14 de dezembro de 2020 Autora : Iolanda Fernandes O vitiligo é uma dermatose inflamatória crónica que afeta a pele e as mucosas. Caracteriza-se pela presença de máculas ou manchas despigmentadas e bem delimitadas. Esta despigmentação deve-se à destruição seletiva de melanócitos funcionais. Os melanócitos são as células que produzem a melanina, que é o pigmento responsável pela cor da pele. O vitiligo atinge aproximadamente entre 0,5% a 1% da população. A sua prevalência é semelhante em ambos os géneros e em todas as raças. Pode surgir em qualquer idade. No entanto, frequentemente tem início antes dos 20 anos de idade. A doença não afeta a esperança de vida. No entanto, pode ter um impacto muito significativo na qualidade de vida, principalmente a nível psicológico, e ser responsável por distúrbios como depressão e ansiedade. Qual a causa do vitiligo? As causas do vitiligo não são completamente conhecidas. Sabe-se que é uma doença multifatorial, ou seja, para cujo desenvolvimento podem contribuir vários fatores. Entre estes estão fatores genéticos, autoimunes e ambientais. Engloba defeitos intrínsecos dos melanócitos e reações imunológicas complexas. Alguns doentes relacionam o início da doença com eventos específicos, tais como stress emocional, doença, gravidez, traumatismo, mais ainda não existe consenso científico sobre este assunto. Como se manifesta a doença? A apresentação clínica mais comum do vitiligo são máculas ou manchas amelanóticas (brancas) , circundadas por pele normal. Estas manchas brancas podem atingir qualquer região do corpo: Localizam-se mais frequentemente na face, dorso das mãos, axilas e região genital; Também podem aparecer nas mucosas da boca (oral), nariz (nasal) e genital; O cabelo, as sobrancelhas, as pestanas e a barba também podem ser brancos. Em algumas pessoas observa-se fenómeno de Koebner , que é o aparecimento de novas lesões de vitiligo em áreas em que há um traumatismo, por exemplo uma ferida. Habitualmente as manchas de vitiligo não provocam quaisquer sintomas, embora alguns doentes refiram prurido (comichão) ou ardor. Existem essencialmente 2 formas clínicas: Vitiligo vulgar : é o mais frequente e carateriza-se pela presença de múltiplas manchas dispersas pelo corpo; Vitiligo segmentar : atinge apenas uma metade ou região do corpo. Este tipo é mais frequente em idades mais jovens, tende a progredir durante 1 ou 2 anos e depois estabiliza. Associação com outras doenças O vitiligo pode estar associado a doenças autoimunes. A doença auto-imune da tiróide é a patologia mais frequentemente associada, podendo ocorrer em cerca de 15% dos doentes. Outras patologias menos usualmente associadas incluem a alopécia areata, a anemia pernicosa, a diabetes mellitus, o lupus eritematoso, entre outras. Diagnóstico e tratamento do vitiligo O diagnóstico desta doença é feito com base na presença das manchas típicas da doença. É muito raro ter de fazer uma biopsia da pele para confirmar o diagnóstico. Em doentes com pele clara as lesões podem ser subtis e pode ser necessária a observação com lâmpada de Wood. É difícil prever a evolução do vitiligo . Por vezes as lesões deixam de progredir e recuperam a pigmentação sem qualquer tratamento; No entanto, na maioria dos casos observa-se um agravamento progressivo. Atualmente não existe tratamento curativo para o vitiligo. As terapêuticas mais utilizadas são: Aplicação tópica de corticóides e inibidores da calcineurina; Fototerapia com UVBb e PUVA; Cirurgia com micro-enxertos, em situações de doença estável. A resposta ao tratamento é lenta e a repigmentação das lesões pode não ocorrer, apesar da realização de tratamentos intensivos. Também é importante ressalvar que existe uma probabilidade significativa de recorrência da despigmentação após o tratamento. Refe rências Alikhan A, Felsten LM, Daly M, Petronic-Rosic V. Vitiligo: A comprehensive overview Part I. Introduction, epidemiology, quality of life, diagnosis, differential diagnosis, associations, histopathology, etiology, and work-up . J Am Acad Dermatol 2011;65:473-91. Bolognia JL, Schaffer JV, Cerroni L. Dermatology, 4th ed. Elsevier, 2018. Migayron L, Boniface K, Seneschal J. Vitiligo, From physiopathology to emerging treatments: A review . Dermatol Ther 2020;10:1185-98. Rodrigues M, Ezzedine K, Hamzavi I, Pandya AG, Harris JE. New discoveries in the pathogenesis and classification of vitiligo . J Am Acad Dermatol 2017;77:1-13. Conheça a equipa de dermatologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.