10 de julho de 2025 Autor : Saraiva da Cunha (infecciologia) A zona, ou herpes zóster, é uma infeção viral que afeta o sistema nervoso e que se traduz, principalmente, numa erupção dolorosa da pele formando uma banda ou faixa . A causa da zona é o vírus varicela-zóster que é um herpesvirus. Este vírus fica latente, ou inativo, nas células nervosas do organismo depois de se ter varicela, sem provocar quaisquer sintomas. No entanto, mais tarde, em cerca de 20-30% das pessoas reativa e provoca zona. Apenas quem teve varicela é que pode vir a ter zona. É possível ter zona mais do que uma vez. Não se sabe exatamente por que razão ocorre a reativação do vírus da varicela. O que é conhecido é que a zona é mais comum: Nos adultos, mais frequentemente depois dos 50 anos, o que está associado à maior debilidade do sistema imunitário com o envelhecimento. Nas pessoas que por outras razões têm um sistema imunitário debilitado, por exemplo por doenças crónicas, tratamentos de quimioterapia e tratamentos imunossupressores. No entanto, a zona pode ocorrer em qualquer idade, desde que se tenha tido varicela, e também em pessoas saudáveis. A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) estima que em Portugal, entre julho de 2023 e junho de 2024, 62 985 adultos tiveram um diagnóstico de infeção por herpes zóster, dos quais 67% tinham mais de 50 anos (Observador, 25 de novembro de 2024). A zona não é contagiosa , ou seja, não se “apanha” zona pelo contacto com outra pessoa. No entanto, quem nunca teve varicela pode ficar infetado pelo vírus pelo contacto direto com lesões de zona ou por via respiratória e, então, desenvolver varicela. Sintomas de zona O sintoma inicial de zona é uma sensação estranha de mal-estar que inclui dor, ardor e formigueiro na região onde alguns dias depois aparecerá a erupção. Febre baixa e dor de cabeça também são comuns. Poucos dias depois (1-2 dias), aparece uma erupção cutânea unilateral (apenas um dos lados do corpo). Na pele, que fica avermelhada, as pequenas bolhas ou vesículas, preenchidas de líquido, aparecem agrupadas formando manchas / faixas / bandas de extensão variável, sempre localizadas ou progredindo ao longo de um dermátomo. Um dermátomo é uma região da pele cuja inervação é feita por um nervo espinal. As áreas afetadas com mais frequência são os dermátomos que incluem o peito e costas ao mesmo nível e a barriga e região lombar, mas qualquer dermátomo pode ser atingido. Aos 4-5 dias depois de aparecerem, as bolhas rompem formando-se pequenas úlceras . É nesta altura que há um maior risco de infetarem. Aos 7-10 dias de erupção, as bolhas começam a secar e formam crostas . Entre os primeiros sintomas e o desaparecimento total da erupção podem passar quatro a cinco semanas. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico da zona baseia-se principalmente nos sintomas apresentados e na história relatada. Pode ser confirmado por pesquisa do vírus no líquido das bolhas da erupção . Quando é diagnosticada nos primeiros 3 dias o tratamento da zona é mais eficaz, sendo feito com medicamentos antivirais que diminuem a duração e intensidade dos sintomas. Habitualmente inclui também analgésicos para aliviar a dor e medidas de suporte que sejam necessárias. É importante que as zonas de erupção sejam mantidas bem limpas e secas e que não se apliquem quaisquer produtos sem indicação médica . Complicações da zona A complicação mais comum da zona é a dor persistente – designada nevralgia pós-herpética – que pode ser forte e manter-se ao longo de anos. Ocorre em cerca de 10%-15% das pessoas que têm zona, especialmente nas mais velhas. Em cerca de 2% dos casos, a erupção da pele pode infetar, o que atrasa a sua resolução. Quando a zona afeta regiões da cabeça, podem ocorrer infeções oculares (2% dos casos) com eventual perda de visão se não forem tratadas atempadamente e, mais raramente, envolvimento de nervos auriculares e do nervo facial. Prevenção da zona A prevenção da zona pode ser feita nas pessoas que tiveram varicela através de vacinação , que diminui significativamente a probabilidade de desenvolver a doença e a sua intensidade. As crianças que foram vacinadas contra a varicela têm menor probabilidade de vir a ter zona, comparativamente às que foram infetadas pelo vírus selvagem. Quem tem zona deve manter-se afastado de outras pessoas , particularmente de grávidas, até a erupção desaparecer completamente para não transmitir o vírus a quem não tenha tido varicela. Fontes Albrecht MA. Shingles. uptodate.com CDC. Shingles (Herpes zoster) . Patil A, Goldust M, Wollina U. H erpes zoster: a review of clinical manifestations and management . Viruses 2022;14:192. Conheça a equipa clínica de infecciologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.