20 de fevereiro de 2020 Quais são os tipos de testes cutâneos que existem? Há vários tipos de testes cutâneos , nomeadamente: Testes por picada ( prick test ): são feitos com extratos comerciais, são indolores, de interpretação rápida e extremamente seguros. Testes prick-prick : usados para avaliar a alergia a alimentos, é feita uma picada ( prick ) no alimento em questão e posteriormente na pele do doente. Testes intradérmicos : usados para avaliar alergia a medicamentos, consistem na injeção intradérmica (dentro da pele) de uma pequena quantidade de medicamento. Testes epicutâneos ( patch tests ): consistem na exposição da pele do dorso (costas) a diversos alergénios suspeitos, tendo em conta a história clínica do doente, e avaliação às 48 e 72 horas, mantendo-se os alergénios em contacto com a pele durante este período de tempo. Os testes cutâneos são realizados, regra geral, no antebraço , com exceção dos testes epicutâneos, que se realizam no dorso (costas). É essencial que os testes cutâneos sejam realizados por pessoas com treino adequado , para garantir a sua segurança, reprodutibilidade e relevância clínica. Por que se devem fazer os testes cutâneos de alergia? Cada doença imunoalergológica necessita de investigação específica . Por exemplo, os testes cutâneos por picada, os mais frequentemente realizados, são essenciais por exemplo na suspeita de alergia respiratória. Os testes prick - prick são importantes na alergia alimentar, os testes intradérmicos na alergia medicamentosa e os epicutâneos na dermatite de contacto. Como se fazem os testes cutâneos de picada (prick) e os testes prick-prick? Os testes de picada (prick) e os testes prick-prick são o primeiro método de diagnóstico quando há suspeita de alergia. A sua simplicidade , rapidez de execução, baixo custo e elevada sensibilidade , justificam esta escolha. Através de uma pequena picada é introduzida uma quantidade diminuta de alergénio (antigénio) na epiderme. Se o doente tiver imunoglobulina (Ig) E específica para esse alergénio surge então uma reação que se manifesta por pápula, prurido e eritema após a exposição ao antigénio, com pico aos 20 minutos (reação imediata). Na prática é colocada uma gota do extrato comercial do alergénio na superfície da pele (braço) e com uma pequena lanceta é levantada a camada superficial da pele. São colocados também controlos positivo (com reação conhecida) e negativo (que não provocam reação). Aos 15-20 minutos são registadas as pápulas. Em casos em que não existem alergénios comercializados , como no caso de alguns alimentos utiliza-se a técnica prick-prick , em que a pele é picada após a lanceta ter picado o alimento suspeito . Como se fazem os testes epicutâneos ( patch tests ) Os testes epicutâneos estão preferencialmente indicados no estudo da dermatite de contacto alérgica , em eczemas com localizações precisas (por exemplo mãos, periorbitário e outros) e ainda em eczemas resistentes ao tratamento . Outras situações clínicas poderão requerer estudo complementar com testes epicutâneos, como a alergia medicamentosa não imediata. Os alergénios estão agrupados em diferentes categorias , disponíveis para avaliação por testes epicutâneos. Estas podem basear-se, entre outras, na: atividade laboral/lazer (por ex. série de cabeleireiro ou padeiro); localização da dermatite (por ex. série do calçado); estrutura química semelhante entre compostos (por ex. acrilatos ou resinas epoxi); relação funcional (por ex. série de corticosteroides ou série de cosméticos). Nos testes epicutâneos é colocada uma pequena quantidade de uma série de substâncias suspeitas sobre a pele do dorso (costas) com posterior oclusão com um penso adesivo . Os pensos deverão ser removidos após 48 horas e as leituras são efetuadas subsequentemente dependendo da clínica e dos alergénios testados, 72 e/ou 96 horas após a colocação. Para algumas séries está recomendada uma leitura adicional após 7 dias para observação de eventuais reações hipertardias. Os autores deste texto são os seguintes médicos imunoalergologistas da rede Hospital da Luz: Luís Miguel Borrego, Ana Morais Mendes, Ana Reis Ferreira, Andreia Ferrão, Carlos Braga, Cristina Lopes, Diana Pereira da Silva, Filipa Semedo, Isabel Costa Silva, João Gaspar Marques, Pedro Carreiro Martins, Marta Salgado, Nuno Sousa, Rosa Anita Fernandes, Susana Piedade Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.