18 de março de 2019 A pressão exercida pela parede anterior do reto sobre a parede posterior da vagina provoca um abaulamento para dentro da vagina. O retocelo pode apresentar-se de forma isolada , ou seja, pode não estar associado a qualquer outra doença. No entanto, pode também pode fazer parte de uma situação de fraqueza generalizada do pavimento pélvico e coexistir com outras doenças , tais como: Cistocelo (protusão da parede na bexiga na vagina); Uretrocelo (protusão da uretra na vagina); Enterocelo (protusão da parede do intestino na vagina); Prolapso uterino ou vaginal; Prolapso retal; Incontinência fecal; Incontinência urinária. Quais são as causas do retocelo? O retocelo deve-se a uma debilidade das estruturas de suporte do pavimento pélvico e do septo retovaginal (septo que separa o reto da vagina, formado pela parede anterior do reto e pela parede posterior da vagina). Pode ocorrer em qualquer idade , mas existem alguns fatores de risco para o seu desenvolvimento, nomeadamente: Traumatismos durante o parto; Partos múltiplos, difíceis ou prolongados; Utilização de fórceps ou outras manipulações durante o parto; Episiotomia com lesão do reto ou dos músculos do esfíncter anal. Também a obstipação crónica, o esforço na defecação e a histerectomia (remoção do útero), podem contribuir para o desenvolvimento de um retocelo. Quais são os sintomas do retocelo? O retocelo pode ser assintomático e ser detetado apenas acidentalmente num exame vaginal de rotina. Quando os retocelos provocam sintomas , estes podem ser de origem vaginal e/ou retal . Sintomas vaginais Entre os sintomas vaginais incluem-se: O abaulamento (curvatura) da parede vaginal; A sensação da presença de uma massa na vagina; A sensação de exteriorização de uma tumefação através da vagina. Pode também estar presente, embora em casos raros : Dor ou hemorragia vaginal. Nestas situações, torna-se necessário despistar outras causas possíveis para os sintomas. Sintomas retais Os sintomas retais incluem: Sensação de evacuação incompleta; Obstipação; Pressão pélvica generalizada; Desconforto local. Algumas mulheres notam que ao pressionarem com o dedo a parede posterior da vagina ou a região ao longo da periferia do canal vaginal, facilitam o esvaziamento da ampola retal. Por vezes, com o abandono da posição sentada depois de evacuar, ocorre uma nova necessidade urgente de defecar . Tal, deve-se ao movimento das fezes acumuladas do retocelo para a região inferior do reto. Como é feito o diagnóstico do retocelo? Nos retocelos sintomáticos , o diagnóstico é feito com base: Na história clínica; Nos sintomas presentes; No exame físico do doente; Em exames de diagnóstico adicionais considerados necessários. Em muitos casos é aconselhada a realização de uma defecografia , que permite: Avaliar a dimensão e a extensão do retocelo; Observar o seu eventual esvaziamento durante a defecação; Determinar a abordagem de tratamento a adotar. Qual é o tratamento para o retocelo? Os retocelos assintomáticos não têm, em regra, outra indicação de tratamento, além de alterações alimentares (aumento da ingestão de alimentos fibrosos e de líquidos) que ajudem a evitar a obstipação. Nos retocelos sintomáticos , o tratamento inclui também medidas para melhorar o trânsito intestinal : Mudança da alimentação - aumento da ingestão de alimentos fibrosos e de líquidos; Utilização de suplementos de fibra e/ou laxantes. O esforço para evacuar deve ser evitado ou minimizado . A evacuação pode também ser ajudada, fazendo pressão com um dedo na parede posterior da vagina ou ao longo da sua periferia, de modo a suster o retocelo e a tentar orientar o trajeto das fezes. Em alguns casos, pode ser necessário o suporte dos órgãos pélvicos com um pessário (anel de dimensão adequada que é colocado na vagina). O tratamento cirúrgico Quando o tratamento médico não é eficaz , o retocelo tem indicação cirúrgica , podendo ser adotadas várias abordagens para a sua resolução. Assim, a reparação do retocelo pode ser realizada: Por via anal; Por via vaginal; Através do períneo (região entre a vagina e o ânus); Por via abdominal. No caso de retocelos com prolapsos grandes e fraqueza pélvica marcada, poderão ser usadas, simultaneamente, várias vias . Sempre que um retocelo coexiste com outros problemas locais, poderá ser preferível tratá-los num único tempo operatório , o que está associado a uma maior probabilidade de cura . Os médicos ginecologistas (nas mulheres) e os cirurgiões gerais (nas mulheres e nos homens) são os médicos que o podem ajudar no tratamento desta doença. 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