14 de março de 2019 Autora : Ana Castro Vacinar é fundamental! Em Portugal, administram-se vacinas desde o início do século XIX, mas foi apenas a partir de 1965, com a criação do Programa Nacional de Vacinação (PNV), que os ganhos em saúde se tornaram significativos. Desde então, foram vacinadas milhões de crianças e adultos ao abrigo do PNV que é universal e gratuito . Não restam dúvidas de que a vacinação contra as principais doenças é fundamental para a sobrevivência infantil. Com a introdução de esquemas regulares de vacinação, o número global de mortes em crianças com idade inferior a 5 anos tem vindo a diminuir progressivamente . Assim, as crianças alcançam um melhor início de vida, fundamental para que possam crescer com saúde e desenvolver todo o seu potencial. O que são vacinas? Uma vacina é uma substância derivada de um agente infeccioso causador de doença ou quimicamente semelhante a esse agente. Quando um indivíduo é vacinado, o seu sistema imunitário reage como se tivesse sido infetado pelo dito agente, passando a produzir anticorpos (defesas) contra a doença. Algumas vacinas conferem proteção total . Nesse caso, o indivíduo vacinado não sofre a doença , mesmo que entre em contacto com o agente infeccioso. Outras, não sendo capazes de prevenir doença, conseguem proteger das suas formas mais graves . Contudo, convém ter presente que, em qualquer um dos casos, o risco inerente à toma da vacina será sempre menor do que o risco e as sequelas da doença. Que tipos de vacinas existem? Basicamente, existem 3 tipos de vacinas : As vacinas inativadas : vacinas em que os microrganismos são mortos por agentes químicos. A sua grande vantagem é a total ausência de poder infeccioso do agente (incapacidade de se multiplicar no organismo do indivíduo). Ou seja, estas vacinas não provocam a doença, mas têm a capacidade de induzir proteção contra a doença. A maioria das vacinas do Programa Nacional de Vacinação e extra-PNV são deste tipo; As vacinas “vivas” ou atenuadas : vacinas em que o microrganismo, obtido a partir de um indivíduo ou animal infetado é atenuado, diminuindo o seu poder infeccioso. O microrganismo mantém a capacidade de se multiplicar no organismo do indivíduo vacinado (não causando doença) e induz uma resposta imunitária adequada. Habitualmente, basta a administração de uma única dose para produzir imunidade para toda a vida. Exemplos destas vacinas são: A BCG (vacina contra a tuberculose); A vacina contra o rotavírus; A vacina contra a varicela; A vacina contra o sarampo, papeira e rubéola (VASPR). As vacinas produzidas por recombinação genética : vacinas produzidas através de modernas técnicas de biologia molecular e engenharia genética. O antigénio é produzido por outros microrganismos (por exemplo, leveduras). Exemplos destas vacinas incluem: A vacina contra a hepatite B; A vacina contra o papilomavírus humano (HPV). Quando tomar as vacinas? Com exceção de situações muito particulares, o PNV deverá ser respeitado na íntegra e, a maior parte das vacinas, requer a administração de várias doses. Existem várias outras vacinas que não estão integradas neste esquema universal, mas que são igualmente importantes e estão recomendadas , particularmente, em idade pediátrica. Os pais deverão, por isso, aconselhar-se junto do pediatra ou médico assistente. A maioria das vacinas pode ser administrada simultaneamente , pois não interfere com a resposta imunológica de outras. Quais são os efeitos secundários das vacinas? As reações adversas mais frequentes e menos graves ocorrem no local da injeção e são: Dor; Edema; Eritema; Rubor. Podem ocorrer em até 50% das doses administradas , dependendo do tipo de vacina. São mais comuns após a toma de vacinas inativadas . As reações mais generalizadas consistem em: Febre; Mal-estar; Fadiga; Irritabilidade; Alterações do sono; Dores musculares; Dores de cabeça; Tonturas; Náuseas; Perda de apetite. Estes sintomas são comuns e inespecíficos , sendo mais frequentes após a administração de vacinas vivas atenuadas . Existem ainda reações alérgicas potencialmente mais perigosas . Felizmente, estas reações são raras , ocorrendo numa frequência inferior a uma para cada meio milhão de doses administradas. Podem estar relacionadas com qualquer componente da vacina, surgindo, geralmente, pouco tempo após a administração. Nunca devemos esquecer que a gravidade de qualquer das doenças preveníveis por uma vacina é sempre superior ao risco de ter uma reação adversa à vacinação. Há contraindicações à toma de vacinas? As vacinas disponíveis através do PNV ou por prescrição médica são globalmente seguras . Assim, as contraindicações são: Reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina ou a algum dos seus constituintes; Imunodeficiência grave, apenas para as vacinas “vivas” (BCG, sarampo, rubéola, papeira, varicela e rotavírus); Gravidez, apenas para as vacinas “vivas”. Na criança com doença aguda grave , é sensato protelar a vacinação para o momento em que haja melhoria clínica . Se tiver havido reação alérgica não grave a uma vacina, deve ser considerada a administração de nova dose da mesma vacina em meio hospitalar. É importante saber que não são contraindicações as a seguir apresentadas: Ter tido em vacinação anterior: Febre; Dor/tumefação no local da injeção; Irritabilidade; Sonolência; Convulsão febril simples (na criança entre os 6 meses e 5 anos); Vómitos; Diarreia; Dores nos membros. Estar com doença aguda ligeira (“constipação” ou diarreia), com ou sem febre; Estar a tomar medicamentos (desde que estes não tenham ação supressora da imunidade); Ter doença crónica (de pele, coração, pulmão, rim, fígado ou doença neurológica não evolutiva); Ter um familiar com reação grave à mesma vacina. Em caso de dúvida, deverá esclarecê-las com seu pediatra ou médico assistente . A população infantil deve ser universalmente vacinada com os esquemas aprovados em cada país, respeitando doses e intervalos sugeridos. As vacinas são a nossa melhor arma para combater as infeções . Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz encontra médicos especialistas em pediatria , que fazem o acompanhamento da saúde das crianças e jovens. Conheça a equipa de pediatria da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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