29 de agosto de 2024 Autor : Pedro Manso A melhor posição do bebé para um parto vaginal é a apresentação cefálica, ou seja, com a cabeça virada para baixo. A maioria dos bebés - mais de 95% - está nesta posição às 36 semanas de gestação. A versão cefálica por manobras externas ou versão cefálica externa é uma manobra de manipulação do bebé através da parede abdominal da mãe que tem como finalidade posicioná-lo em apresentação cefálica para nascer. Pode ser uma opção a considerar quando um bebé está em posição pélvica (sentado) ou em situação transversa (atravessado), para aumentar a probabilidade de um parto vaginal. Todas as grávidas podem fazer? A maioria das grávidas com fetos em posição pélvica ou situação transversa pode ser submetida a esta manobra. No entanto, há situações que contraindicam a sua realização , como: Todas as circunstâncias em que não esteja indicado um parto vaginal; Estado fetal não tranquilizador, restrição do crescimento fetal; Pré-eclâmpsia grave; Presença de duas ou mais voltas de cordão umbilical a rodear o pescoço. Hemorragia vaginal por descolamento da placenta; Rotura de membranas; Gravidez múltipla. Quando é feita? Em média, a taxa de sucesso da versão cefálica externa é de 50%, atingindo o valor máximo quando é realizada às 36-37 semanas . Se for mais precoce, o risco de parto pré-termo e de reversão da posição é maior; depois das 38 semanas, é mais difícil principalmente porque o volume do bebé dificulta a sua realização. Além disso, até às 36 semanas ainda há uma probabilidade elevada de o bebé adotar uma apresentação cefálica sozinho. A taxa de sucesso é ligeiramente inferior nas primeiras gravidezes. Quando o bebé está em situação transversa (atravessado), a probabilidade de sucesso da manobra é superior à apresentação pélvica (sentado). Quando há placenta anterior a probabilidade de sucesso é inferior porque é mais difícil palpar o feto e mobilizá-lo. Se as costas do bebé estiverem viradas para a frente a manobra é dificultada e se a cabeça for facilmente palpável , a manobra é facilitada. Quando a manobra é realizada com sucesso, 97% dos bebés mantêm-se em posição cefálica até ao parto . Como é feita a versão cefálica externa Esta manobra deve ser feita em ambiente hospitalar, com capacidade de realizar uma cesariana emergente . Antes do procedimento é feita: Uma ecografia para confirmar a posição do bebé, quantificar o líquido amniótico e avaliar a localização do cordão umbilical e da placenta. Um cardiotocograma (CTG) para avaliar os batimentos cardíacos do bebé e as contrações uterinas com sensores colocados na barriga. A manobra é feita com a grávida deitada de costas, com ligeira inclinação para a esquerda. Com as mãos na barriga da grávida, o médico pressiona as nádegas e cabeça do bebé para que ele faça um movimento semelhante a uma cambalhota. Não são feitas mais de 3 tentativas . A versão cefálica externa é uma manobra segura e bem tolerada. Pode haver algum desconforto que é variável de grávida para grávida. Depois da manobra, com ou sem sucesso, é feita uma nova avaliação por CTG e administrada imunoglobulina anti-D se a grávida for Rh negativa. Riscos e complicações da versão cefálica externa As complicações da versão cefálica externa são raras . Em geral, limitam-se a uma diminuição transitória da frequência cardíaca do bebé, ou, ainda mais raramente, a rotura prematura de membranas e hemorragia vaginal ligeira. Em 0,45% das versões cefálicas externas pode ocorrer descolamento da placenta ou diminuição sustentada da frequência cardíaca do bebé que implicam a realização rápida de uma cesariana. Por este motivo, a versão cefálica externa só deve ser realizada num contexto hospitalar que permita a realização imediata de uma cesariana. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.