31 de março de 2023 Autor : Saraiva da Cunha A tricomoníase é a infeção sexualmente transmissível não viral mais comum. Estima-se que em 2020 tenham ocorrido 156 milhões de novos casos de tricomoníase em todo mundo. A infeção é provocada por um parasita, um protozoário que tem o nome de Trichomonas vaginalis; O contágio da tricomoníase acontece nas relações sexuais vaginais com alguém que esteja infetado, mesmo que não tenha sintomas; Habitualmente as mulheres são contagiadas por homens ou por outras mulheres; os homens são contagiados apenas por mulheres e não transmitem a infeção a outros homens. Sintomas e diagnóstico Muitas pessoas que tem tricomoníase desconhecem-no, porque a infeção pode não provocar sintomas. Esta ausência de sintomas é mais comum nos homens do que nas mulheres. Quando há sintomas: Nos homens , a tricomoníase provoca inflamação e infeção da uretra (uretrite) com: Irritação ou ardor ao urinar; Eventualmente, corrimento pela uretra. Nas mulheres , os sintomas comuns são: Dor, ardor ou desconforto ao urinar; Dor ou desconforto nas relações sexuais; Prurido (comichão) na região genital; Corrimento vaginal mais abundante e espesso do que o habitual, de cor amarelada ou esverdeada e odor desagradável. Devem ser procurados cuidados médicos: Sempre que os sintomas atrás referidos estejam presentes; Quando houve relações sexuais com alguém com tricomoníase ou apenas com suspeita de que possa ter esta infeção. O diagnóstico de tricomoníase é feito com base nos sintomas que possam estar presentes, na história relatada, no exame do doente e em análises de diagnóstico. Para estas análise é usada uma amostra do corrimento vaginal nas mulheres e uma amostra de urina ou de corrimento uretral nos homens. Tratamento da tricomoníase O tratamento da tricomoníase é simples e eficaz. É feito com medicamentos antiparasitários . Abrange a pessoa a quem foi diagnosticada tricomoníase e qualquer parceiro sexual recente, mesmo que não tenha sintomas; Se os parceiros sexuais não forem tratados, o risco de reinfeção é elevado, bem como o de contagiar outras pessoas; Durante o tratamento é necessário abster-se de relações sexuais; No final do tratamento é necessário, frequentemente, repetir as análises para verificar se a infeção ficou resolvida. Complicações da tricomoníase A tricomoníase não tratada aumenta o risco de: Infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH/SIDA) e de outras infeções sexualmente transmissíveis; Uretrite (inflamação e infeção da uretra) e cistite (inflamação e infeção da bexiga); Doença inflamatória pélvica; Infeção da próstata nos homens; Quando a tricomoníase ocorre nas grávidas: parto prematuro, peso baixo ao nascimento e sintomas como febre, dificuldade respiratória e infeção urinária, entre outros, nos recém-nascidos. Prevenir a tricomoníase Usar preservativo sempre que se tem relações sexuais diminui o risco de ficar infetado. Não ter relações sexuais, mesmo usando preservativo, quando se sabe ou se suspeite de infeção , impede que se fique infetado ou que se contagie alguém, caso um dos envolvidos tenha tricomoníase. O facto de se tido tricomoníase e de esta ter sido tratada com sucesso, não significa que não se possa ficar infetado novamente. Assim, adotar sempre medidas de prevenção é importante tanto para evitar uma infeção como uma re-infeção. Fontes Centers for Disease Control and Prevention. Trichomoniasis . Sobel JD, Mitchell C. Trichomoniasis: clinical manifestations and diagnosis . Conheça a equipa clínica de infecciologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.