29 de maio de 2025 Autor : Saraiva da Cunha (infecciologia) A rubéola é uma doença viral contagiosa , cuja causa é o vírus da rubéola. Apesar de ser conhecida, também, como sarampo alemão ou sarampo de 3 dias, o vírus da rubéola é diferente do vírus do sarampo. O vírus da rubéola infeta apenas os humanos, que são o seu único reservatório e, portanto, a única fonte de infeção. O contágio ocorre por via respiratória , mais frequentemente com origem em gotículas expelidas com os espirros ou tosse de pessoas infetadas e que transportam o vírus que se aloja na sua garganta. A rubéola pode não provocar sintomas ou estes serem apenas ligeiros. No entanto, a infeção durante a gravidez pode provocar complicações graves. A prevenção da rubéola é feita através de vacinação e esta vacina faz parte do programa nacional de vacinação. Sintomas e complicações da rubéola Na maioria dos casos, a rubéola é uma doença ligeira, com uma grande percentagem de casos assintomáticos. Nos casos com sintomas, estes ocorrem após um período de incubação de 2-3 semanas: Em geral, primeiro surge um aumento do volume dos gânglios linfáticos , principalmente no pescoço abaixo das orelhas e região occipital, que se pode manter durante 5-8 dias; Segue-se uma erupção cutânea (exantema, rash ), com formação de manchas rosadas, que começam na face e depois se espalham para o resto do corpo em 24 horas e desaparecem em cerca de 3 dias; Nos adultos, mais frequentemente, estes sintomas podem ser precedidos de febre, mal-estar, dor de cabeça . A rubéola pode ter sintomas mais graves, mas que são raros, como: Encefalite (1 em 5-6 mil casos) e nevrite; Pequenas hemorragias cutâneas (púrpura trombocitopénica); Inflamações testiculares nos homens; Dor e inflamação articular nas mulheres adolescentes e adultas. A síndrome de rubéola congénita é a complicação mais grave e frequente da rubéola: Caracteriza-se por um conjunto de malformações - auditivas, oftalmológicas, neurológicas e cardíacas - congénitas nos bebés; Deve-se à infeção das mães, principalmente no primeiro trimestre da gravidez; Pode também resultar em aborto; É a principal razão pela qual a eliminação da rubéola é um objetivo global e que requer uma cobertura vacinal constante superior a 95%. A capacidade de uma pessoa infetada transmitir o vírus mantém-se desde 7 dias antes da erupção cutânea até 6 dias depois desta aparecer. Diagnóstico e tratamento da rubéola O diagnóstico da rubéola baseia-se principalmente nos sintomas, exame físico e na história vacinal do doente. A infeção pode ser confirmada com exames laboratoriais. Não existe um tratamento dirigido à eliminação do vírus da rubéola. Assim, este baseia-se em medidas de alívio dos sintomas e outras medidas de suporte que sejam necessárias. Prevenção da rubéola A única forma de prevenção contra a rubéola é a vacinação, que é feita na infância . A vacina contra a rubéola está incluída nos programas de vacinação dos países europeus, incluindo o Programa Nacional de Vacinação português, desde 1987, e de muitos outros países do mundo. Em Portugal : A vacina designa-se VASPR e protege, simultaneamente, contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola. A vacinação completa contra estas doenças inclui duas doses : a primeira administrada aos 12 meses e a segunda aos 5 anos de idade. A avaliação do estado vacinal contra várias doenças, incluindo a rubéola, faz parte das rotinas pré-concecionais. As grávidas , principalmente as não vacinadas e/ou de países em que a doença é endémica, e que tenham estado em contacto com alguém com rubéola devem informar o mais rapidamente possível o médico que segue a sua gravidez e manter-se atentas à ocorrência de sintomas que possam estar relacionados com rubéola. Rubéola em Portugal e na Europa A rubéola era endémica na Europa antes da vacinação generalizada das crianças, afetando principalmente as crianças com 4-9 anos de idade. Em Portugal, nos anos 80 do século XX, chegaram a registar-se mais de 2000 casos num ano. A eliminação desta doença foi confirmada em Portugal pela Organização Mundial de Saúde em 2015. Só continuando a ter uma cobertura vacinal elevada da população é possível manter proteção , nomeadamente do contágio com origem em pessoas provenientes de zonas do globo onde a doença continua a ser endémica. A rubéola é uma doença de declaração obrigatória na União Europeia / Espaço Económico Europeu: Entre abril de 2024 e março de 2025 foram notificados 46 casos, dos quais 16 confirmados. Estes casos ocorreram na Alemanha (10), Suécia (3), Itália (1), Polónia (1) e Lituânia (1). Fontes European Centre for Disease Prevention and Control. Rubella (German measles) . European Centre for Disease Prevention and Control. Surveillance atlas of infectious diseases . Conheça a equipa clínica de infecciologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.