27 de março de 2023 Autor : Saraiva da Cunha A sífilis é uma infeção sexualmente transmissível . É provocada por uma bactéria, o Treponema pallidum . A principal forma de contágio são as relações sexuais, vaginais, orais ou anais, através do contacto com lesões cutâneas ou mucosas de sífilis (cancro duro), que podem ou não ser visíveis. A sífilis também pode ser transmitida das mães aos filhos durante a gravidez, neste caso dando origem a sífilis congénita (presente ao nascimento); Depois de se ficar infetado, a doença pode passar por várias fases com sintomas de gravidade diferente e ter também períodos sem sintomas. O contágio pode ocorrer em qualquer fase da doença. Sintomas e diagnóstico sífilis Chama-se sífilis primária à fase da doença em que os sintomas começam a manifestar-se 2-3 semanas depois do contágio. Geralmente aparece um caroço avermelhado no pénis, em redor da abertura vaginal ou do ânus, ou seja, na região do corpo que foi a via de entrada do Treponema pallidum ; Este caroço, que não provoca dor, pode depois transformar-se numa úlcera (ferida, que se designa como cancro duro) com os bordos salientes; Podem também aparecer feridas na cavidade vaginal, no reto ou na garganta e que não são imediatamente visíveis; Mesmo sem tratamento, estas lesões podem cicatrizar em poucas semanas, o que leva a que muitas pessoas não procurem cuidados médicos, permitindo que a doença se agrave e que contagiem outros. Assim, quando os sintomas de sífilis primária não são valorizados e, por isso, a doença não é diagnosticada nem tratada corretamente, podem seguir-se novos episódios da doença, neste caso de sífilis secundária , com sintomas mais graves e variados, incluindo: Erupção (manchas avermelhadas) generalizada na pele; Presença de manchas grande e salientes, cinzentas ou esbranquiçadas nas regiões quentes e húmidas do corpo, por exemplo a boca e os órgãos genitais; Sintomas semelhantes a gripe: febre, dores musculares generalizadas, dor de cabeça e garganta, entre outros; Gânglios inchados no pescoço, axilas e virilhas. A sífilis terciária ou tardia é a doença que ocorre muito tempo, frequentemente muitos anos, depois do contágio, por vezes depois de outros episódios da doença que não foram tratados. Os sintomas e lesões da sífilis tardia são bastante mais graves, envolvem o coração, entre outros tecidos e órgãos. Em qualquer das fases da sífilis - primária, secundária ou tardia -, pode haver envolvimento do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), o que é referido como neurosífilis . Nestes casos há frequentemente sintomas como: Náuseas e vómitos; Rigidez do pescoço; Confusão mental. Sífilis latente , é a designação que se dá à fase da doença em que não há sintomas, independentemente do tempo que decorreu desde a infeção e de esta ser ou não conhecida. O diagnóstico da sífilis é feito com base nos sintomas, na história relatada pelos doentes, em resultados do exame físico e é confirmado por análises de sangue e eventualmente por análise de líquido cefalorraquidiano obtido por punção lombar quando há suspeita de neurosífilis. Tratamento e prevenção O tratamento da sífilis é simples e eficaz, desde que seja feito precocemente com recurso a antibióticos . A penicilina e os seus derivados têm um papel importante no tratamento da doença, mas estão disponíveis outras opções quando há contraindicações para o tratamento com penicilina; Quanto mais precoce for o diagnóstico da sífilis e o seu tratamento, maior é a probabilidade de a tratar com êxito num prazo de tempo curto; Habitualmente é necessário monitorizar os resultados do tratamento com realização de análises; Nos casos de sífilis mais avançados e graves, pode ser necessário manter a vigilância e realizar exames de monitorização ao longo da vida. Tal como acontece com outras infeções sexualmente transmissíveis, há medidas de prevenção da sífilis : Usar preservativo nas relações sexuais é a melhor forma de impedir o contágio. Evitar relações sexuais quando é conhecido que há infeção ou mesmo quando há suspeita de que esta possa estar presente. Evitar comportamentos de risco, como é a troca frequente de parceiros sexuais, ajuda a prevenir o contágio e a impedir a disseminação da sífilis. Em caso de dúvida, devem ser procurados cuidados médicos sempre que: Haja sintomas inespecíficos ou sugestivos de sífilis; Houve relações sexuais com alguém diagnosticado ou com suspeita de sífilis, mesmo que não se conheçam quaisquer sintomas em qualquer uma das pessoas envolvidas. Rastreio da sífilis A vigilância médica de rotina inclui a o rastreio anual da sífilis, feito através de uma análise de sangue - VDRL ( venereal disease research laboratory ) ou RPR ( rapid plasma reagin ), aos seguintes grupos: Mulheres durante a gravidez; Homens e mulheres que têm relações sexuais, não protegidas por preservativo, com múltiplos parceiros; Homens que têm sexo com homens, particularmente os envolvidos nas práticas de sexo com drogas ( chemsex) ; Todos os infetados por vírus da imunodeficiência humana (VIH); Todos aqueles em que foi diagnosticada uma outra infeção sexualmente transmitida. São numerosos os casos de sífilis diagnosticados nestas análises de rotina. Sífilis em Portugal A sífilis é uma doença de declaração obrigatória e o número de casos tem vindo a aumentar. Em 2018, último ano para o qual estão publicados dados para esta doença em Portugal: Foram diagnosticados e notificados 908 casos de sífilis, 7 dos quais de sífilis congénita, ou seja, transmitida da mãe para o feto durante a gravidez; 77% dos casos de sífilis ocorreram em homem; As regiões do país em que se diagnosticaram mais casos foram a área metropolitana de Lisboa, com 41%, e a área metropolitana do e do Porto com 14%. Fontes : Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Syphilis . Arando Lasagabaster M, Otero Guerra L. Sífilis . Enferm Infecc Microbiol Clin 2019; 37:398-404. Conheça a equipa clínica de infecciologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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