22 de junho de 2022 Autora : Manuela Costa A sacrocolpopexia é uma cirurgia na qual é corrigido o prolapso da cúpula vaginal (topo da vagina) que possa acontecer em mulheres que tenham realizado anteriormente uma histerectomia (remoção do útero). Tem como objetivo colocar a vagina na sua posição normal e preservar a sua função . Como é feita uma sacrocolpopexia? Esta cirurgia pode ser feita de duas formas: Por laparoscopia (cirurgia minimamente invasiva), em que o acesso dos instrumentos cirúrgicos e de uma câmara à cavidade abdominal é feito através de pequenas incisões ou orifícios e a cirurgia é guiada pelas imagens de alta-definição transmitidas para um monitor na sala do bloco operatório; Por laparotomia ou cirurgia aberta , um seja através de uma incisão grande e com o abdómen aberto. Em qualquer dos casos, a sacrocolpopexia é feita sob anestesia geral . Primeiro descola-se / separam-se a parede vaginal anterior da bexiga e a parede vaginal posterior do reto. Depois, fixa-se uma extremidade de uma prótese (rede) às paredes anterior e posterior da vagina e a outra extremidade a um ligamento adjacente ao sacro (o osso terminal da coluna vertebral). Em seguida toda esta extensão da prótese é coberta com peritoneu (membrana que reveste os órgãos intra-abdominais), para prevenir aderências dos intestinos à prótese. De acordo com vários estudos, a taxa de sucesso da sacrocolpopexia é de 80%-90% . Após esta cirurgia há um risco reduzido de prolapso de outa zona da vagina - a parede anterior, que suporta a bexiga - que, no entanto, poderá se corrigido com outra cirurgia. Riscos e complicações da sacrocolpopexia Todas as intervenções cirúrgicas têm potenciais riscos ou complicações , tanto associados à própria cirurgia como à anestesia. Quanto à cirurgia, há riscos e complicações gerais e riscos e complicações específicas de cada procedimento. Os riscos e complicações mais frequentes da sacrocolpopexia , quer seja realizada por laparoscopia ou laparotomia, são: Dor, incluindo nas relações sexuais, em cerca de 2%-5% dos casos; Erosão da prótese, em 2%-4% dos casos. Há um pequeno risco de que esta erosão ocorra para os órgãos adjacentes como o intestino, a bexiga ou vagina. Não é frequente, mas pode ser necessária uma cirurgia para remoção dessa parte da prótese; Lesão da bexiga ou ureteres em 1%-2% dos casos; Alterações da motilidade intestinal, como obstipação ou mesmo obstrução intestinal em 2%-3%; Alterações do funcionamento da bexiga tais como dificuldade em esvaziar a bexiga (10%), ou um jato urinário muito fraco logo após a cirurgia, que normalmente recupera espontaneamente nas semanas a seguir à cirurgia. Os riscos e complicações gerais incluem infeção das feridas operatórias, infeção urinária, hemorragia com eventual necessidade de transfusão de sangue, trombose venosa profunda (coágulos nas veias das pernas), infeções respiratórias ou problemas cardíacos. Em cada caso, o cirurgião e o anestesista avaliam ainda potenciais riscos específicos associados às particularidades de cada pessoa. Preparação para a cirurgia Para fazer uma cirurgia pode ser necessário suspender alguma medicação habitual, questão que é avaliada previamente com o cirurgião e/ou com o médico assistente que a tenha prescrito. Alguns cirurgiões recomendam que seja feita uma preparação de limpeza intestinal prévia à cirurgia. É também necessário um jejum de 6 horas antes da cirurgia. Todas as indicações necessárias são dadas previamente à cirurgia . Recuperação após uma sacrocolpopexia Durante cerca de 6 semanas depois de fazer uma sacrocolpopexia devem ser evitados: Esforços na atividade profissional ou doméstica, por exemplo carregar pesos, aspirar ou praticar exercício físico, entre outros; Banhos de imersão e uso de piscinas; Relações sexuais. Podem fazer-se caminhadas que não causem qualquer desconforto. Devem ser cumpridas quaisquer outras restrições ou indicações dadas pelo cirurgião na altura da alta. Fontes I nternational Urogynecologial Association. Sacrocolpopexy . Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.