17 de junho de 2022 Autora : Leonor Santos Uma em cada 10 mulheres que tiveram filhos necessitam de uma cirurgia para correção do prolapso vaginal . O prolapso da parede vaginal posterior, ou retocelo , deve-se em geral ao enfraquecimento dos tecidos (fáscia) que separam a vagina do reto. O prolapso pode ultrapassar o introito vaginal e pode provocar dificuldade em evacuar , além da sensação de peso ou bola na vagina . Quando se faz uma correção da parede vaginal posterior é frequente ter de corrigir também o corpo perineal. O corpo perineal é o tecido que separa o ânus da região mais externa da vagina. Durante o parto o períneo sofre agressões, sobretudo quando é necessário cortar a vagina para permitir a saída da cabeça do bebé. A correção da parede vaginal posterior é conhecida também por colporrafia posterior e consiste no reforço dos tecidos de suporte entre a vagina e o reto. Perineoplastia é a designação do procedimento cirúrgico de reforço do corpo perineal. A correção da parede vaginal posterior e do corpo perineal permite recuperar um suporte adequado e diminuir a entrada vaginal. Desta forma: Alivia os sintomas de sensação de peso ou bola na vagina; Melhora a função intestinal (facilita o esvaziamento intestinal) e sexual. Como é feita a correção da parede vaginal posterior? Esta cirurgia pode ser realizada sob anestesia geral ou locorregional . É realizado um corte na parede posterior da vagina, desde a entrada até ao fundo da vagina. A camada de tecido mais interno da vagina (mucosa) é separada do tecido de suporte (fáscia) subjacente. São aplicados pontos para reaproximar os bordos da fáscia. O material dos fios é reabsorvível, pelo que não é necessário retirar os pontos , estes serão reabsorvidos ao longo de 4-6 semanas. O corpo perineal pode ser reparado com pontos mais profundos nos músculos que ali se inserem. A parede vaginal posterior pode ainda ser reforçada com redes sintéticas ou biológicas , o que é mais habitual quando é necessário repetir a cirurgia ou quando o prolapso é de grandes dimensões. No final da cirurgia é colocado um tampão de compressão na vagina para evitar hemorragias e é mantida a algaliação. Ambos são retirados, em regra, no dia seguinte à cirurgia. Taxa de sucesso da cirurgia A correção da parede vaginal posterior tem uma taxa de sucesso elevada, de 80%-90%. Cerca de 50% das mulheres com sintomas de esvaziamento intestinal incompleto (sensação de que ainda têm fezes após evacuar) ou obstipação sentem melhoria depois da cirurgia. Riscos e complicações da correção da parede vaginal posterior Todas as intervenções cirúrgicas têm potenciais riscos ou complicações , tanto associados à própria cirurgia como à anestesia. Os riscos e complicações da correção da parede vaginal posterior são: Hemorragia grave, com necessidade de transfusão 1%; Infeções pélvicas e vaginais são raras; Infeção da bexiga (cistite) 6%. A cistite provoca ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, por vezes presença de sangue na urina. Sempre que necessário é tratada com antibióticos; Obstipação. Para a evitar deve ser feita uma dieta rica em fibra e aumentada a ingestão de líquidos. A utilização de laxantes deve ser feita por indicação médica; Dor nas relações sexuais (dispareunia); Lesão do reto; Complicações associadas a redes que sejam usadas, por exemplo, exposição, infeção, retração, dor, disfunção sexual. Recuperação pós-operatória e retorno à vida normal Depois de uma correção da parede vaginal posterior é normal haver uma secreção vaginal durante 4-6 semanas após a cirurgia , que está relacionada com os pontos na vagina e vai diminuindo à medida que estes são reabsorvidos. Se esta secreção vaginal tiver um odor desagradável devem ser procurados cuidados médicos. Poderá ainda haver uma ligeira secreção ensanguentada logo após a cirurgia e/ou esta surgir com uma cor acastanhada cerca de uma semana depois da cirurgia. No pós-operatório é importante evitar : Carregar pesos; Fazer exercício físico; Ter relações sexuais antes de passarem 6 semanas da data da cirurgia. Deve ser promovido um bom funcionamento intestinal com uma alimentação rica em fibra e aumentando a ingestão de líquidos. Dependendo da atividade profissional, o período de baixa depois de uma de correção da parede vaginal posterior varia entre 2 e 6 semanas. Em geral, a cicatrização está completa aos 3 meses depois da cirurgia. Fontes International Urogynecologial Association. Posterior vaginal wall and perineal body repair . Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. 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