11 de novembro de 2024 Autor : Renato Margato A síndrome de Brugada é uma doença cardíaca relativamente rara. No entanto, é bastante temida, porque a sua primeira manifestação clínica pode ser a morte súbita. A morte súbita cardíaca numa pessoa com um coração estruturalmente normal é rara, representa cerca de 5% a 10% dos casos. Entre estes estão os que se devem à síndrome de Brugada, uma doença hereditária, associada a mutações de um gene que afeta a condução elétrica do coração e está associada a um maior risco de arritmias cardíacas e morte súbita. Deve o seu nome a Pedro e Josep Brugada, que a descreveram pela primeira vez em 1992. A incidência varia com a região do globo e é mais alta no Sudoeste Asiático do que na Europa, onde é de 1-5 casos em 10 mil pessoas. Entre as pessoas afetadas, cerca de 80% são homens. As pessoas com esta síndrome geralmente apresentam um padrão característico no eletrocardiograma (ECG), conhecido como padrão de Brugada. Surge muitas vezes em indivíduos assintomáticos, mas pode estar associado a sintomas como desmaios, palpitações e morte súbita. Por vezes, estes doentes têm história na família próxima de casos de morte súbita de causa desconhecida, em idades relativamente jovens. Diagnóstico O diagnóstico é desafiante, pois o padrão de Brugada pode não ser evidente, ser intermitente ou ser confundido com outras condições clínicas ou farmacológicas. Para confirmar o diagnóstico de síndrome de Brugada, o teste de provocação com ajmalina é uma das ferramentas utilizadas. A ajmalina é um fármaco que, quando administrado, pode induzir o padrão de Brugada em indivíduos com predisposição para a síndrome, revelando a anomalia elétrica subjacente. Este teste, que deve ser realizado num ambiente de monitorização clínica rigorosa, envolve a administração de uma dose controlada do fármaco por via intravenosa, com registo contínuo do ECG. As alterações identificadas no eletrocardiograma permitem ao médico concluir o diagnóstico apropriado. O teste genético também pode ser útil para os doentes e seus familiares. Ajuda a identificar algumas das mutações associadas à síndrome de Brugada e a confirmar o diagnóstico. Tratamento da síndrome de Brugada O tratamento varia com a gravidade dos sintomas. Nas pessoas assintomáticas, a vigilância é o foco principal. Nos doentes com história de arritmias ou episódios de síncope, pode ser recomendada a implantação de um cardiodesfibrilhador (CDI) . As pessoas com síndrome de Brugada têm de ser aconselhadas a evitar fatores desencadeantes que podem agravar a condição, incluindo: Alguns medicamentos; Bebidas alcoólicas; Drogas recreativas. A síndrome de Brugada é um exemplo de como anomalias genéticas hereditárias podem estar associadas a distúrbios do ritmo cardíaco. É uma área de investigação que continua atual, uma vez que ainda há muito a esclarecer sobre a identificação dos casos e o risco a longo prazo. O diagnóstico precoce e uma orientação adequada são fundamentais para melhorar o prognóstico dos pacientes. Conheça a equipa clínica de Cardiologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.