2 de fevereiro de 2023 Autor : Vitor Vidinha O que é uma rizartrose? A rizartrose é a artrose da articulação da base do polegar : Os dois ossos que fazem parte desta articulação são o trapézio e o 1º osso do metacarpo; A articulação chama-se trapézio-metacarpiana. Para uma funcionalidade adequada, na relação entre o osso trapézio e o 1º osso do metacarpo na articulação é necessário que exista: Congruência articular, ou seja, uma posição anatomicamente correta que permite o contacto e deslizamento das superfícies ósseas articulares e a estabilidade da articulação; Uma mobilidade adequada às funções do polegar. Quem pode desenvolver uma rizartrose? A articulação trapézio-metacarpiana pode iniciar um processo de desgaste contínuo, que afeta a cartilagem, os ligamentos e o tecido (designado tecido sinovial) que reveste as paredes interiores da articulação e que resulta numa rizartrose. Qualquer pessoa pode desenvolver uma rizartrose, mas há fatores anatómicos, hereditários e hormonais que contribuem para o seu aparecimento . As mulheres na fase pós-menopausa constituem um grupo particularmente suscetível de desenvolver uma rizartrose sintomática. Embora faça sentido que um trabalho manual repetitivo possa ser um fator de risco de rizartrose, não foi ainda provada cientificamente esta relação. Menos frequentemente, a rizartrose pode surgir num contexto pós-traumático, como sequela de uma fratura ou de uma luxação que envolva a articulação da base do polegar, ou secundária a uma doença reumatológica. Sintomas e diagnóstico As queixas que levam à procura de ajuda médica são habitualmente: Dor na base do polegar A dor na base do polegar, na região imediatamente proximal à prega entre o polegar e o indicador, é sugestiva de rizartrose. Limitação funcional com alteração da amplitude dos movimentos , que se traduz em incapacidade de execução de muitas tarefas correntes do dia-a-dia. Os sintomas são geralmente de instalação progressiva e impõem uma limitação funcional marcada, até mesmo nas tarefas mais simples do dia-a-dia, como, por exemplo, rodar uma chave, abrir a tampa de um frasco e tantas outras. As atividades laborais, domésticas e pessoais tornam-se dolorosas de forma persistente. A avaliação médica revela comprometimento da amplitude de movimentos, aumento de volume e deformidade da articulação. A radiografia da mão é o exame que permite confirmar o diagnóstico de rizartrose . Tratamento da rizartrose Regra geral, a primeira abordagem terapêutica deve ser conservadora. A imobilização temporária do polegar com uma tala amovível alivia as queixas, principalmente se for associada a uma diminuição da atividade. A injeção de corticoide na articulação trapézio-metacarpiana tem uma taxa de sucesso razoável no alívio imediato da dor na fase inicial da doença, ainda que o efeito seja temporário. Nas fases mais avançadas, esse benefício, à luz dos estudos mais recentes, parece esbater-se. Embora não isenta de complicações, estas são raras, e associando-se um fármaco anestésico ao preparado a injetar, o procedimento é praticamente indolor. Também a fisioterapia , enquadrada numa expectativa de alívio sintomático temporário, pode ter uma função valiosa. Nos casos refratários ao tratamento conservador, pode ser considerada uma cirurgia . Há vários procedimentos cirúrgicos, sendo que a decisão do tipo de intervenção a realizar é decidido tendo em consideração: A idade da pessoa; O tipo de atividade que desempenha no dia-a-dia; O grau de destruição articular presente. As opções terapêuticas para cada uma das fases da rizartrose devem sempre ser discutidas entre o doente e o cirurgião da mão . O esclarecimento acerca dos resultados expectáveis e do tempo de recuperação previsível para os diferentes tipos de tratamento são fundamentais para a tomada de decisão do doente. Conheça a equipa clínica de ortopedia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.