24 de junho de 2020 Autora : Ana Calado O que são os tiques? Os tiques são movimentos involuntários súbitos, rápidos, recorrentes, sem propósito e não rítmicos – tiques motores – ou sons e vocalizações – tiques vocais. Podem ser simples e breves, tais como, piscar os olhos, encolher os ombros, limpar a garganta, grunhir, mas também podem ser complexos quando duram mais tempo, combinam vários tiques simples, palavras socialmente inadequadas (coprolalia) ou repetição de sons e palavras de outras pessoas (ecolalia). É possível suprimir os tiques com um esforço consciente, mas apenas por um curto período, uma vez que a compulsão do tique se torna irresistível. Geralmente os tiques não ocorrem durante o sono, mas podem agravar com a ansiedade ou fadiga. Os tiques surgem habitualmente na infância, entre os 4 e os 12 anos, e atingem uma maior gravidade na adolescência. Podem ter um caráter transitório e neste caso duram menos de um ano, ou ser crónicos, quando se mantêm além de um ano. Em alguns casos os tiques ocorrem em famílias e, por isso, pensa-se que possam existir alguns fatores genéticos implicados. Os tiques também podem ser sintomas de outras doenças neurológicas, por exemplo a doença de Wilson e a doença de Huntington, ou secundários a encefalites. O que é a síndrome de Tourette? A síndrome de Tourette foi descrita pela primeira vez no século XIX pelo neurologista francês George Gilles de la Tourette. Trata-se de uma perturbação neurológica caracterizada pela presença de tiques motores e vocais crónicos, portanto com uma duração superior a um ano. Esta doença surge geralmente antes dos 18 anos de idade e é mais frequente no sexo masculino. A maioria dos tiques tende a desaparecer, contudo podem persistir até a idade adulta em cerca de 1% dos casos. Acredita-se que a hereditariedade seja um fator importante no desenvolvimento da síndrome de Tourette, embora a causa da doença não esteja completamente esclarecida. O diagnóstico da síndrome de Tourette é clínico, baseando-se nos sintomas e na sua duração. Pode ser necessário realizar exames de diagnóstico para eliminar a possibilidade de estarem presentes outras doenças neurológicas associadas. Se os sintomas forem ligeiros é importante que as crianças e os pais se mantenham tranquilos. Os tiques tendem a desaparecer se a situação for explicada e compreendida e se houver uma estratégia da família, professores e colegas para não prestar atenção aos tiques. Nos casos mais graves e persistentes pode ser necessário recorrer a terapia cognitivo-comportamental e, em casos em que os tiques interfiram com as atividades e tenham um impacto social, podem estar indicados medicamentos para controlar os sintomas . Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.