13 de junho, 2024 Autor: Saraiva da Cunha A doença, infeção ou febre zika é provocada pelo vírus zika , que pertence ao género flavivírus . O seu nome deve-se ao local onde foi identificado pela primeira vez em 1947: a floresta Zika, no Uganda. Os primeiros surtos de febre zika ocorreram em 2007 em África e em ilhas da Micronésia, no Oceano Pacífico. Nos anos seguintes foram-se repetindo surtos noutras ilhas do Pacífico e em 2014 foram identificados os primeiros casos de zika no Brasil. Desde então, foram diagnosticados vários casos no continente americano e na Europa, tanto em pessoas que tinham viajado para regiões do mundo onde o vírus é endémico como infeções de transmissão local. Em Portugal foram diagnosticados os primeiros casos de zika em 2016, no total 21. Em 2017 foi diagnosticado um caso numa criança com menos de 1 ano de idade e um novo caso foi notificado em 2020. Transmissão do vírus zika Tal como os vírus da febre amarela, do dengue, da encefalite japonesa, entre outros, o vírus zika é um arbovírus , o que significa que é transmitido por artrópodes, neste caso mosquitos. O Aedes aegypti é a principal espécie transmissora , mas o Aedes albopictus também tem um papel importante, principalmente fora das regiões tropicais, como é o caso de Portugal. Estes mosquitos vivem junto dos habitats humanos , põem ovos em acumulações de água naturais ou artificiais e voam distâncias curtas. São as fêmeas infetadas que transmitem o vírus , quando picam para se alimentar de sangue, que precisam para conseguirem completar o seu ciclo biológico. Se não estiverem infetadas e picarem uma pessoa infetada pelo vírus zika, podem ficar infetadas e passar a transmitir a doença a outras pessoas. Estes mosquitos picam durante o dia , principalmente ao amanhecer e ao anoitecer. No caso do vírus zika, há outras formas conhecidas de transmissão : Por contacto, principalmente sexual . Nas pessoas infetadas, o vírus sobrevive no sémen durante bastante tempo e, também nos fluidos vaginais . Pode ser transmitido durante o sexo vaginal, anal ou oral . A transmissão pode acontecer mesmo quando não há sintomas ou depois destes terem desaparecido. De mãe para filho durante a gravidez e o parto , com consequências graves, por exemplo: Microcefalia congénita Convulsões Atrasos do desenvolvimento físico e cognitivo Dificuldade em engolir Problemas de equilíbrio, mobilidade, visão e audição Sintomas e diagnóstico A infeção pelo vírus zika pode não provocar quaisquer sintomas. Na maioria das pessoas, é ligeira e autolimitada, ou seja, resolve-se por si, geralmente em 4 a 7 dias. Os sintomas de zika não são específicos, sendo os mais comuns: Febre baixa Dores de cabeça Dores nas articulações Conjuntivite, com vermelhidão, lacrimejar, edema das pálpebras, sensibilidade à luz e dor na região dos olhos Erupção na pele da face, que se pode espalhar pelo corpo Sensação de mal-estar e fraqueza geral Náuseas e vómitos, dor abdominal e alterações do trânsito intestinal também podem ocorrer, mas são mais raros. A suspeita de zika é levantada perante a manifestação de sintomas associados a história de viagens recentes para zonas onde é conhecida a existência do vírus ou de relações sexuais com alguém que tenha viajado para esses locais. Para confirmar o diagnóstico é necessária a identificação do vírus no sangue ou na urina . Embora raros, foram reportados casos de complicações neurológica graves associados a esta infeção. Tratamento da febre zika Não há um tratamento específico para a febre zika. O tratamento é dirigido aos sintomas e inclui: Medicamentos, geralmente paracetamol Medidas de suporte, principalmente repouso, alimentação equilibrada e aumento da ingestão líquidos para prevenir desidratação. Medidas de prevenção Não existe uma vacina contra o vírus zika para utilização corrente , embora estejam a decorrer ensaios clínicos para descobrir uma vacina. A prevenção da doença é feita com medidas dirigidas ao controlo da população mosquitos e com cuidados individuais. Assim, é importante nas zonas em que há mosquitos: Evitar sair para o exterior nos períodos de maior atividade dos mosquitos . Usar redes protetoras nas janelas . Recorrer a ventoinhas e ar condicionado que contribuem para a proteção porque os insetos se afastam do vento. Escolher bem o vestuário para cobrir as zonas do corpo quando estiver no exterior , usando meias e sapatos fechados, mangas compridas, calças compridas e chapéu. Aplicar repelentes de insetos em toda a pele exposta (exceto à volta dos olhos e da boca) e também na roupa, seguindo sempre as indicações dos produtos, nomeadamente quanto às faixas etárias das pessoas em que podem ser usados. Eliminar quaisquer águas paradas próximo das habitações , incluindo piscinas, baldes com água, pratos de vasos de plantas, poças de água, entre outros, pois são os locais onde as fêmeas dos mosquitos põem os ovos. As medidas de prevenção são especialmente importantes nas grávidas que: Não devem viajar para zonas do globo onde a doença exista. Caso o seu parceiro tenha viajado para essas zonas, deve abster-se de relações sexuais ou usar sempre preservativos, durante toda a gravidez, mesmo não havendo sintomas de doença. Ainda, caso tenham viajado para zonas de risco: Os casais que queiram engravidar devem aguardar que passem seis meses após o seu regresso. Fontes: Direção Geral da Saúde. Zika . 2023. Yuill TM. Infeção por virus Zika. 2023 Manual MSD. Versão para profissionais de saúde. Wolford RW, Schaefer TJ. Zika Virus . 2023. Treasure Island: StatPearls Publishing. European Centre for Disease Prevention and Control. Zika virus disease. Annual Epidemiological Report for 2021. Stockholm: ECDC; 2023. Conheça a equipa clínica de Infecciologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.