20 de maio de 2019 Autora : Sandra Sousa e Castro O que é vertigem? Vertigem não é um diagnóstico, é um sintoma / descrição de uma sensação. As perturbações do equilíbrio provocam sensações que são difíceis de descrever em palavras. Perante queixas de perturbações do equilíbrio, a preocupação inicial é enquadrá-las, distinguindo se se trata de: Vertigem , que é uma falsa sensação de movimento próprio ou do ambiente . Normalmente, o movimento percebido é rotatório – sensação de girar ou rodar – mas, em alguns casos, a pessoa apenas sente que é puxada para um lado. Geralmente esta sensação está associada a náuseas e vómitos . Desequilíbrio , que corresponde a uma sensação de instabilidade, de tendência de queda ao caminhar. Tontura , que é um termo mais impreciso e pode referir-se a sensações como flutuação, “cabeça vazia”, “cabeça fora do corpo”, visão turva, fraqueza nos membros inferiores e quase desmaio. Quem pode sofrer de vertigem? Globalmente, as alterações do equilíbrio, são muito frequentes , estima-se que afetem cerca de 15% a 30% dos adultos. Também podem ocorrer em crianças, apesar de ser menos frequente. A prevalência de vertigem aumenta com a idade e atinge aproximadamente 40% das pessoas acima de 40 anos, em algum momento da vida. As crises de vertigem podem ser incapacitantes , impedindo a pessoa de trabalhar ou até mesmo de sair de casa. As quedas podem ser frequentes e com sequelas graves. Qual a causa da vertigem? A vertigem pode ser de causa: Central , quando se deve a doenças cerebrais, como tumores, doenças degenerativas, acidentes vasculares cerebrais, tóxicos e infeções como meningite, encefalite ou abcessos. Periférica , quando se deve a alterações ao nível do ouvido interno , mais especificamente do sistema vestibular . Em um quarto dos casos , a causa da sensação de vertigem é vestibular , ou seja, está relacionada com doenças do ouvido interno. Entre as doenças do ouvido interno a que estão associados sintomas de vertigem estão: Vertigem posicional paroxística benigna , que é a mais comum e que se deve ao deslocamento dos otólitos (conhecidos vulgarmente como cristais) fazendo com que ocorram episódios breves de vertigem relacionados com movimentos da cabeça, que se notam sobretudo ao rodar, deitar e levantar da cama. Neuronite vestibular , que é uma inflamação do nervo que transmite a informação do equilíbrio causando uma vertigem súbita e intensa, geralmente com duração de alguns dias. Labirintite , que é uma neuronite vestibular associada a perda auditiva. Doença de Ménière , em que ocorrem crises recorrentes de vertigem, surdez, zumbido e sensação de plenitude no ouvido afetado. Enxaqueca vestibular , que se manifesta em doentes que sofrem de enxaqueca, mas as crises de vertigem nem sempre ocorrem associadas a dor de cabeça e o doente queixa-se também de intolerância á luz e ao ruído. Como é feito o diagnóstico? São fundamentais para estabelecer o diagnóstico da causa de vertigem: História clínica detalhada; Exame otoneurológico. Pode também ser necessário recorrer a exames audiovestibulométricos que avaliam a função auditiva e vestibular, como: Audiograma; Potenciais evocados auditivos; Videonistagmografia; Eletrococleografia; Posturografia dinâmica. Como se trata a vertigem? A vertigem posicional paroxística benigna é tratada através de manobras em que os otólitos (“cristais”) são reposicionados . Estas manobras são realizadas na consulta e têm uma eficácia elevada na resolução do problema. O tratamento das outras doenças que podem associar-se a sintomas de vertigem pode envolver: Implementação de medidas dietéticas; Alterações do estilo de vida; Medicação; Reabilitação vestibular. A reabilitação vestibular consiste na realização de exercícios específicos em equipamentos sofisticados, planeados individualmente com base nas especificidades de cada caso. Tem como objetivo melhorar a vertigem e o equilíbrio, permitindo retomar as atividades profissionais e do quotidiano contribuindo assim para a recuperação da autoconfiança e melhoraria da qualidade de vida. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.