porque não usa músculo desta região, reduzindo o risco de fraqueza abdominal que favorece, por exemplo, a ocorrência de hérnias abdominais. Melhorar a aparência estética de outra zona corporal – o abdómen -, por ser realizada também uma abdominoplastia. Possibilidade de restabelecer a sensibilidade da mama , através de técnicas de reconstrução nervosa. Sempre que é realizada por equipas experientes e dedicadas, está associada a elevadas taxas de sucesso (> 95%) e satisfação . Quem pode ter indicação para fazer uma reconstrução mamária autóloga microcirúrgica? A reconstrução mamária autóloga aplica-se em várias situações clínicas. Nas doentes com cancro da mama que vão ser submetidas a mastectomia, esta reconstrução pode ser realizada no mesmo tempo operatório. Assim, a doente não passará por qualquer período de ausência de mama. Nas mulheres mastectomizadas há mais de seis meses e que tenham concluído os tratamentos adjuvantes para o cancro da mama, estes transplantes também são possíveis. O que esperar da reconstrução mamária autóloga microcirúrgica? A reconstrução mamária autóloga microcirúrgica com o retalho DIEP é uma intervenção segura e eficaz com resultados naturais e duradouros . A intervenção dura 4-6 horas, a que se segue um internamento de 4-6 dias. Após a alta hospitalar é expectável que as rotinas diárias possam ser retomadas às 6-8 semanas de pós-operatório. As cicatrizes só terão o seu aspeto definitivo passados vários meses, ao longo dos quais deve ser mantida a vigilância e seguidas todas as indicações médicas. Comparativamente à reconstrução com implantes , a reconstrução autóloga: Permite obter resultados mais naturais e duradouros; Tem um menor risco de rejeição porque não há corpos estranhos envolvidos; A cirurgia e o período de recuperação são mais prolongados; A necessidade de eventuais reintervenções a médio / longo prazo é inferior. Conheça a equipa clínica de cirurgia plástica, reconstrutiva e estética do Hospital da Luz e faça a sua marcação. 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