Por mais agradável que sejam o verão e as férias, há sempre imprevistos que podem acontecer. Entre estes estão as picadas de alforreca e de caravela-portuguesa, espécies que existem nas nossas praias. Saiba distinguir a alforreca e a caravela-portuguesa Alforreca As alforrecas , também conhecidas como águas-vivas, têm um corpo em forma de cogumelo, de aspeto gelatinoso. Os tentáculos, longos e finos, sob o corpo, estão cobertos de pequenas bolsas venenosas. As alforrecas vivem em várias zonas do mundo e podem ser encontradas em águas de profundidade variável. Caravela-portuguesa A caravela-portuguesa é frequentemente confundida com uma alforreca, mas não o é. A caravela-portuguesa flutua na água, não nada como as alforrecas. Move-se pelos oceanos empurrada pelo vento. A sua parecença às caravelas usadas pelos marinheiros medievais portugueses, foi a razão de ser apelidada com este nome. A caravela-portuguesa tem uma bolsa cheia de gás de cor roxa-azulada e tentáculos, que podem chegar aos 20 metros, que tornam a sua picada muito dolorosa e passível de provocar queimaduras graves. Tem tendência para permanecer à superfície das águas em horas de sol menos intenso, pelo que é maior o risco de ser encontrada pela manhã, ao final da tarde e à noite. O que se sente quando se é picado por uma alforreca ou caravela-portuguesa? Para os humanos, o grau de toxicidade do veneno destas espécies é variável. Nas espécies com tentáculos mais longos, a primeira sensação é de enrolamento, seguida por sensação de queimadura, que deixa flictenas, ou seja, vesículas com líquido que caracterizam as queimaduras de segundo grau; Nas espécies que têm tentáculos curtos, a sensação de queimadura surge logo após o contacto, que deixa áreas da pele vermelha, com aumento do calor local e extremamente dolorosa. Nas pessoas com sensibilidade aumentada à toxina libertada podem surgir reações alérgicas, que podem tornar-se graves e necessitar observação numa urgência hospitalar. O que fazer depois de uma picada? Se durante um banho de mar sentir uma picada de alforreca ou caravela-portuguesa, evite entrar em pânico pelo risco de afogamento. Deve sair rapidamente da água e dirigir-se de imediato ao nadador-salvador , que está preparado para o ajudar. Se estiver numa praia não vigiada, em que esta não é uma opção viável, há algumas medidas que pode tomar : Lavar a zona afetada com água do mar, com cuidado e sem esfregar; Não use água doce, álcool ou amónia na área afetada; Para aliviar a dor, o tratamento mais eficaz é remover os fragmentos de tentáculos que tenham ficado na vítima. Para isso, use luvas, uma pinça de plástico, soro fisiológico ou água do mar. Não tente remover os fragmentos diretamente com as mãos; Uma vez removidos os tentáculos, aplique bandas quentes ou outra fonte de calor na região afetada durante cerca de 20 minutos para ajudar a aliviar a dor e a inflamação; O uso do vinagre pode ser considerado, apesar de ser controverso, para prevenir a libertação de toxinas. Em nenhum caso se deve aplicar urina ou álcool na região afetada; Aplique uma camada fina de pomada própria para queimaduras; Se depois destes passos não sentir alívio da dor, deve procurar ajuda médica, numa urgência hospitalar. Mesmo que não seja picado, se avistar uma caravela-portuguesa, depois de alertar as pessoas que estão por perto, comunique-o ao nadador salvador, ou no caso de uma praia não vigiada, comunique-o à autoridade marítima. Como evolui a dor? A dor e o desconforto normalmente melhoram após 20 minutos. No entanto, podem ser necessárias até 24 horas para que a dor desapareça completamente . Durante este período, pode ser feita terapêutica oral para alívio da dor com analgésicos ou anti-inflamatórios, como o paracetamol ou o ibuprofeno, respetivamente. Se a dor durar mais de 24 horas e se tiver algum dos sintomas a seguir indicados precisará de cuidados médicos , pelo que deve recorrer a uma urgência hospitalar : Hipersensibilidade ao veneno, com inchaço e dor exuberantes; Dor intensa e permanente, após a lavagem da zona afetada e medicação oral; Febre persistente após as primeiras 24 horas; Enjoos, vómitos, tonturas ou dores de cabeça; Hipersudorese (suor excessivo); Incapacidade em remover o tentáculo; Contacto com o rosto ou zona genital. ATENÇÃO: Devem ser ativados imediatamente os serviços médicos de emergência, através do número de telefone 112, quando uma após contacto com uma alforreca ou caravela-portuguesa houver sinais de falta de ar, perda de consciência, convulsões, rash cutâneo intenso (manchas vermelhas na pele), edema labial (inchaço), alteração da voz ou dor no peito. Como evitar uma picada de alforreca ou caravela-portuguesa Não é fácil evitar uma picada de alforreca ou caravela-portuguesa pois na maior parte das situações os banhistas desconhecem a existência destas espécies nas praias. No entanto, existem algumas estratégias que pode colocar em prática e que o podem ajudar a evitar acidentes : Verifique sempre se existem sinais de aviso na praia sobre presença de espécies perigosas, por exemplo alforrecas, caravelas-portuguesas; Não mexa em animais marinhos que apresentem um aspeto suspeito, nomeadamente um aspeto gelatinoso, como as alforrecas e caravelas-portuguesas. No caso de estar acompanhado de crianças, mantenha-as sob vigilância. Autora : Liliana Beirão Saiba mais sobre o Atendimento Urgente na rede Hospital da Luz. Conheça a equipa de Medicina Geral e Familiar da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.