20 de maio de 2019 Autor : Pedro Oliveira E porque todas as gestações são diferentes, a gravidez é um momento único na vida de uma mulher pelo que a sua vigilância e acompanhamento são fundamentais. Porque se deve vigiar a gravidez? Ficou demonstrado nas últimas décadas que a acessibilidade aos cuidados de saúde especializados na gravidez, desde o planeamento ao parto e ao pós-parto, diminui drasticamente a morbilidade e mortalidade materna, fetal e infantil. Entre os fatores recentes encontram-se: Alterações demográficas; A baixa natalidade; Mulheres que têm cada vez menos filhos e em idades mais avançadas. Neste cenário, alcançar melhores resultados e ganhos em saúde durante a gravidez só é possível se a gravidez for enquadrada num conjunto de intervenções que deve: Iniciar-se na consulta de pré-conceção; Finalizar na consulta de puerpério. Consulta de pré-conceção Todas as mulheres em idade fértil devem ter informação relativa à importância das primeiras semanas de gravidez, de modo a poderem fazer escolhas esclarecidas acerca do seu futuro reprodutivo. Assim, recomenda-se que quando uma mulher ou um casal manifestem vontade de avançar para uma gravidez, realizem uma avaliação específica em consulta de pré-conceção antes de interromper o método contracetivo que estejam a utilizar. Esta consulta tem como objetivos: Avaliar a saúde materna; Fazer um rastreio analítico pré-concecional; Iniciar a suplementação vitamínica; Transmitir recomendações importantes. A avaliação permite orientar a mulher e o casal para o eventual risco associado à gestação. Este risco, que pode mudar ao longo da gravidez, deve ser reavaliado em todas as consultas. O esquema de consultas, exames e intervenções deve ser adaptado ao grau de risco de cada gravidez. Assim: Numa gravidez de baixo risco , as consultas têm, em média, uma periodicidade mensal; As grávidas de alto risco , dependendo das especificidades dos seus problemas, podem necessitar de consultas e intervenções mais frequentes e devem ser seguidas por equipas vocacionadas para a abordagem dos fatores de risco existentes. Que fatores de risco devem considerar-se? Algumas grávidas apresentam risco desde o início da gravidez, se tiverem doenças crónicas como, por exemplo: Hipertensão arterial; Diabetes; Doença cardíaca; Epilepsia; Doenças da tiroide. Parto prematuro anterior ou história de gravidez sem sucesso devem ter-se em consideração como fatores de risco. Também numa gravidez normal podem ocorrer situações que a transformam em gravidez de risco, por exemplo: Hipertensão gestacional; Diabetes gestacional; Colestase da gravidez; Alterações do crescimento fetal e/ou do líquido amniótico. Objetivos da vigilância da gravidez Avaliação do bem-estar materno-fetal e dos resultados dos exames complementares de diagnóstico; Deteção precoce de situações que possam desviar a gravidez do seu curso normal; Identificação de fatores de risco e promoção da educação para a saúde; Preparação para o parto e para a parentalidade; Informação sobre deveres e direitos parentais. Fases da gravidez A determinação da idade gestacional é um dos aspetos mais importantes da gravidez, sendo feita com base na data da última menstruação. A idade pode ser revista e eventualmente corrigida com os dados da ecografia do 1.º trimestre. Consultas pré-natais Nas consultas pré-natais deve fazer-se o registo de informação no Boletim de Saúde da Grávida e promover-se a partilha e a aprendizagem de informações relevantes com a grávida e sua família, como: Alimentação saudável, alimentos seguros e adequados durante a gravidez; Atividade física regular, e sua importância ao longo da gravidez; Saúde sexual e sexualidade durante a gravidez; Sinais de alerta e situações de desconforto durante a gravidez; Promover a otimização ou a mudança de hábitos de vida durante a gravidez. Calendário das consultas pré-natais 1ª consulta: idealmente até às 12 semanas; Até 30 semanas: consulta a cada 4 a 6 semanas; Das 30 às 36 semanas: consulta a cada 2 a 3 semanas; Depois das 36 semanas: consulta a cada 1 a 2 semanas. Análises clínicas As análises clínicas pedidas nas consultas pré-natais têm como objetivo rastrear, prevenir ou tratar situações passíveis de colocar em risco a saúde materna, fetal ou perinatal. Objetivo das ecografias As ecografias têm como objetivo confirmar: A viabilidade fetal; Datar corretamente a gravidez; Complementar o rastreio de eventuais malformações fetais; Avaliar o desenvolvimento e bem-estar fetal; Estimar o peso do feto. Quando devem fazer-se as ecografias? 1º Trimestre: entre as 11 e as 13 semanas; 2º Trimestre: entre as 20 e as 22 semanas; 3º Trimestre: entre as 30 e as 32 semanas. Cursos de preparação para o parto As consultas pré-natais e os cursos e aulas de preparação para o parto e para a parentalidade são muito importantes como forma de informar, esclarecer e preparar a grávida, o casal e a família. Desenvolve-se a confiança e promovem-se competências para uma melhor vivência da gravidez, do parto e da transição para a parentalidade. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.