26 de janeiro de 2021 Autor : João Fernando Ilharco A diabetes mellitus é uma doença bastante frequente, afeta aproximadamente 12% da população. Os problemas de regulação da glicemia (açúcar no sangue) que acontecem na diabetes afetam os vasos sanguíneos, por vários mecanismos, e causam doença em muitos órgãos. Os olhos, principalmente a retina, são um dos órgãos afetados pela diabetes . A retina é a membrana sensível à luz que forra o interior do olho na zona posterior. É a retina que recolhe as imagens e as envia para o cérebro, permitindo a visão. A retinopatia diabética é a doença que pode atingir a retina dos diabéticos, façam ou não insulina, tenham diabetes tipo I ou tipo II. A vigilância da visão em oftalmologia é, por isso, fundamental em todos os diabéticos . Sintomas e diagnóstico No início da doença, as queixas podem ser pouco importantes. Os primeiros sintomas da retinopatia diabética incluem visão turva, perceção de zonas escuras, problemas em focar as imagens ou em distinguir cores. A retinopatia diabética não tratada pode resultar em perda importante de visão ou outras complicações oculares graves, que são tanto mais difíceis de resolver quanto mais tardio for o diagnóstico. No limite a retinopatia diabética pode causar cegueira . As consequências graves da retinopatia diabética e o facto de muitas pessoas só têm sintomas quando a doença já está avançada obrigam a que todos os diabéticos de devam preocupar em: Manter a diabetes controlada; Manter a pressão arterial controlada. As alterações da pressão arterial contribuem para as lesões dos vasos sanguíneos e agravam os problemas causados pela diabetes; Fazer anualmente o rastreio da retinopatia diabética em consulta de oftalmologia ou em rastreios realizados em centros dedicados; Não adiar as consultas, exames e tratamentos que forem aconselhados pelo oftalmologista para tratamento da retinopatia diabética. Tratamento e vigilância O tratamento da retinopatia diabética é sempre feito por um oftalmologista e orientado caso a caso. Podem passar por tratamentos com laser, injeções intravítreas especiais que colocam o medicamento junto à retina onde precisa atuar, ou intervenções cirúrgicas. Quanto mais cedo forem feitos os tratamentos necessários, melhor o prognóstico para a visão a longo prazo, razão pela qual é tão importante fazer atempadamente os rastreios e as consultas de oftalmologia. Uma vez que as consultas de oftalmologia não são orientadas para o controlo da glicemia ou da pressão arterial, é também muito importante, para uma evolução mais favorável da retinopatia diabética, que todos os diabéticos façam o acompanhamento regular da sua doença com o seu médico endocrinologista, internista ou de medicina geral e familiar, que vigiará estes fatores de risco. Lembre-se Se a diabetes ou pressão arterial não estiverem bem controladas, a evolução ao nível dos olhos vai ser sempre pior, independentemente do seguimento pelo oftalmologista. Se os diabéticos tiverem um bom controlo da diabetes e da pressão arterial, a evolução da retinopatia diabética é muito mais favorável. Conheça a equipa e oftalmologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.