16 de maio de 2024 Autor: Carlos Palos Coordenador do Grupo de Coordenação Central de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos da Luz Saúde A tosse convulsa é uma doença respiratória infeciosa e contagiosa que é endémica em todo o mundo, com picos a cada 3-5 anos. Também se chama coqueluche ou pertússis; Deve-se à bactéria Bordetella pertussis ; É caracterizada, principalmente, por uma tosse muito grave e persistente, que pode comprometer a respiração e levar a convulsões, razão do nome da doença; Os casos graves, eventualmente mortais, podem ser prevenidos eficazmente por vacinação e a tosse convulsa em pessoas vacinadas tem apenas sintomas ligeiros; A vacina contra a tosse convulsa faz parte do Programa Nacional de Vacinação português desde 1966 e a primeira dose é administrada aos 2 meses de idade. Nas grávidas deve ser feito um reforço de vacinação. Sintomas e evolução da doença A tosse convulsa tem três fases de evolução características: Fase catarral: dura 1-2 semanas e caracteriza-se por sintomas de infeção respiratória superior (constipação), com espirros, corrimento nasal, nariz entupido, tosse seca e ligeira, febre baixa. Fase paroxística: dura 2-6 semanas, os sintomas de constipação ficam mais ligeiros, mas a tosse agrava-se. Associado à tosse que é mais intensa e mais frequente durante a noite e que se agrava com o choro e com o engolir, pode haver ainda: Engasgamento e vómitos; Dificuldade respiratória; Colocação azulada da pele e dos lábios (cianose). Pode ainda haver inchaço da língua e ruído que se assemelha a um grito durante a inspiração depois de um ataque de tosse. Fase de convalescença: a tosse começa a melhorar, passa a ser menos intensa e menos frequente, mas pode manter-se durante meses. O ruído durante a inspiração e os vómitos desaparecem. Alguns casos podem não obedecer a este padrão da doença, especialmente: Os recém-nascidos e lactentes até aos 4 meses de idade, não vacinados ou que ainda só receberam uma dose da vacina, em que a doença pode ser particularmente grave. As crianças, jovens e adultos vacinados, em que o padrão da doença não é tão marcado e os sintomas são muito mais ligeiros. Transmissão da tosse convulsa A tosse convulsa é muito contagiosa . Transmite-se muito facilmente de pessoa a pessoa através das gotículas expelidas com os espirros e tosse, bem como por contacto com objetos contaminados por secreções infetadas. Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode ficar infetada pela Bordetella pertussis , particularmente se não foi vacinada. O período de incubação é em média de 7-10 dias, com limites que podem variar entre 5 e 21 dias. O contágio é mais importante na primeira fase da doença (catarral). Deste modo, sugere-se que as pessoas que contactem com casos conhecidos utilizem máscara cirúrgica, não partilhem o mesmo espaço e higienizem as mãos após contactarem com doentes. Diagnóstico e tratamento Quando há suspeita de tosse convulsa são habitualmente realizados alguns exames para confirmar ou excluir a doença: Uma pesquisa da Bordetella pertussis numa amostra obtida por zaragatoa da nasofaringe; Análises de sangue; Radiografia do tórax. Sendo uma doença provocada por uma bactéria, a tosse convulsa é tratada com antibióticos . O tratamento é mais eficaz nas fases iniciais após realização de uma análise para identificação da bactéria: Ainda durante o período de incubação, depois de confirmação da infeção; Na fase catarral diminui ou elimina os sintomas; Na fase paroxística não altera os sintomas. Além do tratamento com antibióticos o tratamento da tosse convulsa inclui também: Repouso; Hidratação, particularmente se os vómitos forem frequentes; Adaptação das refeições para evitar que desencadeiem vómitos; É comum os bebés até ao ano de idade com tosse convulsa precisarem de internamento hospitalar para serem tratados. Prevenir a tosse convulsa Prevenir a tosse consulta começa com o cumprimento rigoroso do Programa Nacional de Vacinação . A vacina contra tosse convulsa inclui 5 doses, administradas entre os 2 meses e os 5 anos de idade, com vacinas multivalentes (destinam-se também a proteger contra outras doenças). Além disso, todas as grávidas devem fazer um reforço de vacinação entre a 4ª e a 32ª semana de todas as gravidezes para proteger os recém-nascidos. Outras medidas: Lavar bem as mãos e com frequência ; Proteger a boca e o nariz quando se espirra ou tosse; Não estar próximo de bebés e crianças enquanto se faz um tratamento para a tosse convulsa; Se houver em casa uma criança com tosse convulsa, assegurar que todas as outras pessoas em casa estão vacinadas. Tosse convulsa em Portugal De acordo com os dados relativos a 2023, em Portugal a cobertura vacinal da 5ª dose de vacina contra tosse convulsa atingiu os 95% e estima-se que 85% das mulheres grávidas elegíveis tenham sido vacinadas. No entanto, registou-se no nosso país um aumento do número de novos casos de tosse convulsa , tendo sido notificados mais casos nos primeiros quatro meses de 2024 (200 casos) do que na totalidade de 2023 (22 casos) e no último ano pré-pandémico (66 casos em 2019). Este aumento do número de casos parece afetar vários países da União Europeia / Espaço Económico Europeu. A maioria dos casos confirmados em Portugal ocorreu em idade pediátrica (86%): Principalmente em crianças com 10-13 anos (21%) e com idade inferior a 1 ano (20%). 22% dos casos pediátricos ocorreram em crianças sem evidência de vacinação ou com esquema vacinal incompleto e 8 casos (5%) em lactentes abaixo da idade de vacinação. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.