31 de agosto de 2020 A síndrome da artéria mesentérica superior, também designada pinça mesentérica ou síndrome de Wilkie, foi referida pela primeira vez em meados do século XIX e a primeira descrição da sua resolução cirúrgica data do início do século XX. Esta doença é provocada por uma compressão do intestino delgado (na região do duodeno) que provoca a sua obstrução total ou parcial, por vezes de forma intermitente. Esta compressão tem origem vascular e vasos envolvidos são a artéria mesentérica superior e a artéria aorta. A síndrome da artéria mesentérica superior é uma doença rara, que afeta principalmente os adolescentes e adultos jovens, em especial mulheres. Quais são as causas da síndrome da artéria mesentérica superior? O intestino delgado (na região do duodeno) passa no ângulo formado pela artéria mesentérica superior e pela aorta (ângulo aortomesentérico). Em condições normais, a artéria mesentérica superior é envolvida na sua origem por tecido adiposo (gordura), que contribui para que o ângulo aortomesentérico mantenha a sua amplitude normal e não comprima o intestino. Quaisquer situações que provoquem uma diminuição da amplitude daquele ângulo podem predispor para a ocorrência da síndrome da artéria mesentérica superior, em que a artéria mesentérica superior e a artéria aorta, como os braços de uma pinça, comprimem o intestino. A situação mais comum que pode provocar a diminuição da amplitude do ângulo aortomesentérico é uma perda de peso pronunciada e rápida , que diminui a gordura que rodeia a origem da artéria mesentérica superior, por exemplo em casos de: Problema psicológicos, nomeadamente distúrbios alimentares; Cirurgias que provoquem depleção da gordura e, por isso, diminuam o ângulo aortomesentérico; Doenças debilitantes ou que interfiram com a absorção de nutrientes. Outras causas descritas são variações anatómicas individuais, congénitas ou adquiridas, e um aumento da estatura não acompanhado por um aumento adequado do peso corporal. Como é feito o diagnóstico? Muitas vezes passam vários anos até a síndrome da artéria mesentérica superior ser diagnosticada porque os sintomas não são específicos, podem ser intermitentes e são comuns a muitas outras doenças muito mais comuns. Entre os sintomas , estão, por exemplo, dor na região do estômago depois das refeições, náuseas, vómitos, sensação de saciedade rapidamente depois de iniciar as refeições, falta de apetite e perda de peso. A dor alivia com alterações da postura, por exemplo fletindo o tronco sobre os membros inferiores, puxando os joelhos em direção ao peito ou deitando de lado, porque estas posições aumentam a amplitude do ângulo aortomesentérico. Alguns exames de imagem podem conseguir identificar alterações, que associadas aos sintomas e à suspeita permitem diagnosticar a doença . No entanto, muitas vezes, não são esclarecedores. Quando toda a exploração restante não é elucidativa, uma laparoscopia exploradora pode ter um contributo decisivo para o diagnóstico. Como se trata a síndrome da artéria mesentérica superior? Sempre que possível, o tratamento é iniciado com uma abordagem conservadora com intervenções (por exemplo, alimentares) que têm como objetivo de repor o tecido adiposo ao nível do ângulo aortomesentérico, permitindo a sua abertura e eliminando a compressão duodenal com o consequente alívio dos sintomas. O tratamento cirúrgico é uma opção consequente ao insucesso do tratamento conservador ou à recorrência dos sintomas. Nesta cirurgia é removida a porção do intestino delgado que afetada. Conheça a equipa de cirurgia geral da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.