Atualização | 21 de abril de 2021 Autor : André Lázaro A obesidade é uma doença que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo números da Organização Mundial de Saúde, estima-se que cerca de 13% da população mundial sofra de obesidade. O maior sedentarismo associado ao agravamento de problemas alimentares da população relacionados com a pandemia de COVID-19, o confinamento e o teletrabalho tornam previsível um aumento importante dos problemas de obesidade nos próximos anos . As doenças habitualmente associadas à obesidade, como a diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão arterial, a dislipidemia ou a apneia do sono constituem a síndrome metabólica, cujos efeitos na qualidade de vida, risco cardiovascular e de morte prematura são devastadores para os doentes e suas famílias. A obesidade classifica-se em graus de gravidade, tendo por base o índice de massa corporal (IMC), que relaciona o peso com a altura: IMC (kg/m 2 ) = peso (kg) / altura 2 (m) Um IMC superior a 40 kg/m 2 indica obesidade mórbida . Tratamento da obesidade As primeiras e mais permanentes medidas a serem implementadas num programa de perda de peso são a instituição de: Uma dieta hipocalórica equilibrada e adaptada a cada indivíduo; Um padrão de refeições correto; Prática regular de exercício físico. Estas medidas exigem a introdução de alterações profundas nos hábitos de vida e das escolhas individuais — em geral, são bastante mais fáceis de indicar do que de seguir — o que torna este processo frequentemente difícil e com uma fraca taxa de sucesso. É, por isso, aconselhável um acompanhamento por profissionais da área da nutrição e da psicologia . Em algumas situações, e com um papel complementar às medidas acima referidas, são prescritos medicamentos no tratamento da obesidade. A utilização isolada de medicamentos nestas situações não é considerada uma opção adequada para perder peso e conseguir mantê-lo. Nos casos de obesidade mórbida ou em situações em que estão presentes complicações que colocam a vida em risco, está indicado o tratamento cirúrgico da obesidade ou cirurgia bariátrica . Cirurgia da obesidade Sabe-se atualmente que para doentes com um IMC superior a 40 kg/m 2 , ou obesidade mórbida, a melhor opção de tratamento é a cirurgia de obesidade. A cirurgia está também indicada em doentes com IMC superior a 35 kg/m 2 com doenças associadas relacionadas com a síndrome metabólica. Os candidatos a cirurgia da obesidade devem fazer sempre uma avaliação e seguimento pré-operatório com uma equipa multidisciplinar, que inicie o processo de mudança de estilo de vida antes da intervenção cirúrgica e que mantenha o seguimento pós-operatório. As opções cirúrgicas são várias, sendo as cirurgias mais frequentemente realizadas: Bypass gástrico em Y de Roux ; Sleeve gástrico ou gastrectomia vertical . Estes procedimentos são realizados por cirurgia minimamente invasiva ou videocirurgia – laparoscópica ou robótica – e implicam um período de internamento curto, em média de 2 a 3 dias. Esta abordagem minimamente invasiva permite uma recuperação rápida e regresso precoce à actividade laboral. Nos casos em que tem indicação, a cirurgia de obesidade é a melhor opção para tratamento da obesidade mórbida e das doenças associadas, permitindo aos doentes uma melhoria da sua saúde e da qualidade de vida. Implica, no entanto, um seguimento médico periódico e a manutenção de um estilo de vida saudável . Conheça a equipa de cirurgia geral da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.