30 de abril de 2020 Autor : Rui Campante Teles A válvula mitral é uma das quatro válvulas do coração e separa a aurícula esquerda do ventrículo esquerdo. Quando a aurícula esquerda se contrai (sístole auricular), a válvula mitral abre para o sangue fluir para o ventrículo esquerdo. Em seguida, quando o ventrículo esquerdo se contrai (sístole ventricular) e bombeia o sangue através da válvula aórtica para a artéria aorta, a válvula mitral fecha para impedir o refluxo de sangue para a aurícula esquerda. O que é a regurgitação mitral e quais são os seus sintomas Na regurgitação mitral há um refluxo anormal de sangue do ventrículo esquerdo para aurícula esquerda durante a sístole ventricular, altura em que o fecho da válvula mitral deveria impedir este movimento do sangue. O refluxo da regurgitação mitral aumenta o volume de sangue na aurícula esquerda e a pressão neste local, provocando também um aumento de pressão a montante, nas veias pulmonares. Em consequência, os pulmões podem ficar “encharcados” em sangue, o que causa a falta de ar e cansaço, e será também bombeado menos sangue para a circulação sistémica através da artéria aorta. A regurgitação mitral é uma doença valvular comum e a sua prevalência aumenta com a idade. A gravidade da doença e dos sintomas é variável, podendo ser assintomática nos casos menos graves ou chegar a provocar uma insuficiência cardíaca. Há várias causas para a regurgitação mitral, por exemplo: Uma debilidade hereditária do tecido da válvula; Enfarte do miocárdio ou ataque cardíaco; Outras doenças do músculo cardíaco, por exemplo miocardiopatias ou infeções. Como é feito o diagnóstico O diagnóstico da regurgitação mitral é baseia-se na auscultação das características do sopro cardíaco provocado pelo refluxo de sangue através da válvula mitral. O eletrocardiograma e a radiografia torácica podem ser usadas para confirmar ou estimar aumentos de volume do ventrículo esquerdo. A ecocardiografia cardíaca, ou ecocardiograma, é essencial para avaliar o aumento de volume da aurícula e do ventrículo esquerdos e a quantidade de sangue que está a refluir, de modo a avaliar a gravidade da doença. Qual o tratamento para a regurgitação mitral O tratamento da regurgitação mitral é feito com base em medicamentos recorrendo-se, em alguns casos, a cirurgia da válvula mitral para reparar ou substituir a válvula cardíaca danificada ou, noutros casos, a dispositivos cardíacos implantáveis que ajudam o coração a contrair melhor. É importante saber que cerca de metade dos doentes encaminhados para cirurgia não são operados, devido a outras doenças concomitantes, a disfunção do ventrículo esquerdo ou pela idade avançada. Nos últimos anos foram desenvolvidas inovações importantes no campo do tratamento de doenças associadas a regurgitação mitral e já existem em Portugal vários dispositivos de colocação percutânea. A escolha do tratamento mais adequado a cada doente envolve uma equipa multidisciplinar constituída por médicos de várias especialidades - cardiologia, cirurgia cardíaca, anestesiologia e medicina interna, em conjunto com o médico assistente do doente. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.