12 de março de 2021 Autora : Marina Dias Neto A síndrome de congestão pélvica é um conjunto de sintomas entre os quais se destaca dor na região pélvica , não cíclica e com pelo menos 6 meses de duração. Atinge principalmente mulheres jovens, entre os 20 e os 30 anos, e multíparas (com mais do que um parto). A média de idade na altura do tratamento é de 41 anos. Normalmente o problema desaparece depois da menopausa. A doença foi descrita pela primeira vez ainda no século XIX, recebeu o nome de síndrome de congestão pélvica em 1949, mas apenas recentemente foi reconhecida como uma causa frequente de dor pélvica crónica . Causas da síndrome de congestão pélvica Nesta síndrome, a dor pélvica deve-se a congestão de sangue junto dos órgãos do sistema reprodutor na região pélvica , provocada por refluxo de sangue nas veias ováricas, varizes pélvicas, ou insuficiência venosa hipogástrica, seja por: Problemas associados às válvulas das veias (incompetência valvular primária); Obstrução ao fluxo venoso. As razões por que isto acontece não são totalmente conhecidas. Sintomas A dor pélvica , um sintoma comum em mulheres, é responsável por um elevado número de visitas médicas, sobretudo na área da ginecologia. Nesta síndrome, a dor pélvica é descrita como uma sensação de peso que aumenta durante o dia , principalmente quando se fica sentada ou em pé e ao levantar, e que pode ser aliviada pelo deitar. Além da dor, na síndrome de congestão pélvica podem também ocorrer : Dispareunia ou dor durante as relações sexuais ou depois destas; Dismenorreia ou dores menstruais; Sintomas urinários, como dificuldade ou dor ao urinar, aumento do número de micções e urgência urinária; Obstipação; Hemorroidas. É frequente alguns dos sintomas ocorrerem apenas de um dos lados, mas também podem ser bilaterais. Diagnóstico Para o diagnóstico da síndrome de congestão pélvica são importantes a história clínica, o exame físico e os resultados de diversos exames de diagnóstico, como: Ecografia pélvica; Venotomografia comoputorizada; Venorressonância magnética; Flebografia. No exame físico , a combinação de hipersensibilidade na palpação abdominal da região ovárica com história de dor após a atividade sexual permite em muitos casos separar a síndrome de congestão pélvica de outras causas de dor pélvica. Por vezes são identificadas varizes perineais, principalmente vulvares, e outros achados vasculares, por exemplo: Insuficiência venosa superficial nos membros inferiores; Varizes atípicas, por exemplo nas nádegas, nas faces posterior e laterais da coxa; Recorrência após tratamento das varizes. Os exames de imagem documentam a existência de varizes pélvicas, bem como dilatação das veias ováricas. A venotomografia computorizada ou a venoressonância magnética permitem ainda diagnosticar causas obstrutivas e outras fontes de dor pélvica, como a endometriose. A flebografia pode ser usada no diagnóstico da síndrome de congestão pélvica, sendo utilizada quando se antecipa uma intervenção terapêutica. Tratamento da síndrome de congestão pélvica O tratamento da síndrome de congestão pélvica inclui opções cirúrgicas e não cirúrgicas . O tratamento farmacológico , por exemplo com medroxiprogesterona, goserelina ou venotópicos, alivia os sintomas, mas não tem efeitos permanentes uma vez descontinuado. Na maioria das doentes, o tratamento endovascular com embolização pélvica é considerado atualmente o tratamento de primeira linha. O acesso é feito numa veia da virilha através da qual são inseridos os materiais que vão fazer a embolização e consequente eliminação das varizes. As orientações atuais recomendam que as varizes pélvicas devidas a incompetência de veias pélvicas sejam tratadas por embolização com coils , plugs ou por escleroterapia transcateter, usadas isoladamente ou em conjunto. A embolização pélvica pode ser realizada sob anestesia local e não requer internamento. Conheça a equipa de cirurgia vascular da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.